Edição 274 | 22 Setembro 2008

IHU Repórter - Ana Cristina Rodrigues

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Bruna Quadros

Foi ainda na infância que Ana Cristina Rodrigues experimentou o gosto da leitura. E o incentivo veio de dentro de casa. “Minha mãe passou a trabalhar com venda de livros e enciclopédias. Ela sabia vender muito bem e acabou me vendendo essa idéia da leitura, do estudo.” Assim, Ana cresceu com a idéia fixa de propagar o conhecimento. Professora desde os 17 anos, ela se formou em Pedagogia e, recentemente, realizou um dos seus maiores sonhos: concluiu o doutorado. De origem em uma família simples, Ana cresceu com valores que a ensinaram a perseguir as melhores perspectivas de vida. Durante a entrevista à revista IHU On-Line, ela lamentou que o atual governo não esteja contribuindo para que o povo brasileiro tenha ânimo para persistir. “O maior pecado não é a crise do mercado financeiro, e a corrupção mata, aos poucos, a esperança.” Acompanhe, a seguir, os relatos de vida desta professora que, desde 2001, integra a docência da Unisinos, no curso de Pedagogia.

 

Origens – Nasci em Bagé, no interior do estado. A lembrança que tenho da profissão dos meus pais na infância era do meu pai caminhoneiro e minha mãe funcionária pública em um centro de saúde em Bagé. Tenho duas irmãs mais velhas. Estou com 39 anos. Até hoje, nós somos muito amigas. Minhas melhores amigas são as minhas irmãs, Susi e Greice.

Valores – A família sempre foi o nosso esteio. Meus pais nos ensinaram a lutar pelos nossos ideais, perseguir os sonhos que a gente tem e a manter a união da família. Isso é muito forte para nós até hoje. Se alguém da família precisar de ajuda, todos estão sempre prontos.

Infância – Tenho uma lembrança forte que é a minha experiência com a escola, o que me levou a ser professora. Estudei a vida inteira na mesma escola, a 1º de Maio, em Porto Alegre. Quando eu estava com cinco anos de idade, nos mudamos para Porto Alegre, porque a cidade de Bagé estava ficando fora das relações de trabalho. Minha mãe sonhava em ir morar na capital para ter uma outra perspectiva de vida.

Estudos – Minha relação com os estudos sempre foi muito forte, o que se remete aos valores da família. Meus pais chegaram a iniciar um curso superior, mas não concluíram. Eu conheci a Unisinos, quando ia para a universidade com a minha mãe. Quando fomos morar em Porto Alegre, minha mãe passou a trabalhar com venda de livros e enciclopédias. Ela sabia vender muito bem e acabou me vendendo essa idéia da leitura, do estudo.

Formação superior – Sempre gostei muito do trabalho de supervisão escolar e da área da linguagem. Cursei até o 6º semestre do curso de Letras, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Na época, eu estava com 17 anos e comecei a trabalhar com os jesuítas, dando aulas no Colégio Anchieta, em Porto Alegre. Mas percebi que era da área de Pedagogia que eu gostava mais e troquei de curso. Depois de formada, fiz um curso de especialização em Psicopedagogia Clínica, na PUC-RS, fiz mestrado em Educação e acabo de concluir o doutorado em Educação, na área de Educação Básica e Exclusão Social, pela Unisinos.

Unisinos – Entrei na universidade como professora em 2001 e gosto muito de trabalhar na instituição. Passamos por algumas modificações ao longo dos anos, mas que fazem parte do processo. Tenho uma identificação muito grande com a universidade e com a própria filosofia jesuíta. Trabalhei na Feevale e na Universidade de Santa Cruz do Sul, antes de ingressar na Unisinos, o que era uma das minhas metas. Desde 2004, coordeno um curso de especialização, que se chamava primeiro Alfabetização e Supervisão Escolar e atualmente se chama Curso de Especialização em Gestão na Escola, além das aulas na graduação. Paralelo à Unisinos, sou professora da rede municipal de ensino em Porto Alegre.

Família – Ainda moro em Porto Alegre. Tenho dois filhos: a Mariana, 5 anos, e o Arthur, 8. Há dois anos, me separei. A família é o meu equilíbrio. Aprendo muito com os meus filhos. Mesmo com toda a carga de trabalho, não deixo de ir ao cinema, à pracinha ou de brincar com eles.

Livro – As leituras de cunho espiritual são muito significativas para mim. Um dos livros que é minha referência é Alegria e triunfo, de Lourenço Prado.

Religiosidade – Na minha família, sempre tivemos a liberdade de escolher o que caminho que quiséssemos. Das minhas irmãs, apenas eu fiz a primeira comunhão, a crisma e casei na Igreja Católica. Mas, atualmente, sigo as orientações da doutrina espírita.

Filme O ponto de mutação, de Fritjof Capra, e O nome da rosa, de Jean-Jacques Annaud.

Sonho – Já realizei muitos sonhos, como o de concluir o doutorado. Meu grande sonho é viver a felicidade, paz e harmonia entre as pessoas. Como todo o idealista, tenho o sonho de ver mais justiça e de não perder a esperança. Lutamos muito para ter uma mudança política, uma mudança histórica. E, quando vemos um governo como o de hoje, vejo que o maior pecado não é a crise do mercado financeiro, e a corrupção mata, aos poucos, a esperança.

Política brasileira – Houve pequenos avanços. Mas vejo que o governo atual é uma promessa não cumprida, do ponto de vista da possibilidade de fazer algo de diferente. Parece que a única competência do governo Lula foi manter propostas pensadas e planejadas previamente. Não há nada de novo, principalmente no campo da educação, que é o que conheço mais.

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