Edição 273 | 15 Setembro 2008

Editorial

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IHU Online

Juventude. O idêntico e o diferente

A juventude é sempre o idêntico e o diferente”, afirma Hilário Dick, pesquisador e que já há 35 anos trabalha com jovens de todos os recantos do Brasil.Descrever a juventude atual na sua identidade e diferença é o que fazem os pesquisadores e as pesquisadoras entrevistadas pela IHU On-Line desta semana.

Preocupados com o futuro e todas as atividades que precisam desenvolver até alcançar ‘o sucesso’, os jovens “estão amedrontados”, e temem não conseguir “encontrar um lugar no mundo adulto”, avalia Mário Corso, psicanalista gaúcho.

Para a socióloga Maria Isabel Mendes de Almeida, pró-reitora de pós-graduação e pesquisa na Universidade Candido Mendes (UCAM), a juventude é autônoma, criativa, mas muito dependente dos pais. Agente do seu próprio destino, o jovem “é muito mais atento a enquadrar-se numa situação do que efetivamente questionar-se”, afirma a pesquisadora.

Nessa busca por conquistas pessoais, as reivindicações universitárias perdem espaço entre as discussões da juventude. Os universitários que lutam por um ensino mais qualificado, são estudantes de “cursos menos prestigiados e em crescente precarização”, e que provavelmente “ocuparão postos de trabalho menos prestigiosos e menos bem pagos”, avalia Luís Groppo, sociólogo do Centro Universitário Salesiano, de São Paulo. A má qualidade no ensino tem gerado uma preocupação maior, que assusta os graduados recém-formados: a falta de vaga no mercado de trabalho. Embora as pesquisas apontem o jovem brasileiro entre os mais felizes e esperançosos do mundo, o sociólogo Juarez Tarcisio Dayrell, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), avalia que as perspectivas de futuro dos jovens, principalmente entre os menos favorecidos, ainda são limitadas. Para ele, “o emprego juvenil é um desafio que o país precisa enfrentar, porque coloca limites às perspectivas de futuro do jovem”.

As igrejas, em contrapartida, ganharam mais destaque entre a juventude do século XXI. Para driblar seus medos, e vivenciar uma experiência sagrada “que lhes dê sentido à vida”, os jovens se sente mais animados a seguir uma religião, diz Lourival Rodrigues da Silva, coordenador da pós-graduação em Adolescência e juventude no mundo contemporâneo, do projeto da Rede Brasileira/Faje.  Para Karina Bellotti, especialista em religião, o público juvenil está em busca de “um porto seguro”, quer estabilidade, um espaço para se engajar em projetos, e desejam se sentir importantes.

Por sua vez, a antropóloga Vanessa Andrade Pereira, professora da Escola Superior de Propaganda e Marketing, de Porto Alegre, descreve a lan house como um espaço de sociabilidade dos jovens da periferia.

“A Igreja Católica está com ‘as veias abertas’ – perde em quantidade numérica e em qualidade. Aumenta o ‘sufoco’ intra-eclesial. Como quem estivesse com a cabeça dentro de um saco plástico: falta o ar e sofre alucinações”, constata José Marins, teólogo brasileiro, que com sua equipe, há décadas se dedica a fundar Comunidades Eclesiais de Base pelo mundo afora, visitando-as periodicamente. De passagem pelo Brasil, antes de partir para uma nova jornada na Ásia, ele concedeu a entrevista publicada nesta edição.

Cláudio Nunes de Morais, poeta mineiro, dialoga com o título de um poema de Murilo Mendes, “A lua de Ouro Preto”, presente no livro Contemplação de Ouro Preto, na poema publicado nesta edição.

A todos e todas uma ótima leitura e uma excelente semana!

BAÚ DA IHU ON-LINE 

A IHU On-Line já produziu outros números especiais sobre a temática da juventude. Confira as edições na nossa página eletrônica www.unisinos.br/ihuonline.

• Culturas Jovens: Nômades em um mundo em fluxo. Edição 71, de 18-08-2003;

• Jovens, violência e mídia: construções de significados. Edição 82, de 03-11-2003;

• Culturas jovens. Edição 208, de 11-12-2006.

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