Edição 282 | 17 Novembro 2008

Quem foi Gerard Manley Hopkins

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André Dick

Stratford, 28 de julho de 1844 — Dublin, 8 de junho de 1889

Gerard Manley Hopkins foi padre jesuíta e um dos maiores poetas da literatura inglesa. Seu maior poema foi “The wreck of the Deutschland” (“O naufrágio do Deutschland”) (1875). Segundo Augusto de Campos, ele “foi um inventor, e dos maiores, dentre aqueles que, ao longo dos tempos, à margem da margem, revolucionaram a linguagem poética”, levando “o verso a um grau de radicalização sintático-semântica só comparável ao dos mais ousados simbolistas franceses. Torceu a sintaxe em construções e inflexões inusitadas, criou neologismos e compósitos vocabulares sem precedentes, e inovou a métrica e o ritmo, até chegar à disciplina livre do seu sprung rhythm (ritmo saltado ou saltante). Remontando às origens da tradição anglo-saxônica e galesa, reabilitou a aliteração, a assonância e a paronomásia, erigindo tais recursos estilísticos em fatores privilegiados da estruturação do texto”. Para o crítico literário Mário Faustino, Hopkins “chega, em seus diários, cartas e poemas, a toda uma teoria do conhecimento poético e a toda uma química verbal”. E ainda diz: “Qualquer teoria da metáfora encontrará em Hopkins os exhibits ideais: em raros poetas estarão as valências, sobretudo lógicas e auditivas, da palavra, tão intimamente relacionadas como na poesia desse pesquisador contaminado, ao mesmo tempo, pelo espírito cientificista do século XIX e pelo misticismo católico (um misticismo realista, prático, no caso jesuítico de Hopkins) de todos os tempos. Poucos poetas de nossa ou de qualquer época trabalharam tanto entre as retortas e provetas da etimologia, da semântica, do autoconhecimento e do cosmoconhecimento por meio do verbo”. Augusto de Campos, por sua vez, lembra que “Hopkins não conheceu a fama em vida. (...) só teve a sua obra divulgada em livro postumamente, a partir de 1918, pelo também poeta e amigo Robert Bridges, que não chegou, porém, a compreendê-la, tendendo a tomar por defeitos estilísticos as principais inovações do seu interlocutor”.

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