Edição 291 | 04 Mai 2009

Editorial

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IHU Online

O mundo do trabalho e a crise sistêmica do capitalismo globalizado

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) publicou recentemente o relatório “Global Employment Trends”, estimando que a recessão global pode gerar em 2009, um contingente adicional de desempregados entre 18 milhões e 30 milhões de pessoas, mas esse número pode chegar a 50 milhões caso o quadro continue se deteriorando. No caso da América Latina e do Caribe, a estimativa é de que os desempregados poderão variar entre 2 milhões e 4 milhões de trabalhadores.

Depois de ter tratado, em várias edições anteriores, a crise sistêmica do capitalismo flexível, financeirizado e global, nesta edição a IHU On-Line busca descrever o seu impacto sobre o mundo do trabalho. Giuseppe Cocco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Waldir Quadros e Dari Krein, da Unicamp, Clemente Ganz Lúcio, diretor-técnico do Dieese, Cesar Sanson, pesquisador do Centro de Pesquisa e Apoio aos Trabalhadores – CEPAT, Marcelo Ribeiro, da USP, Alain Lipietz, deputado europeu, Dominique Méda, do Centro de Estudos do Emprego da França, e Thomas Coutrot, economista francês, contribuem na análise e reflexão do tema de capa desta semana.

Completam esta edição, duas entrevistas. Uma com o ecólogo gaúcho Felipe Amaral, sobre uma recente pesquisa que aponta o Rio Grande do Sul como o estado de maior vocação agrícola para o plantio de cana-de-açúcar. Outra com Reyes Mate, filósofo espanhol, sobre a memória e a justiça das vítimas.

A todas e todos uma ótima leitura e uma excelente semana!


ERRATA:

Na última edição da IHU On-Line, número 290, de 20-04-2009, foi suprimido um trecho importante da quarta resposta da entrevista com Patricia Fagundes, sobre o tema da liderança e da gestão de grupos. O corte, realizado na página 33, por motivo de edição, acabou alterando o sentido do que a entrevistada quis dizer. A íntegra da resposta está disponível em www.unisinos.br/ihu nas versões da revista em HTML, PDF e FLASH e a seguir.

IHU On-Line - Liderança não é, portanto, apenas uma qualidade que a priori certas pessoas têm e que pode ser mensurada? A capacidade de liderar depende do quê?

Patrícia Fagundes - Ao analisarmos as quatro abordagens teóricas clássicas sobre liderança, podemos observar que todas convergem quanto a um pressuposto de liderança: o líder é um indivíduo diferente dos liderados, que são iguais entre si, e que ocupa um lugar legitimado e com maior poder conferido pela estrutura hierárquica da organização. As diferenças entre tais abordagens centram-se na forma como esse líder se apropriará do lugar de poder, qual característica de comportamento deverá privilegiar para seu desenvolvimento e de que forma irá envolver seus liderados. Resguardadas as variações, em relação à ênfase na relação entre líder e liderados, a maior ou menor amplitude na consideração aos aspectos contingenciais, há, unanimemente, um pressuposto radial dominante na compreensão da liderança. É necessário, portanto, a discussão dos pressupostos filosóficos, sociológicos, psicológicos que tendem a colocar na centralidade do tema liderança o indivíduo-líder, mesmo quando considera os liderados e a situação que os envolve. Nossa proposta, ao sublinhar essa perspectiva coletiva do exercício da liderança, é de compreendê-la de forma processual, contextual e epistêmica, sobretudo ao situá-la no ambiente intraorganizacional. Nesse ambiente, por mais que haja um lugar de poder hierárquico superior a todos, como por exemplo, de um presidente, facilmente verificamos um conjunto de indivíduos-líderes, com maior ou menor poder outorgado que, no exercício de seus ofícios, inevitavelmente tecem uma rede interdependente por onde a liderança se consolida como produto e processo coletivo. 

Ou seja, a capacidade de liderar depende do contexto na qual é exercida e das inter-relações que se estabelecem, não apenas entre líder e liderados, mas entre todos os atores que interagem na organização e compartilham a sua cultura, o planejamento estratégico da empresa e demais fatores organizacionais e sociais que permeiam esse cenário: líder-liderados, liderados-liderados, líder-líderes (pares e superiores hierárquicos). É nesse movimento de interações entre os atores que tecem a rede organizacional que a liderança produz e é produzida. Portanto, embora as qualidades do indivíduo-líder seja uma das variáveis que atravessa a relação de liderança, não é a única ou a determinante neste processo de inter-relação.

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