Edição 337 | 09 Agosto 2010

Refletir e compartilhar para atuar no social

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Graziela Wolfart

Para Octavio Figueroa, a importância da missão jesuítica e cristã é que ela é, em si mesma, um horizonte que anima e dá esperança

“Uma grande parte da humanidade empobrecida continua tão ou mais desamparada que ontem e neste cenário a missão de Jesus novamente se encarna e se faz presente”. A opinião é de Octavio Figueroa, diretor do Centro de Estudios Sociales P. Juan Montalvo, com sede em Santo Domingo, na República Dominicana. Na entrevista que segue, concedida por e-mail à IHU On-Line, ele defende que “a reflexão é muito importante em um mundo que marcha a uma velocidade que atordoa. Não se pode realizar ação sem reflexão, pois caímos em mero ativismo, e isto nos tira a força. A reflexão nos renova para sermos criativos e inovadores na ação. É importante hoje uma ação inovadora, criativa, crítica, construtiva. Mas uma ação transformadora, que busque impactar e lute contra a rotina e a mediocridade que muitas vezes espreita e nos empobrece. A ação busca a justiça, para que essa sociedade se aproxime a cada dia a maiores níveis de equidade e justiça”. Na sua visão, os valores que devem reger a ação de um missionário jesuíta no século XXI são justiça; democracia/transparência; abertura; responsabilidade e compromisso; humildade; e acolhida.

Octavio Figueroa é diretor do Centro de Estudios Sociales P. Juan Montalvo SJ, que é uma ONG de sociedade civil da Companhia de Jesus com muita influência na República Dominicana. O trabalho dessa ONG é focado nas organizações de base, mas há atividades que incluem o restante da sociedade.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Qual a importância da missão jesuítica no mundo pós-moderno, e pós-secular?

Octavio Figueroa - Não me atrevo a avaliar e julgar, pois cada cenário histórico tem suas próprias complexidades e as ações se avaliam em função disso. Mas o cenário atual continua tendo igual ou maior importância, pela seguinte razão: apesar de todo este trânsito e deste caminhar que temos percorrido como humanidade, não encontramos resposta para a parte essencial de nossas vidas, e a decepção é grande. Estamos frente a uma humanidade com um alto grau de pessimismo, com uma perda do sentido da vida. Um mundo que perde a cada dia a sensibilidade pelo humano. Um mundo de grandes contrastes: apesar do crescimento econômico e do chamado “desenvolvimento” de alguns países, milhões de pessoas passam fome, vivem na mais descarada miséria. Isso sem dúvidas cria crises, estamos em crise, uma profunda crise ético-moral. É neste cenário que a missão adquire seu maior sentido. Uma grande parte da humanidade empobrecida continua tão ou mais desamparada que ontem e neste cenário a missão de Jesus novamente se encarna e se faz presente. Portanto, o importante é tentar acompanhar essa realidade das pessoas e tratar encarecidamente de transformá-la. A importância da missão é que ela é, em si mesma, um horizonte que nos anima e nos dá esperança.

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