Edição 321 | 15 Março 2010

IHU Repórter - João Zani

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Graziela Wolfart e Márcia Junges

“Sou uma pessoa informal. Onde trabalho, questiono o excesso de hierarquias, e estou permanentemente preocupado em ter uma relação muito próxima com aqueles com quem convivo. Meu expediente sempre vai até mais tarde para que meus orientandos e aqueles professores que queiram fazer um contato comigo possam encontrar-me”. Esses são alguns aspectos do novo pró-reitor de administração da Unisinos, João Zani. Na entrevista a seguir, concedida pessoalmente à IHU On-Line, ele conta mais sobre sua vida, projetos, trajetória acadêmica e profissional. Confira.

 

Origens – Nasci em Carlos Barbosa, na Serra Gaúcha. Meus pais eram agricultores. Além disso, meu pai era ferreiro e fabricava ferramentas para a agricultura. Somos uma família de sete irmãos. Sou o penúltimo deles. Minha mãe nasceu na Itália. Sua família veio de navio e inicialmente ficaram na região de Campinas. Depois, meu avô veio para a Serra Gaúcha e resolveu buscar a família em São Paulo. Aí se instalaram num pequeno local chamado Castro.

Da época de guri, lembro muito dos jogos de futebol. Durante muito tempo, joguei como zagueiro no Serrano Futebol Clube e de ala na Associação Carlos Barbosa de Futebol (ACBF), antes dela se tornar profissional. Lembro muito de dois colegas dessa época, Agostinho Fachini e Clóvis Tramontina. Jogávamos bola juntos e somos amigos até hoje.

Estudos e trabalho - Estudei no Grupo Escolar Carlos Barbosa, e depois no Ginásio Santa Rosa, onde fiz o curso de técnico em contabilidade. Trabalhei na Tramontina durante cinco anos. Iniciei lá aos 13. Aos 18, eu era supervisor de expedição, com mais de 50 pessoas subordinadas a mim. Resolvi sair de lá para trabalhar no Banrisul e, nesse tempo, cursei Ciências Econômicas na Universidade de Caxias do Sul (UCS). No primeiro semestre, fui reprovado pelo professor de Cálculo. Eu sempre tive excelentes avaliações na escola. No início da faculdade, eu pequei por excesso de confiança. Nunca esqueço disso. A reprovação foi algo desafiador para mim. No dia da formatura, recebi o título de menção honrosa, pois havia obtido a melhor média da turma e tirado o primeiro lugar. Assim, no final das contas, aquela reprovação foi excelente, pois chamou minha atenção.

No Banrisul de Carlos Barbosa, trabalhei 5 anos e fiz vários contatos importantes. Depois, fui para a direção geral do banco, como economista, assessor técnico do banco. Assumi a superintendência de planejamento do banco, cargo mais alto na hierarquia dessa instituição. Fui o mais jovem a assumir esse cargo até então. Depois, passei a superintendente financeiro, diretor da CEEE e, há 8 anos, faço parte do conselho de administração do Banrisul, como representante dos acionistas minoritários e da Fundação Banrisul. Também sou membro do conselho de administração da Recrusul e da Minuano Alimentos.

Unisinos - Saí de Carlos Barbosa para ser assessor técnico do Banrisul. Lá havia um professor da Unisinos, e ele convidou-me para fazer um estágio. Logo que concluí minha graduação, já fui convidado a lecionar na UCS. Meu colega Urbano Knist, que lecionava aqui na Universidade, chamou-me para fazer um estágio probatório no ex-centro cinco. Fiz parte do time de professores liderados pelo professor Alexandre Wertes. Assim, por um ano, acompanhei outros professores nesse estágio. Fui contratado em 1981 pela Unisinos. Continuei trabalhando no banco e lecionando de duas a três vezes por semana.

Educação contínua - Durante esse período, cursei especializações em Marketing e Contabilidade na Unisinos, em Economia, na PUCRS, e em Finanças, na UFRGS. Nunca fiquei sem estudar. O banco me permitiu essa formação constante. Foi um privilégio na minha carreira. Em 1996, iniciei um mestrado em Administração no consórcio Unisinos/PUC-Rio, concluindo-o em 1998. Em 1999, saí do Banrisul e, em 2000, iniciei meu doutorado na UFRGS. Em 2005, completei o curso. Tive a oportunidade de fazer um doutorado sanduíche na Universidade de Nova Iorque. Em 2006, ingressei no PPG de Ciências Contábeis da Unisinos, no qual leciono a disciplina de Estratégia Financeira e Criação de valor nas organizações, e oriento quatro mestrandos. Além disso, coordeno o MBA de Finanças há uns dez anos. Este ano, estou abrindo mão desse cargo em função de minhas novas atribuições. Já lecionei em graduações, MBAs e nos cursos de cooperativismo.

Novo desafio – Minha experiência de gestão sempre havia sido em área bancária e de empresas. Eu não planejava mais voltar para a área executiva. Mas, há dois anos, fui convidado para ser diretor de educação continuada e tive que passar por um processo de reciclagem e aprendizagem. Mas foi um desafio muito interessante, pois fizemos com que a unidade crescesse significativamente e abrimos mercado na Serra gaúcha e em Porto Alegre. Considero grande a minha contribuição à formação da equipe de trabalho que ainda estava em andamento. Há dois meses, atuo na Reitoria, no cargo de pró-reitor de administração, e novamente num processo de reciclagem e aprendizagem. Vou trabalhar forte e com uma dedicação especial ao projeto de transformação da Unisinos numa universidade protagonista, empreendedora e reconhecida pela excelência de seus cursos de graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão. Já estamos trabalhando no desenvolvimento de uma marca forte para a pós-graduação da Unisinos. Queremos ser percebidos pelo mercado na linha da diferenciação pela excelência da qualidade acadêmica. Temos um projeto estratégico de crescimento e expansão da universidade. Meu principal desafio agora é de liderar a execução desse projeto estratégico e de expansão. Este é um momento desafiador em todos os sentidos para a Unisinos, mas estou muito otimista em relação ao seu futuro. O projeto de diferenciação por qualidade é muito claro para nós.

Família – Sou casado com a Maria Justina Bassotto Zani, a Tina, há 27 anos. Tenho dois filhos: o Thobias, já formado pelo nosso novo curso de Gestão para Inovação e Liderança, e a Joanna, que concluiu o Ensino Médio e vai cursar Engenharia Química. A família é extremamente importante para mim. Como pai, foi uma experiência muito interessante viver a diferença de relação existente entre pai e filho e pai e filha. Eu não tinha essa percepção, e ela foi muito marcante para mim.

Autor – Com o livro Desafio dos Deuses a Fascinante História do Risco, Peter L. Bernstein tem meu reconhecimento.

Livro – Vou ficar na minha área. Um livro que me ajuda a entender o momento que vivemos é o Capitalismo Global – História Econômica e Política do Século XX, de Jefrey A. Frieden e um livro que li nas férias e está me ajudando na gestão da universidade é a Hélice Tríplice- Universidade-indústria-governo Inovação em movimento, de Henry Etzkowitz.

Filme Mente brilhante é um filme que retrata a vida de John Nash (Russell Crowe), um gênio da matemática que, aos 21 anos, formulou um teorema que provou sua genialidade e o tornou aclamado no meio onde atuava, posteriormente reconhecido com o premio Nobel.

Lazer – Continuo praticando futebol. Caminho quase que diariamente e mantenho um bom ritmo de leitura técnica. Gosto de assistir futebol, e sou colorado.

Sonhos – Em termos pessoais, manter uma família unida e feliz e que meus filhos se realizem pessoal e profissionalmente. Em termos profissionais, sonho e desejo que o projeto estratégico da Unisinos de universidade protagonista, empreendedora e inovadora se transforme em realidade percebida por toda a sociedade.

Unisinos – É uma universidade Jesuíta, pública não-estatal, preocupada em promover a formação integral da pessoa humana para o desenvolvimento da sociedade. Tem um projeto de ser uma universidade protagonista, empreendedora e inovadora e que se preocupa em transformar o conhecimento em bem-estar da sociedade. Nessa lógica, a Unisinos é aberta para as pessoas, para o mundo empresarial e para os governos. Aqui se faz um esforço enorme para viabilizar um parque tecnológico em seu entorno, promovendo uma reconversão de São Leopoldo e da região embasada na tecnociência. Nesse sentido, a Unisinos busca gerar crescimento, desenvolvimento com sustentabilidade.

IHU – É um instituto de pensamento e filosofia que discute os temas de fronteira do conhecimento nos debates contemporâneos. Ele tem um papel fundamental dentro da Unisinos.

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