Edição 328 | 10 Maio 2010

Transformações e perspectivas no Vale do Sinos. Da produção calçadista ao high-tech

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Patricia Fachin

Conhecido tradicionalmente pela produção coureiro-calçadista, o Vale do Sinos passa por um processo de ampliação e diversificação da sua matriz econômica. Os anos 2000 marcaram diversas crises no setor calçadista, mas também caracterizaram uma nova dinâmica produtiva na região. Na última década, surgiram novos empreendimentos como os parques tecnológicos e científicos Tecnosinos, de São Leopoldo, e Valetec, de Novo Hamburgo, ligados, respectivamente, à Universidade do Vale do Rio dos Sinos e à Universidade Feevale.

Localizado na região metropolitana de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, o Vale do Rio dos Sinos recebeu este nome devido ao próprio rio dos Sinos que, em seu percurso, forma um extenso vale cercado por 14 municípios: Araricá, Campo Bom, Canoas, Dois Irmãos, Estância Velha, Esteio, Ivoti, Nova Hartz, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, Portão, São Leopoldo, Sapiranga e Sapucaia do Sul. A população do Vale é formada, em sua maioria, por descendentes de imigrantes alemães e, contava, em 2008, com 1.287.805 habitantes, segundo dados da Fundação de Economia e Estatística – FEE.

Durante décadas, a economia da região foi impulsionada pela indústria calçadista. Depois de passar por três crises em menos de dez anos e fechar diversas fábricas, em 2008, o setor começa a dar sinais de melhora. Segundo Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados - CAGED, o cargo de “trabalhador polivalente de confecção de calçados” foi o mais ocupado em sete dos quatorze municípios da região, no primeiro trimestre de 2010. Nos municípios de Esteio, Novo Hamburgo e Portão também é possível perceber um aquecimento da indústria. Já em Canoas e Sapucaia do Sul, é visível um aumento na empregabilidade  por meio da construção civil, enquanto, em São Leopoldo e Nova Santa Rita, crescem as admissões na área de serviços. Esse foi o período em que o Vale teve o melhor desempenho de empregabilidade, atingindo a marca de 3,8% dos novos empregos com carteira assinada.

Embora o ritmo de crescimento da indústria calçadista não seja o mesmo daquele “dos anos dourados (...) o setor ainda desempenha um papel relevante na reprodução da vida material de um grande contingente gaúcho”, menciona o economista Achyles Barcelos.

Numa nova perspectiva de crescimento, com o desafio de diversificar a base produtiva da região, emerge no Vale do Sinos, por meio de uma parceria entre universidades e o setor empresarial, parques científicos e tecnológicos, que integram empresas de base tecnológica.

A perspectiva é transformar o Vale num centro tecnológico com potencial nacional. A iniciativa representa “um passo importante para a região entrar em setores produtivos dinâmicos em termos de crescimento”, considera o economista.

A seguir, confira algumas entrevistas que retratam a atual conjuntura do Vale do Sinos.


Baú da IHU On-Line

>> Acesse outras edições sobre o Vale do Sinos.

• Rio dos Sinos. Um ano depois da tragédia. Ainda é possível salvá-lo? Edição 242, de 5-11-2007;

• Vale do Sinos em crise. Diagnósticos e perspectivas. Edição 225, de 25-6-2007.

>> Confira também algumas matérias produzidas pelo Observatório dos Indicadores da Realidade e Políticas Públicas do Vale do Rio dos Sinos, publicadas no sítio do IHU.
• Emprego formal cresceu 2,19% no Vale do Rio dos Sinos, em 2009. Publicada em 17-4-2010;

• Emprego no Vale do Sinos tem o melhor desempenho dos últimos 14 anos. Publicada em 24-4-2010;

• O perfil dos trabalhadores do Vale do Sinos. Publicada em 4-5-2010;  

• As mulheres e o trabalho no Vale dos Sinos. Publicada em 08-05-2010.

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