Edição 332 | 07 Junho 2010

IHU Repórter - Alice Leite Oliveira

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Graziela Wolfart e Márcia Junges

Persistente, prestativa e sensível são adjetivos que descrevem bem a agente de proteção e risco Alice Leite Oliveira. Mãe de quatro filhos e estudante do 6º semestre de Direito na Unisinos, ela desdobra seu tempo em trabalho voluntário, pintura e leituras. “Voltei a estudar para dar exemplo aos meus filhos”, disse na entrevista que concedeu à IHU On-Line. Entusiasmada com seu trabalho e com o futuro da Unisinos, ela conta mais aspectos sobre sua vida, tão multifacetada e cheia de disposição. Confira.

Origens – Nasci em Porto Alegre, mas cresci em Canoas. Meu pai, Noroé Pedroso Guedes de Oliveira, é eletricista mecânico, e minha mãe, Celira Heloisa Leite, era cozinheira. Ela faleceu há dois anos. Tenho uma irmã mais velha, de 44 anos, chamada Ivana Carla Tremarim. Ela é formada em Teologia e trabalha na pastoral da criança, em Novo Hamburgo.

Infância – Foi um período um pouco difícil. Passamos algumas necessidades. Meus pais se separaram quando eu tinha 6 anos. Naquela época, a mulher separada era muito mais discriminada, e minha mãe passou certo trabalho. De qualquer forma, tive uma infância feliz. Desde pequena, gostava de desenhar, e participava de concursos de desenho. Estudei em um colégio de freiras, o São Paulo, em Canoas. Aí comecei a desenhar imagens sacras e outros tipos de pinturas e desenhos. Atualmente, faço painéis infantis, de aniversários. Ajudo uma prima que tem uma loja de festas.

Estudos – Desde criança, sempre estudei em escolas de freiras. A primeira delas foi a Maria Imaculada, em Canoas, no Bairro Rio Branco. Em seguida, estudei no Colégio São Paulo, hoje pertencente ao La Salle. Lá completei o Ensino Médio. Depois, minha mãe, minha irmã e eu viemos para São Leopoldo. Como minha mãe era cozinheira da Klabin, recebeu transferência para trabalhar na unidade daqui. Quando chegamos, trabalhei 5 anos em um supermercado. Logo após, passei um tempo desempregada, cuidando dos meus filhos, que eram pequenos na época. Quando o mais novo tinha 7 anos, fui contratada pela Unisinos. Sou a funcionária mais antiga do setor, com dez anos de casa.

Incentivo aos estudos – Iniciei a graduação de Recursos Humanos, mas, em função da incompatibilidade de horários, transferi-me para o Direito. Agora, estou no 6º semestre do curso. Quando comecei a trabalhar na Unisinos, fui incentivada a estudar pelo coronel João Hermes. Voltei a estudar para dar exemplo aos meus filhos. Foi uma festa quando passei no vestibular. Sempre frisei aos meus filhos a importância de estudar e, a partir disso, criar uma estabilidade de vida.

Casamento e filhos - Fui casada por 20 anos. Sou separada há 4. Tenho dois casais de filhos. Seus nomes são Maxwilliam, de 23 anos, Mirela, de 21, Marina, de 18 e o Murilo, de 17. A Mirela é estudante de engenharia civil aqui na Unisinos. O Maxwilliam foi uma criança bem precoce: começou a ler com 4 anos e já fala 5 idiomas. A Marina está fazendo um curso técnico e quer fazer vestibular para design. O Murilo está terminando o ensino médio.

Vida em família - Moro em Canoas e tenho guarda compartilhada dos meus filhos. Vivo com uma tia de 70 anos, que é viúva, e meu pai, de 73 anos.

Voluntariado - Estudo nas segundas, terças e quartas-feiras na Graduação de Direito. Há um ano, nas quintas-feiras, participo de um grupo chamado Filhas de Maria, composto por 16 senhoras que produzem enxovais para mães carentes. Faço a parte da costura, produzimos edredons e tip-tops. O que não fazemos, compramos para montar o enxoval. Vamos juntando as coisas e colocamos tudo dentro da banheira de bebê, para doação. Quando as mães cadastradas no nosso projeto completam sete meses de gestação, elas podem retirar o enxoval. Cada uma de nós contribui com valor simbólico e contamos, também, com doações. E há muitas pessoas que necessitam da nossa ajuda. Há poucos dias, ficamos sabendo de uma menina de 13 anos que deu à luz a gêmeos. No ano passado, fiz voluntariado numa creche para crianças semivegetativas.

Leitura – Gosto bastante de ler. Mario Quintana é um dos meus autores favoritos, Ruben Alves e Carpinejar também. A literatura espírita é outro interesse, e, nesse aspecto, destaco as obras de Zíbia Gasparetto, Elisa Masselli. Atualmente, a Bíblia é minha leitura de cabeceira junto com o livro de mensagens, chamado Gotas de amor, da autora Mitzi, e também de algumas obras jurídicas.

Filme – Sou bastante sentimental, e por isso me emociono muito. Nesse sentido, Marley e eu me marcou profundamente. Uma linda mulher e Ases Indomáveis também me marcaram bastante.

Lazer – Gosto de costurar, pintar ou ler. Ocupo meu tempo assim.

Fé – Sou católica e kardecista.  Respeito todas as crenças. Acredito num único Deus, que une, que não é punitivo e nos dá provações para termos força para superarmos os obstáculos. Acredito que estamos na vida por um propósito, para ajudar as pessoas. Muitos dizem que isso é uma utopia, mas acredito nisso de verdade. Estou aqui para servir.

Sonhos – Além de tantos outros pequenos sonhos, os maiores deles são ter uma casa própria, concluir minha faculdade e encontrar minha alma gêmea.

Perda - Um tempo atrás, estava saindo, algumas vezes, para ir a festas junto da minha amiga Adriana Sefrin, colega aqui da Unisinos e que faleceu em um acidente de carro. Aquilo foi uma fatalidade e um dos momentos mais tristes que já vivi na Unisinos. Era uma pessoa excelente, correta. Saíamos para as festas, e ela não bebia, divertia-se com tranquilidade. Sua morte foi um verdadeiro choque e uma perda lastimável.

Agente de proteção e risco – Protegemos o patrimônio da universidade e o bem-estar dos alunos. Nossa função é sempre preparar tudo para receber os alunos da melhor forma possível, orientando-os e cuidando-os. Estamos sempre atentos ao que acontece no campus. Trabalhamos o aspecto preventivo da segurança.

Unisinos – Estou aqui há dez anos, e já aconteceram muitas coisas. De tudo isso, gostaria de destacar um fato muito marcante para mim. Quando eu tinha 4 anos de serviço, passei mal no trabalho e fui acudida. Fui parar no centro médico e lá recebi o diagnóstico de apendicite. Eram 7h da manhã. Às 17h do mesmo dia, eu ainda não havia sido atendida. Minha irmã estava comigo, e minha mãe ficou com meus filhos. Minha irmã ligou para cá e contou para o Dr. Eduardo, na época médico da Unisinos, o que estava acontecendo. Ele foi para o hospital, acompanhado da enfermeira, que até hoje é funcionária do nosso ambulatório. Foi aí que viram que não se tratava de uma apendicite, mas de hemorragia interna em função de um tumor. Fiquei nove meses afastada. Hoje estou muito bem, graças a Deus. Se não fosse a Unisinos interferir, eu não teria resistido. Superei tudo e sou muito grata à Universidade, que jamais me abandonou. O que sinto pela Unisinos é mais do que uma relação profissional, mas um carinho imenso. Para além da relação emocional que tenho com a instituição, percebo-a como um pólo tecnológico, abrindo fronteiras e se expandido para o mundo. Antes, a Unisinos já era conceituada em vários quesitos, mas hoje o ensino está muito mais qualificado e focado.

Instituto Humanitas Unisinos – Acompanho a Revista IHU On-Line. Das últimas edições, chamou minha atenção a matéria de capa dedicada à água e ao saneamento básico, pois, interesso-me por direito ambiental. Penso que o IHU é um grande canal de interação com o aluno. Entretanto, creio que é necessário haver mais interação do IHU com os centros acadêmicos, incentivando a participação dos alunos nos eventos. Por outro lado, é preciso dizer que os murais espalhados pelo campus conseguem, muitas vezes, captar público para as atividades propostas pelo IHU.

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