Edição 272 | 08 Setembro 2008

Luta pela igualdade: um discurso ultrapassado?

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

Greyce Vargas, Márcia Junges e Patricia Fachin

Ao analisar o cenário europeu, a assistente social portuguesa Aida Ferreira diz que os imigrantes ilegais são os principais atores das alterações do mundo do trabalho. Segundo ela, a “mão-de-obra dos imigrantes do Leste, por exemplo, é muito mais qualificada e disciplinada que a dos portugueses. Assim, eles geram mais lucros, além de trabalharem por qualquer preço, sem exigências e assessoramento de sindicatos”.

Ao analisar o cenário europeu, a assistente social portuguesa Aida Ferreira diz que os imigrantes ilegais são os principais atores das alterações do mundo do trabalho. Segundo ela, a “mão-de-obra dos imigrantes do Leste, por exemplo, é muito mais qualificada e disciplinada que a dos portugueses. Assim, eles geram mais lucros, além de trabalharem por qualquer preço, sem exigências e assessoramento de sindicatos”. Em visita ao Instituto Humanitas Unisinos – IHU, a pesquisadora conversou com a equipe da IHU On-Line. Nessa oportunidade ela comentou as transformações ocorridas no mundo do trabalho e o ingresso das mulheres nesse novo cenário. “A mulher adquiriu determinadas qualidades de relação, paciência, simpatia, as quais são úteis ao capital para o exercício de uma profissão”, considera. 

Em sua análise, em termos gerais, o desemprego aumentou na Europa, assim como o desemprego de longa duração. “Isso tem gerado um avanço da exclusão social, e os trabalhadores estão sendo afastados dos centros de trabalho, porque esse sofreu uma grande transformação”. Ferreira explica que, a partir dos anos 1980, análises deram conta das transformações do mundo do trabalho. Essas transformações “têm uma relação com o trabalho científico, digital, em que as máquinas substituem os homens. Isso tem provocado uma exclusão das pessoas menos preparadas ou daquelas que têm profissões tradicionais”. Nessa conjuntura, não existem mais as fábricas dos séculos XIX e XX. Hoje, o trabalho exige uma outra preparação, que assenta muito nas relações humanas.

Ela avalia, também, a atuação do assistente social no mundo contemporâneo e afirma que esses profissionais precisam atuar com mais entusiasmo na constituição de políticas públicas para o setor. “Ao mesmo tempo em que a exclusão cresce, e que aumentamos nosso conhecimento, penso que precisamos desempenhar um papel muito mais interventivo, politicamente”. E aconselha: “Temos de nos ligar a movimentos sociais para participarmos ativamente na luta pelos direitos daqueles que não têm direitos. Nesse sentido, precisamos lutar para que a riqueza seja mais bem distribuída.”

Aida Ferreira é assistente social e docente na Universidade de Lusofona de Humanidades e Tecnologias (Lisboa). É licenciada e mestre em Serviço Social. Foi assessora para assuntos sociais em Portugal no primeiro governo provisório da primeira ministra Maria de Lourdes Pintasilgo, em plena Revolução dos Cravos. A trajetória de Pintasilgo, única mulher a ocupar esse cargo em seu país e a segunda na Europa, serve-lhe de inspiração, e admite ter aprendido com ela “o sentido de igualdade da mulher e o sentido de justiça social”. Ferreira esteve na Unisinos em 26 de agosto, proferindo a aula inaugural dos cursos de Serviço Social, Filosofia e Direito, com o tema Desemprego e exclusão social.

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição