Edição 275 | 29 Setembro 2008

IHU Repórter - Fabrizio Camerini

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Bruna Quadros e Greyve Vargas

Professor, advogado empresarial e pai de família. Este é Fabrizio Camerini, professor da Unisinos no curso de Direito. Com mestrado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ele traz uma bagagem que ultrapassa os limites da academia. Aos 34 anos de idade, a responsabilidade e o comprometimento com a carreira e a família são traços fortes de sua personalidade. Ao visitar a redação da revista IHU On-Line, na última semana, para relatar sua trajetória de vida, ele contou que sua relação com a Unisinos não se limita apenas à condição de aluno ou de professor. Foi na universidade que ele conheceu Gabriela Mezzanotti, também professora da instituição, que, hoje, é sua esposa e mãe dos seus dois filhos: Eduardo e Fernando Mezzanotti-Camerini. Acompanhe, a seguir, a história de Fabrizio:

 

Origens - Nasci em Novo Hamburgo, em 14 de setembro de 1974. Tenho um irmão, três anos mais velho do que eu, que hoje mora nos Estados Unidos. Crescemos brincando muito juntos e sempre fomos bem parceiros. Nossos pais foram casados até a nossa adolescência. Separaram-se quando já éramos adultos. A família do meu avô paterno veio da Itália. Do lado da minha mãe, metade é italiana e metade alemã. Meu avô paterno teve 16 filhos. Eu tenho 35 primos por parte de pai. Do lado da minha mãe, a família é menor, só ela e um irmão.

Infância - A infância foi muito tranqüila, com bastante convívio familiar. Lembro-me de que viajávamos muito, porque meu pai viajava a trabalho e, às vezes, íamos junto. Desde cedo, tive que aprender a falar inglês, o que me ajudou muito para o meu desenvolvimento profissional e carreira acadêmica.

Estudos - Estudei em Novo Hamburgo, na Instituição Evangélica, o colégio mais destacado da cidade. Depois do segundo grau, fui para a Inglaterra, onde morei durante seis meses. Antes de retornar, fiz um giro pela Europa. Quando voltei, fiz o vestibular, sem estudar nada, e fui muito bem. Formei-me em 1997 na Unisinos. Em 1998, fiz um pós em Direito Internacional na UFRGS.

Formação e carreira - Desde 1997, exerço a advocacia em escritório próprio, no ramo do Direito Empresarial, com empresas de grande porte. Uma advocacia que, no mercado, se considera mais artesanal, com poucos clientes, processos muito grandes e poucos advogados. Sempre conciliei a carreira acadêmica com a advocacia. Em 2000, ano em que me casei com a Gabriela, também professora da Unisinos, ingressei no mestrado da UFRGS, em Direito. Em 2005, terminei o mestrado. Minha dissertação virou livro: Teoria Geral da Tutela Mandamental. Recentemente, em função desse contato muito forte que sempre tive com empresas e causas muito grandes, fui convidado por uma multinacional norueguesa, com sede em Porto Alegre, para assumir o setor do contencioso tributário da empresa.

Visão profissional - Vida profissional não é tudo, mas não podemos desperdiçar as oportunidades. Vejo minha carreira como um sucesso em vários aspectos. Não acho que eu seja uma pessoa de sorte, mas a sorte aparece para quem busca as oportunidades. Hoje em dia, não adianta só ter uma carreira acadêmica. Tem muita gente com doutorado e sem emprego. Além da formação, temos que saber nos relacionar. Sendo uma pessoa de boa conduta pessoal e profissional, além de ser um profissional qualificado na academia e na prática as portas se abrem.

Mundo jurídico - O Direito tem excelentes oportunidades, mas, também, muitas dificuldades na carreira. Tem prós e contras em todas as carreiras que a gente possa escolher. Carreiras públicas, por exemplo, são muito interessantes, com cargos muito bons. Às vezes, não importa só uma boa remuneração, porque o dinheiro pode ser bom, mas a pessoa tem de estar feliz com o seu trabalho. Entre as dificuldades, estão a concorrência do concurso, que é muito grande, e o alto número de candidatos por vaga. Por outro lado, a possibilidade de ser promovido também existe. Na advocacia, há mercados excelentes que vão remunerar bem e trazer satisfação, mas têm competitividade, problemas de relacionamento com colegas e problemas de classe que a Ordem dos Advogados ainda tenta resolver.

Família - Tenho dois filhos: o Eduardo, de 4 anos, e o Fernando, que tem um mês de vida. Minha esposa também é professora aqui, na área do Direito Internacional. Somos uma família muito unida. Vivemos para nós. O Eduardo é uma criança muito apegada aos pais. Minha esposa e eu gostamos muito de conversar sobre Direito e Filosofia, assuntos dos quais a gente trata no nosso dia-a-dia profissional.

Lazer - Gostamos muito de viajar, ir para a praia ou para a serra gaúcha. Também costumamos ir de carro para o Uruguai e ir para os Estados Unidos visitar o meu irmão. A coisa que mais gostamos de fazer é viajar e esse valor a gente já passa para o Eduardo, para que ele cresça com a idéia de ser um cidadão do mundo, de saber se comportar em qualquer lugar, porque, assim, ele vai sempre ter a postura adequada.

Planos - No plano profissional, estou iniciando uma fase nova, que é a de assumir um departamento jurídico de uma grande empresa, que atua em todos os continentes. Neste sentido, meu plano é crescer dentro desta estrutura, trazendo benefícios para a empresa, que é líder mundial no seu segmento. Também pretendo fazer doutorado. No plano pessoal, ainda não decidimos se queremos ter mais um filho. A certeza é de que queremos criar os nossos filhos da melhor forma possível, de acordo com as nossas condições.

Sonho - Hoje, o meu sonho é proporcionar para os meus filhos uma formação sólida, do ponto de vista humano. Além de vê-los crescendo em uma sociedade com menos riscos, violência e desigualdade social.

Música – Sou fã do Elvis Presley e gosto de praticamente todas as músicas dele, especialmente “Trouble”.

Filme – O clube do Imperador, com Kevin Klein, e direção de Michael Hoffman, com o qual me identifiquei muito como professor e como pai.

Felicidade – O nascimento dos meus filhos.

Tristeza – A morte da minha avó.

Unisinos – É muito peculiar o fato de lecionar aqui, porque me formei aqui, assim como meus pais. Conheci minha esposa aqui. Muitas coisas importantes da minha vida estão na Unisinos. Já lecionei em outros lugares, mas é diferente, voltar ao lugar onde me formei. Lembro-me da primeira vez que cheguei como professor no bar onde conheci minha esposa. Também recordo de encontrar o Padre Bruno,  quando andava pelo prédio redondo. Minha esposa foi bolsista dele, e sentimos muito, quando ele faleceu. Ir para a Unisinos é mais que dar uma aula. Cada vez que eu passo pelos corredores, lembro de alguma coisa que já vivi. Hoje, dou aula em uma sala onde estudei com a minha esposa, quando começamos a namorar.

Últimas edições

  • Edição 539

    Do ethos ao business em tempos de “Future-se”

    Ver edição
  • Edição 538

    Grande Sertão: Veredas. Travessias

    Ver edição
  • Edição 537

    A fagocitose do capital e as possibilidades de uma economia que faz viver e não mata

    Ver edição