Edição 290 | 20 Abril 2009

IHU Repórter - Robert Thieme

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Patricia Fachin

Mergulhado no mundo das artes e da cultura, Robert Thieme está sempre em busca do inusitado. Dinâmico, o jovem publicitário gosta de produções independentes e adora navegar no universo do YouTube, em busca de vídeos que estão fora do circuito. Nesta semana, a IHU On-Line foi até a AgexCom, conhecer um pouco dessa história. Confira.

Sou uma pessoa com muitas peculiaridades. Nunca chego “abalando” nos eventos, demoro a me entrosar com as pessoas – tenho um jeito mais reservado de ser -, mas, depois do primeiro contato, se tenho uma afinidade, geralmente construo amizades duradouras.

Tenho 28 anos, nasci em Ivoti e morei lá até concluir o Segundo Grau, no Instituto de Educação Ivoti. Depois, vim morar em São Leopoldo, fui para Montenegro, voltei para o Vale do Sinos e agora moro novamente em Ivoti por opção, pois gosto muito da cidade. Meu pai, Norberto Thieme, é publicitário aposentado, e minha mãe, Marli Thieme, é professora aposentada. Meu irmão mais novo, Edward, trabalha com Design. Não sou casado, mas tenho uma união estável. Há cinco anos, namoro com a Shaístha e há três anos estamos morando juntos.

Amor pela arte

Durante a infância, na escola, sempre fui muito incentivado a trabalhar com artes. Tive, desde pequeno, muito contato com diversas formas de expressão como teatro, música, criação. Acabei então, optando por cursar Publicidade. Meu pai, por trabalhar na área, se sentia um pouco pressionado pelo fato de meu irmão e eu seguirmos a carreira dele. Mas a escolha pelo curso está muito mais relacionada a minha vivência da infância do que ao trabalho do meu pai.

Experiência profissional

Após cursar Magistério no Segundo Grau, fiz estágio na área durante um ano. Enquanto me dedicava a esse estágio, ainda não tinha interesse em ingressar na universidade. Nessa época, fazia parte da equipe de atletismo da escola, e participei, junto com meus colegas, de uma competição na Unisinos. O grupo vencedor ganhava como prêmio inscrições para o vestibular, e minha equipe venceu. Assim, acabei me matriculando no curso de Publicidade.

Quando terminei o estágio de magistério, alguns amigos vieram morar em São Leopoldo e falei para os meus pais que também queria mudar para a cidade. Eles fizeram a seguinte proposta: “Você pode ir, mas nós vamos te sustentar por apenas seis meses. Se nesse tempo você não conseguir um emprego, voltará para casa”. Então, tive apenas esses meses para arrumar alguma coisa. Meu primeiro trabalho com carteira assinada foi no Hotel Suarez, onde era recepcionista e, por força da função, carregador de malas. Depois de um ano, senti que precisava trabalhar na minha área. Fiz um estágio na agência Alphaville, em Ivoti, durante dois anos. Depois, retornei a São Leopoldo, onde trabalhei no Colégio Sinodal, na área de multimídia. Mais tarde, fui para uma agência na cidade de Montenegro. Lá, fiquei por mais um ano, até que surgiu a oportunidade de trabalhar na universidade. Como sempre tive muita ligação com a área cultural e participava do Coral Unisinos, fui convidado a trabalhar no antigo departamento cultural da universidade: mais especificamente com o arquivo musical e a montagem dos concertos da Orquestra Unisinos.  Depois, migrei para o setor acervos e coleções, envolvendo-me com a catalogação de objetos históricos e a organização de alguns dos museus da universidade. Mais tarde, surgiu a oportunidade de trabalhar na AgexCom. Durante todo este tempo, realizei trabalhos na área de comunicação e publicidade, atuando como freelance. 

Trabalho na AgexCom

Em agosto de 2008, concluí o curso de Publicidade e Propaganda, e desde janeiro do mesmo ano, trabalho na AgexCom orientando os alunos na produção publicitária, juntamente  com o professor Ângelo Cruz, que é o coordenador da área de PP. Como terminei o curso há pouco tempo - depois de nove anos e meio de estudos -, consigo compreender alguns anseios dos estagiários, pois são os mesmos que eu tinha na época de estudante. Então, fica muito mais fácil fazer esse link entre o mundo profissional e o mundo acadêmico. Gosto muito de ser publicitário pelo fato de este não ser um trabalho repetitivo; pelo contrário, sempre aparecem novos desafios. Também gosto de me comunicar com as pessoas, de fazer e receber comunicação. O fato de trabalhar com mais liberdade, inovar e criar coisas novas, me fascina.

Trabalho voluntário

Depois que o departamento cultural da universidade foi fechado, procurei manter a ideia daquele projeto na minha vida pessoal. Procuro desenvolver algumas atividades culturais em Ivoti. Atualmente, sou presidente da Associação de Desenvolvimento Cultural de Ivoti (ADECI). Quando saí da escola, como vivia num mundo fervilhante de cultura e artes, quase entrei em depressão porque percebi que o mundo real não é assim. Eu estava ficando mal com isso, e me perguntei: “Se o mundo não é assim, por que a gente não o faz ser assim?”. Desde aquela época, se as coisas não acontecem, faço acontecer. Para mim, é muito importante estar sempre ligado a algum evento cultural, não só no sentido de ler um livro ou assistir um filme, mas sim de participar.

Lazer

Gosto muito de filmes. Não vou tanto ao cinema - gostaria de ter mais tempo -, mas assisto bastante a DVDs e procuro documentários diferentes no YouTube; prefiro produções que estão fora do circuito. Gosto de ler muito, e entre os livros que li nos últimos tempos cito Chatô, o rei do Brasil, de Fernando Morais, que conta a vida de Assis Chateubriand, fundador dos Diários Associados. Também adoro sair com meus amigos, conversar, fazer churrasco no final de semana. Sou colorado, sócio do Internacional, e sempre que posso vou aos jogos. Em se tratando de música, aprecio blues e essa é uma influência do meu pai. Como ele ouvia, passei boa parte da minha infância acompanhando. Também gosto de música clássica – toquei violino durante cinco anos, na adolescência.

Animais de estimação

Adoro gatos. Desde criança sempre tive vários na minha casa. Hoje, tenho dois e sou muito ligado a eles. Também gosto de cachorros, mas, como passo o dia fora de casa, acabei optando pelos gatos, que são mais independentes.

Vida

Antigamente, as pessoas tinham uma vida pronta ao nascerem: infância, adolescência, casamento, filhos. Tudo era programado. Hoje, a vida é bastante diferente, e, com o dinamismo atual, penso que aquele modelo de vida não cabe mais. Adolescência hoje pode ir até os 40 anos, e as pessoas precisam aprender a lidar com essa constante mudança. Entre minhas preocupações a respeito da vida, questiono a forma como lidamos com os recursos naturais do Planeta. Estamos chegando num ponto em que nossas atitudes podem fazer mal a vida humana, por isso procuro ter atitudes pertinentes para manter uma vida mais sustentável.

Sonho

Tenho a pretensão de ter filhos, e constantemente penso como vou lidar com eles, quais ensinamentos vou transmitir. No âmbito profissional, ainda pretendo elaborar um trabalho relacionado a cinema. Também tenho planos de ser professor universitário, e ministrar aulas no curso de Publicidade e Propaganda.

Religião

Fui batizado na Igreja Luterana, mas tenho um lado espiritual independente de religiões.

Política

Na minha adolescência, não gostava de política e pensava em votar sempre em branco. Mas, a partir do momento em que passei a votar, comecei a prestar mais atenção na política. Gosto mais da discussão política do que o “fazer política”, por isso acho que nunca vou me filiar a um determinado partido.

Unisinos

Desde a época da escola, quando participava de atividades na universidade, sempre me senti muito bem no câmpus. Mesmo prestando o vestibular sem programar, pensava em estudar na Unisinos. Percebo na instituição um ambiente favorável para a troca de conhecimento. Receber o convite para trabalhar na Unisinos foi uma das coisas mais importantes que aconteceram na minha vida, porque tenho um afeto pela universidade e gosto de estar colaborando com essa instituição.

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