Edição 331 | 31 Mai 2010

Memória - Marcio Rillo (1953-2010)

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Graziela Wolfart

Faleceu na madrugada da última segunda-feira, dia 24-05-2010, em consequência de causas naturais, o reitor da UNIFEI - Centro Universitário da FEI (Fundação Educacional Inaciana “Padre Sabóia de Medeiros”), professor doutor Marcio Rillo

Natural de Apucarana, Paraná, Rillo tinha 56 anos e estava à frente da instituição desde janeiro de 2002. Formado em Engenharia Elétrica com ênfase em Eletrônica pela FEI e em Economia pela USP, Rillo era mestre, doutor e livre-docente em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, tendo coordenado a pós-graduação e orientado diversos trabalhos de doutorado e mestrado nas áreas de automação industrial e inteligência artificial. Atualmente, Rillo era membro do Conselho Superior de Tecnologia e Competitividade – Contec, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo - Fiesp e também membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico da Prefeitura de São Bernardo do Campo. O professor deixa duas filhas.

O Centro Universitário da FEI – UNIFEI localiza-se no estado de São Paulo e tem dois campi: um em São Bernardo do Campo e outro em São Paulo.

A UNIFEI, juntamente com a PUC-Rio, a Unicap, de Recife, a FAJE, de Belo Horizonte, e a Unisinos, são Instituições de Ensino Superior, no Brasil, confiadas à Companhia de Jesus.

A IHU On-Line ouviu os depoimentos de dois vice-reitores da UNIFEI - Centro Universitário da FEI, que falaram sobre o legado pessoal e intelectual de Marcio Rillo. Confira:

“Marcio foi um líder tanto no aspecto pessoal quanto profissional. Primeiro, porque ele soube preparar sucessão, soube formar possíveis substitutos – lógico, não imaginando uma saída agressiva -, e como um bom líder, ele soube, nessa década em que ele esteve à frente da FEI, delinear caminhos e orientações. Isso alcançou uma maturidade tal que poderia caminhar sem a presença dele. E o próprio Marcio externou isso na sexta-feira antes do falecimento. Eu fui a última pessoa que desci com ele, quando ele me disse que estava muito feliz com tudo o que tem visto, e que a instituição hoje caminhava sem a sua presença. Isso resume para mim o que é um líder. Aquele que não sabe deixar substitutos ou preparar uma sucessão não é um líder, porque a instituição precisa continuar evoluindo, sem dependências. A instituição deve estar acima de pessoas. Então, estou hoje como vice-reitor de ensino e pesquisa no exercício da reitoria e muito tranquilo. A instituição não teve nenhum abalo por conta desses caminhos que já estavam muito bem orientados. Pessoalmente, defino Marcio Rillo pela sua mansidão. Ele era uma pessoa bastante espiritualista, que se aprofundava muito em estudos bíblicos, de forma geral, como leigo, e sabia transmiti-los. Tinha o Marcio como um grande amigo, uma referência, uma pessoa que conseguia articular humildade e serenidade. Ele era duro com muita elegância e, ao mesmo tempo, muito humilde. O respeito com o ser humano era uma das coisas fundamentais que o Marcio deixou, e as pessoas em torno dele viam isso com muita clareza”.
Fábio do Prado, vice-reitor de ensino e pesquisa do Centro Universitário da FEI, no exercício da reitoria.  

“O Márcio foi aluno formado aqui na FEI, seguiu carreira acadêmica e foi uma pessoa de bastante destaque no meio acadêmico. Era uma pessoa de grande cultura, muito estudioso, muito dedicado em diversas áreas, não só à área técnica, mas com uma conduta exemplar do ponto de vista ético e de respeito ao outro. Era alguém que, como ser humano, deixou muito ensinamento e exemplo para quem conviveu com ele muito próximo. Como reitor e professor da FEI, ele teve um papel muito importante na condução de uma transformação. Ele participou de um projeto institucional, que certamente daremos prosseguimento, onde foi um grande líder e veio para uma proposta de participar da articulação de quatro faculdades, que hoje compõem o Centro Universitário da FEI. Eram quatro escolas academicamente isoladas, autônomas, mantidas pela mesma mantenedora, que é a Fundação Educacional Inaciana. O objetivo era de transformação em uma futura universidade focada nas áreas de administração, computação e engenharia. Marcio foi fundamental nessa mudança, tanto que ele deixou nossa comunidade com os objetivos bastante claros, sempre olhando que todos os passos que a gente dê e continue dando seja no sentido de qualidade para a construção de uma futura universidade nessas áreas. Ele veio para a instalação do Centro Universitário, foi seu primeiro reitor e exerceu da melhor maneira possível e de forma plena esse papel. Deixa para nós o legado de uma construção, com uma base muito sólida, para darmos continuidade a esse trabalho. Era uma pessoa muito segura em diversos aspectos, seguro dos valores, dos objetivos, da importância do passo que a instituição estava dando, sempre de forma a transmitir para todos essa segurança, tanto segurança de gestão quanto de objetivos. Ele conseguiu convencer a toda a instituição, durante a transição, de que a mudança era positiva, necessária. Ele frisava o papel de responsabilidade social que tínhamos como universidade, de que temos uma responsabilidade muito grande na construção do país. Ele conduzia sempre seu trabalho com a visão do que é ser universidade, nos seus diversos aspectos, tanto do ponto de vista econômico como da formação humana”.
Rivana Basso Fabbri Marino, vice-reitora de extensão e atividades comunitárias do Centro Universitário da FEI.  

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