Edição 332 | 07 Junho 2010

“A pílula foi um recurso para as mulheres atingirem seus objetivos”

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Graziela Wolfart e Márcia Junges

Para a historiadora Elaine May, a pílula obteve sucesso porque foi completamente eficiente, conveniente no controle das mulheres, e separou a contracepção do ato sexual

“Há uma crença de que a ciência e a tecnologia podem resolver diversos problemas. Esta é uma razão pela qual houve tanta esperança colocada na pílula contraceptiva”. A afirmação é da historiadora Elaine May, autora do recém-lançado América e a Pílula: Uma História de Promessa, Perigo e Liberação (America and the Pill: A History of Promise, Peril, and Liberation, Basic Books, 2010). Na entrevista a seguir, concedida, por e-mail, à IHU On-Line, ela defende que houve diversas promessas em torno da pílula, como “resolver a superpopulação mundial e a pobreza, criar famílias felizes e bem planejadas, colocar um fim à gravidez inesperada e indesejada”. No entanto, completa, “a maioria destas promessas não foi cumprida”. Na visão de Elaine May, “a contracepção não deu maior poder sexual às mulheres. Foi o movimento feminista que deu a elas esse poder, e a pílula foi um recurso para as mulheres atingirem seus objetivos”.

Elaine May é professora de História na Universidade de Minnesota, Estados Unidos. Graduada em História pela Universidade da Califórnia, é mestre e doutora em História pela mesma instituição.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Depositaram esperanças demais na pílula anticoncepcional? Por quê?

Elaine May - Nos Estados Unidos e em outros lugares também, há uma crença de que a ciência e a tecnologia podem resolver diversos problemas. Esta é uma razão pela qual houve tanta esperança colocada na pílula contraceptiva.

IHU On-Line - Quais foram as principais promessas em torno da pílula?

Elaine May - O tempo todo houve diversas promessas: resolver a superpopulação mundial e a pobreza, criar famílias felizes e bem planejadas, colocar um fim à gravidez inesperada e indesejada. Porém, a maioria destas promessas não foi cumprida.

IHU On-Line - Quais foram os principais benefícios que a pílula trouxe?

Elaine May - Os maiores benefícios foram para as mulheres, permitindo-lhes controlar efetivamente sua fertilidade sem a necessidade do envolvimento, cooperação ou até conhecimento dos homens, de modo que elas podiam planejar suas vidas e alcançar suas aspirações pessoais.

IHU On-Line - O que a pílula realmente conseguiu?

Elaine May - A pílula obteve sucesso porque foi completamente eficiente, conveniente, estando no controle por parte das mulheres, e separou a contracepção do ato sexual.

IHU On-Line - Por que é um mito dizer que a pílula foi responsável pela revolução sexual?

Elaine May - É um mito porque a revolução sexual começou muito tempo antes de a pílula ser aprovada, e porque, individualmente, as mulheres tiveram um período em que era muito difícil para tomar a pílula, e, relativamente, poucas a usaram ainda nos anos 1970.

IHU On-Line - Qual era o perfil das mulheres que tinham acesso à pílula nas décadas de 60 e 70?

Elaine May - Em geral, mulheres casadas, que tinham acesso aos cuidados médicos e podiam custear a pílula.

IHU On-Line - Hoje, há uma abrangência maior da pílula entre mulheres de diferentes camadas sociais e econômicas?

Elaine May - Mulheres de todos os grupos sociais e econômicos usam a pílula, bem como outras formas de contracepção.

IHU On-Line - Agora os homens têm o Viagra, mas ainda não tem uma pílula masculina. As mulheres estão mais empoderadas sexualmente desde o advento dos anticoncepcionais?

Elaine May - A contracepção não deu maior poder sexual às mulheres. Foi o movimento feminista que deu a elas esse maior poder, e a pílula foi um recurso para as mulheres atingirem seus objetivos.

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição