Edição 334 | 21 Junho 2010

“Neste momento, não há ídolos no futebol brasileiro”

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Graziela Wolfart

Para o jornalista e escritor Ruy Castro, todo mundo ama mil vezes mais o seu clube do que a seleção brasileira

“Os grandes ídolos não são criados. Nascem e encontram um terreno propício para se desenvolver”. A opinião é do jornalista e escritor brasileiro Ruy Castro, em entrevista concedida, por e-mail, para a IHU On-Line. Na sua visão, um grande ídolo do futebol precisa ter talento ou genialidade e, principalmente, carisma. E sobre a seleção de Dunga, Ruy Castro dispara: “não tenho nada a ver com esta seleção do Dunga. Não conheço a maioria dos jogadores, não sei onde eles atuam e, dos que conheço, não gosto de quase nenhum”.

Ruy Castro é jornalista, tradutor e escritor brasileiro, reconhecido pela produção de biografias e reportagens extensas que vieram a se desenvolver na qualidade de livro-reportagem. A partir de suas obras, consagrou-se como um dos escritores brasileiros mais respeitados da atualidade. É autor das biografias de Nelson Rodrigues, Garrincha e Carmen Miranda. Entre seus livros, citamos Chega de saudade: A história e as histórias da Bossa Nova (São Paulo: Companhia das Letras, 1990), Saudades do século XX (São Paulo: Companhia das Letras, 1994), Ela é carioca (São Paulo: Companhia das Letras, 1999), A onda que se ergueu no mar (São Paulo: Companhia das Letras, 2001), Tempestade de ritmos (São Paulo: Companhia das Letras, 2007) e Era no tempo do rei: um romance da chegada da corte (Rio de Janeiro: Objetiva, 2007).

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Como se criam os grandes ídolos do futebol? O que explica esse fenômeno e por que o povo escolhe alguns jogadores como ídolos?

Ruy Castro - Os grandes ídolos não são criados. Nascem e encontram um terreno propício para se desenvolver. Ou não. E, nesse caso, não se tornam ídolos.

IHU On-Line - Quais as características dos grandes ídolos do futebol?

Ruy Castro - Talento ou genialidade e, principalmente, carisma.

IHU On-Line - Algo mudou da época de Garrincha e Pelé para hoje?

Ruy Castro - O futebol hoje é completamente profissional.

IHU On-Line - Quem são os ídolos do futebol brasileiro hoje?

Ruy Castro - Neste momento, não há ídolos no futebol brasileiro.

IHU On-Line - Quais as principais transformações que o dinheiro provocou na trajetória histórica do futebol?

Ruy Castro - Tornou os empresários mais poderosos do que os clubes, o que é uma desastrosa inversão de valores.

IHU On-Line - Que avaliação o senhor faz da Copa 2010, até então, em relação à forma como ela está instituída?

Ruy Castro - Não vejo nada diferente na Copa 2010 em relação às anteriores. É o mesmo populismo, de privilegiar países africanos ou asiáticos sem condições de enfrentar os sul-americanos ou europeus. 

IHU On-Line - E, para provocar um pouco, como o senhor analisa a seleção de Dunga?

Ruy Castro - Não tenho nada a ver com esta seleção do Dunga. Não conheço a maioria dos jogadores, não sei onde eles atuam e, dos que conheço, não gosto de quase nenhum.

IHU On-Line - A paixão pelos clubes (o Flamengo, no seu caso) é maior do que a paixão do brasileiro pela seleção?

Ruy Castro - Sem dúvida. E, exceto os brasileiros que não gostam de futebol e só se interessam pelo assunto de quatro em quatro anos, quando há Copa do Mundo, todo mundo ama mil vezes mais o seu clube do que a seleção.

IHU On-Line - Como entender a paixão que move a nação brasileira em torno do futebol?

Ruy Castro - Não sei. E não sei se é preciso saber. Só sei que, quando o Flamengo ganha, vou dormir feliz; se perde, não quero nem ler o jornal no dia seguinte.

Leia mais...

>> Ruy Castro já concedeu outras entrevistas à IHU On-Line:

* Futebol ontem e hoje. Entrevista publicada nas Notícias do Dia do sítio do IHU em 17-05-2006;
* Bossa Nova: um patrimônio da cultura brasileira. Entrevista publicada na IHU On-Line número 272, de 08-09-2008.

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