Edição 292 | 11 Mai 2009

IHU Repórter - Adriano Braun Domingos Xavier

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Márcia Junges

De funcionário da extinta Cooperpark, varrendo estacionamentos, pintando o meio-fio e esvaziando lixeiras, a Mestre de Cerimônias da Unisinos, graduado em Relações Públicas e responsável pelas formaturas na universidade. A trajetória de Adriano Braun Domingos Xavier serve como um case perfeito de determinação aos objetivos traçados. Alegre, comunicativo e realizado pessoal e profissionalmente já aos 29 anos, ele conversou com a IHU On-Line e contou um pouco mais sobre quem é, seus sonhos, o que gosta de fazer e naquilo e naqueles em quem acredita. Confira a entrevista

Novo sobrenome – Tenho 29 anos, sou casado com uma fascinante e exemplar mulher, uma pessoa muito especial, minha grande companheira, a Anelise Nunes Xavier, também funcionária da Universidade. O sobrenome Xavier é dela. Optei por adicioná-lo ao meu nome, no dia em que fazíamos a papelada no Registro Civil. Ela permaneceu com o nome igual. O celebrante do nosso casamento civil e religioso, Pe. José Ivo Follmann, ressaltou esse fato de forma bem-humorada quando casamos. Conhecemos-nos em 1998, antes de sermos colegas na Unisinos. Um mês depois de começarmos a namorar, ela fez uma seleção e foi admitida como funcionária da universidade. Eu comecei aqui em 2002.

Origens - Nasci no bairro Rio dos Sinos, em São Leopoldo. Residi até os 24 anos com meus pais. Saí de casa após o meu casamento com minha adorável esposa. Atualmente, moro em um bairro próximo da Unisinos, facilitando muito nossa vida.

Vestibular - Comecei a trabalhar com 14 anos, em uma casa lotérica, na época chamada Tabacaria Cristal. Após esta, passei por mais duas casas lotéricas, Tabacaria Central e Lotérica Trevo. Depois de um tempo, passei a idealizar e almejar ser admitido na Unisinos e cursar uma faculdade. Terminei o Ensino Médio no “Pedrinho”, à noite. Quando trabalhava na Lotérica Trevo, comecei a prestar vestibular. Cheguei a tentar os cursos de Administração de Empresas, influenciado por meu irmão Adroaldo, e depois o de Publicidade e Propaganda, mas não consegui obter aprovação. Após fazer um curso preparatório, consegui passar para Relações Públicas. Aos poucos, fui conhecendo e entendendo o que é, e o que se faz nesta profissão, apaixonando-me pelo que estava estudando. Identificava-me com os conteúdos, que condiziam com meus interesses. O problema era meu salário na lotérica, que não cobriria as despesas do curso. Meus pais, sempre grandes incentivadores e apoiadores em meus sonhos e na construção do meu ser, não possuíam condições financeiras para me auxiliar. Então, eu fazia apenas uma disciplina. Era um “turista” na Unisinos, me sentia muito distante, vindo apenas uma vez por semana para o campus.

Trajetória – Então, a Anelise, à época minha namorada, me ligou num certo dia, para meu trabalho na Lotérica Trevo, avisando que havia aberto vaga para a Cooperpark, empresa esta que cuidava dos estacionamentos da universidade antigamente. Mesmo não sendo funcionário da Unisinos, aceitar essa vaga foi uma forma de eu entrar na universidade. Eram quatro horas diárias, com um salário de R$ 200,00 e a isenção de uma disciplina na graduação. O trabalho era noturno, e por isso tive até que mudar o horário das aulas para a manhã. O primeiro dia foi muito difícil: era o tempo todo de pé, até perto das 23h, algo bem desgastante. Eu não estava acostumado com isso. Mas superei as dificuldades com o apoio dos meus pais e da família da Anelise, que não me deixaram desistir. Alguns meses depois, troquei de turno para a manhã, com 8 horas de trabalho e o salário dobrado, incluindo duas disciplinas pagas. A exato um mês antes de ocorrer a mudança de Cooperpark para empresa Safe Park assumir os estacionamentos, meu chefe, na época o Sr. Pedro Barcellos, indicou-me uma oportunidade que surgia na Unitec, com o professor Edemar de Paula, na época gerente da Unitec, para trabalhar na secretaria. Não esqueço a alegria que senti quando o setor de Recursos Humanos me ligou dizendo que eu havia sido o selecionado.

Mestre de cerimônias – Fiquei na Unitec por cerca de três anos. Conheci dezenas de pessoas pelo câmpus, de várias áreas da universidade. E foi nessa época que iniciei alguns trabalhos em formaturas, dentro do Anfiteatro Pe. Werner, como uma espécie de segurança, controlando o fluxo de público e recepção. Aproximadamente no ano de 2005, o colega Rodrigo Justos, que era responsável pelas formaturas, convidou-me para ser Mestre de Cerimônias. Eu nem sabia o que era isso. Mas ele me disse que eu tinha perfil para a função. Fiz uma capacitação com várias oficinas e tornei-me um dos Mestres de Cerimônias oficiais da Unisinos, executando formaturas e outros eventos. De lá para cá, continuo nessa atividade. No primeiro evento que atuei, eu nem acreditava. Estava compondo a mesa, ao lado do reitor e de outras autoridades. Um pequeno filme se passou na minha cabeça: lembrei de quando eu trabalhava na lotérica, depois nos estacionamentos, varrendo chão, pintando cordões e limpando lixeiras. Tenho orgulho disso.

Sempre em busca do crescimento pessoal e profissional, aliando o objetivo de podendo colaborar cada vez mais com a Universidade, saí da Unitec e fui para o setor de Registros Acadêmicos, onde conheci o Sr. Eusébio Schneider, onde assumi uma função no atendimento ao público estudantil. A este gestor, tenho eterna gratidão por seu incentivo ontem e hoje. Ele foi quem confiou e me auxiliou desde o início, foi um exímio professor em minha vida, contribuindo muito para o meu crescimento pessoal e profissional. É uma pessoa muito humana, bondosa. Ele cuida dos seus funcionários e preza por eles. Ajuda-os a crescer. Não posso, aqui, deixar de mencionar, os grandes amigos que fiz neste setor, pessoas importantes que marcaram e ainda marcam minha vida, com suas belas e singelas amizades.

Formatura - Em 8 de agosto de 2008, formei-me como Relações Públicas. Recebi, então, o convite do Prof. MS Carlos Alberto de Oliveira Cruz, Gerente da Gerência de Assuntos Estudantis, para assumir a função de responsável pelas formaturas da universidade. Eu me perguntava se aquilo estava mesmo acontecendo. Questionei-me se eu tinha capacidade para isso. E assim, no dia 11 de agosto, três dias após minha formatura, assumi o novo cargo.

MBA e Filhos – Minha próxima meta é cursar um MBA, talvez o MBA em Administração da Tecnologia da Informação, o que acredito que irá me qualificar mais para minhas tarefas e aprimorar os meus conhecimentos, podendo assim contribuir ainda muito mais para a Universidade. Tenho uma enorme vontade de ser pai, mas este ainda não é o momento. Precisamos ter mais estrutura para oferecer ao bebê. Ter um filho hoje implica em poder criá-lo com condições apropriadas, pois este nosso mundo está tão “às avessas”!

Esportes – Gosto de atividades físicas, e agora estou retomando essa prática. Jogo futebol de salão todos os sábados, com um grupo de amigos, e gosto de andar de bicicleta, às vezes jogo vôlei com alguns colegas aqui da Universidade, no Complexo de Esportes do câmpus.

Música – Meu maior passatempo é a música. Adoro todos os tipos. Cheguei até a ser um DJ amador, digamos. Na família da Anelise sou conhecido como DJ, por alguns. Eles adoram festas e possuem um equipamento legal e apropriado, com o qual em algumas vezes coloco som.

Família e fé – Sou luterano de casa. Depois do casamento, tornei-me católico. A tradição jesuíta sempre me chamou muita atenção. Não sou muito de ir à igreja, mas quando posso sempre vou com a minha esposa. Acredito em Deus e rezo para ele, lá no meu cantinho, em casa. Creio que sou muito abençoado por tudo o que vivi e conquistei até aqui. Sinto-me vitorioso em relação à minha vida. Minha família é o pilar desse sentimento: meu pai, Sr. Pedro Custódio Domingos, e minha mãe, Elena Braun Domingos, são minha fonte de inspiração e perseverança. Sou o que sou hoje graças a todos os esforços e dedicação deles despendidos a mim e a meu irmão. Meu irmão, Adroaldo Braun Domingos, um grande amigo e companheiro, meu confidente. Considero a família da Anelise como minha segunda família. Minha sogra, Dona Maria em especial, é uma pessoa maravilhosa, sem igual, minha segunda mãe de verdade. Meu sogro, Sr. Osmar também é ótimo. Não posso deixar de comentar também sobre a cunhada de minha esposa, a Débora Becker Antunes Xavier, pessoa de grande influência em vários momentos de minha trajetória e também seu esposo, meu cunhado Alan Nunes Xavier, grande companheiro e amigo. Mas minha sogra e a avó da Anelise, Dona Celita, são únicas, pessoas que não medem esforços para me apoiar.

Política – Como adoro lidar com pessoas, cheguei a cogitar em ser vereador. Mas não levei a ideia adiante. Quanto à política em nível macro, estou decepcionado. Isso que estamos vendo e vivenciando no dia-a-dia é absolutamente vergonhoso. Às vezes, penso em anular meu voto, ou votar em branco. Mas, se eu fizer isso, estarei corroborando esse estado em que estão as coisas, crise, corrupção, roubo, fraude. E com isso não posso concordar. Meu voto continua sendo meu instrumento de mudança social.

IHU – Fui aluno da Prof.ª Vera Schmitz no curso de RP, e através dela pude conhecer melhor o IHU. É um trabalho fascinante, que desperta constante pensamento crítico em nós, seu público.

Unisinos – Visto a camiseta da Unisinos. Cresci aqui, me desenvolvi como pessoa e profissional. Sou um filho desta casa. Sinto-me orgulhoso por ser um funcionário da universidade. Vejo-me como um integrante do projeto Unisinos, e por isso me sinto importante. É uma instituição honesta, que busca de verdade o crescimento e o desenvolvimento dos seus alunos e sociedade em que atua.

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