Edição 317 | 30 Novembro 2009

IHU Repórter - Marcelo Fonseca

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Márcia Junges e Patrícia Fachin

Administrador de Empresas nascido em Rio Grande, Marcelo Fonseca é professor de marketing e coordenador do Curso de Gestão para Inovação e Liderança (GIL) e do Instituto de Pesquisa de Mercado – Unisinos (IPM-Unisinos). Recém chegado de Odense, Dinamarca, onde realizou seu doutorado sanduíche em Administração/Marketing, ele conta as alegrias e desafios dessa viagem, acompanhada pela esposa Juliana. Cultura popular, leitura, viagens, jogar tênis, cozinhar, e apreciar vinhos são seus passatempos favoritos. Empreendedor desde muito jovem, quando iniciou a vida universitária em Rio Grande, Marcelo relembra aspectos de sua trajetória na entrevista a seguir.

Origens – Nasci em Rio Grande, em 1973. Meu pai é médico, minha mãe, professora de francês. Ambos são professores da Universidade Federal de Rio Grande (FURG). Passei minha infância lá, e meus pais continuam naquela cidade. Eles se separaram há uns 30 anos, e seus respectivos companheiros também são professores da Universidade. Tenho um irmão, oito anos mais velho que eu, o Marcos, que é empresário do setor de agenciamento marítimo, ramo que era do meu avô. Tenho muito orgulho dos valores da minha família.

Casamento - Sou casado com a Juliana há cinco anos. Ela é formada na Unisinos em Direito. Conheci minha esposa por intermédio de um amigo, em 2001. Eu estava indo num final de semana para Rio Grande, sozinho, contrariado, porque não queria viajar. Quando cheguei em Camaquã, resolvi que não iria mais. Voltei e fui encontrar meu amigo. Conheci a Juliana nesse dia. Desde então, estamos juntos, e assim continuaremos, dividindo sonhos e desafios. Ainda não temos filhos. Tínhamos alguns projetos importantes a conquistar antes disso, como a possibilidade da experiência de um ano no exterior.

Vida universitária e negócios - Fiquei em Rio Grande até completar a universidade. Cursei vestibular para arquitetura, publicidade e propaganda e administração. Acabei cursando administração na FURG em função de circunstâncias de greve enfrentadas pela Universidade Federal de Pelotas, onde seria o curso de arquitetura. Logo que comecei o curso de Administração, meu irmão me propôs montarmos um negócio, para que eu pudesse aprender mais sobre a profissão na prática. Assim, aos 17 anos, comprei, junto do meu irmão, uma empresa de polpas de frutas congeladas. “Importávamos” frutas do Nordeste, comprávamos frutas daqui, e fazíamos as polpas congeladas. Isso foi em 1991. Um pouco depois começamos a fazer sucos de frutas engarrafados, o que era raro na época. Havia só uma empresa no estado que fabricava essa bebida, a Laranja do pé, de Porto Alegre No verão do Cassino, em Rio Grande, nosso suco vendia bem. Meu trabalho de conclusão tratou sobre esse assunto.

Formatura - Em janeiro de 1995 me formei, vendi tudo e em abril de 1995 fui para a Europa. Vivi meio ano em Londres estudando inglês, trabalhando e viajando bastante. Retornei de Londres em setembro, uma semana antes da prova de mestrado para Marketing, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Lembro que estava torcendo para ser reprovado no mestrado, para poder voltar a Londres. Só que eu passei. Fiquei sabendo disso perto do Natal e então me mudei para Porto Alegre no início de 1996.

Minha mãe emprestou-me por meio ano um apartamento JK que tinha, no centro de Porto Alegre, perto da UFRGS. Acabei ficando nele por cinco anos. Nesse meio tempo, fui juntando dinheiro para comprar meu próprio apartamento. Comecei a trabalhar com pesquisa de mercado, com o professor Luís Antônio Slongo, que me apresentou essa possibilidade de trabalho e me ofereceu outras tantas - e a quem sou muito grato. Ele era coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Administração da UFRGS (CEPA). Até hoje trabalho com essa atividade. Atualmente, coordeno, junto com o professor (e grande amigo) Guilherme Três, o Instituto de Pesquisa de Mercado da Unisinos.

Docência – Comecei a atividade de professor na Pontifícia Universidade Católica (PUCRS) em 1997. Sempre tive o ideal de dar aulas na Unisinos. O nome da Unisinos sempre me soou muito forte, mesmo que eu jamais tivesse vindo ao campus alguma vez. Certa vez, apareceu um concurso, na época em que eu estava no meio do mestrado. Vim, dei uma aula experimental, que eu considerei “horrorosa”, porque estava muito nervoso. Não fui aprovado. Acho até que ninguém o foi naquela oportunidade. Terminei o mestrado e em 1999 tentei novamente ingressar na Unisinos. Em agosto daquele ano iniciei como professor aqui.

Doutorado – Faço doutorado em Administração/Marketing, mas meu foco de estudo é uma perspectiva cultural do consumo – mais especificamente sobre comida e globalização. Iniciei o curso em 2007, e de lá para cá minha vida ficou bastante tumultuada. Mesmo trabalhando 40 horas por semana, tinha que cursar várias disciplinas e fazer muitas leituras. Conciliar tudo isso é bem complicado. A vontade de fazer o curso veio para arejar meu modo de pensar, do qual eu próprio estava cansado. Planejei um doutorado sanduíche, no exterior, por um ano, na University of Southern Denmark (Syddansk University – SDU). Assim, passamos um ano na Dinamarca, em Odense, a terceira maior do país, com 180 mil habitantes, situada no centro da ilha de Funen. Chegamos em julho de 2008 e tivemos um excelente ano, por várias razões. Pude dedicar-me aos estudos e conviver numa sociedade muito bem resolvida. Penso que ali a civilização alcançou seu ápice em termos de igualdade, respeito, receptividade e justiça. O povo é muito tranquilo e informal, o que se reflete no ambiente universitário – o clima é leve e a vida pessoal é sempre priorizada. No entanto, são todos muito produtivos e competentes. O bem-estar social na Dinamarca é exemplar; paga-se muito imposto, mas esse investimento retorna em segurança, saúde, educação e igualdade. E retorna mesmo. Quebramos vários estereótipos: nem o tempo, nem o povo eram tão frios quanto pensávamos. Fizemos bons amigos nesse período.

Em alguns momentos tive uma espécie de inveja dos meus colegas na SDU: na Dinamarca o doutorado é uma profissão. As pessoas são contratadas pela universidade para fazê-lo. Ou seja, durante os três anos de doutorado, faz-se somente isso.

Juliana deixou o cargo de coordenadora jurídica de um escritório de advocacia empresarial e acreditou no nosso projeto. Fez cursos de inglês em Londres e de inglês para negócios na Irlanda. Quando retornou a Odense, fez parte do mestrado em direito internacional na SDU. Ao retornarmos ao Brasil, ela foi aprovada no primeiro processo seletivo pelo qual se interessou, e hoje trabalha como Contract Manager da Dell.

Retorno ao Brasil - Retornei à Unisinos como coordenador do Curso de Gestão para Inovação e Lideraça (GIL), atividade que me dá muito orgulho e prazer. Trata-se de um curso inovador em Administração, e o excelente desempenho dos egressos nos mostra que o sonho se tornou realidade. Aliás, saber desde a partida que teria essa possibilidade de retornar à Unisinos e ao curso foi fundamental para ter a devida tranqüilidade nessa jornada.

Lazer – Cultura popular, leitura, viagens, jogar tênis, cozinhar e apreciar vinhos. Gosto muito também de manter a proximidade (mesmo que nem sempre física) com minha família, que é a referência de sempre em todas as horas.

Sonhos – Ver todos aqueles ao meu redor vivendo bem, com saúde, sempre foi meu primeiro pedido. Neste momento, meu desejo mais particular é fazer uma boa tese, podendo manter contatos de pesquisa com diferentes professores em diferentes países.

Unisinos – É impossível esconder o orgulho que temos em trabalhar aqui, sobretudo quando analisamos o contexto em que vivemos. É uma universidade idônea, correta, que tem princípios e valores que fazem diferença. Aqui se trabalha muito, nos reinventamos a cada dia e semestre, e sabemos que trabalhamos numa Universidade de referência. É claro que essa inquietação tem seu lado mais difícil, que é o pouco tempo destinado a projetos de longo prazo, mais pessoais. Mas vamos aprendendo a equilibrar as coisas.

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