Edição 271 | 01 Setembro 2008

Perfil Popular - Luiz Fernando Martins

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Bruna Quadros

O presidente do Conselho Municipal de Saúde de São Leopoldo, Luiz Fernando Martins, é o Perfil Popular desta semana. Em visita à revista IHU On-Line, na última semana, ele contou que o trabalho no Conselho, que visa ao bem-estar da comunidade, é apenas uma das suas atribuições. Ele divide seu tempo entre a Associação dos Moradores do Bairro Rio dos Sinos e no grupo de artesanato e padaria Mãos Unidas. O trabalho segue a lógica da Economia Popular Solidária. Sobre a sua religiosidade, Luiz destacou que se criou no catolicismo, mas, atualmente, faz a opção pelo espiritismo, onde encontra conforto. Confira, a seguir, a relatos da trajetória de vida de Luiz:

 

“Sempre fui muito preso. Não me deixavam sair para a rua, mas eu brincava muito em casa, com os guris da redondeza, de carrinho e bang-bang.” Assim, Luiz Fernando Martins, 56 anos, começa a contar a sua trajetória de vida. Nascido no município gaúcho de Novo Hamburgo, ele cresceu acompanhando o trabalho de seus pais, Otaviano e Lealdina, na colônia. “Eles plantavam milho e mandioca. Meus avós maternos trabalhavam com corte de acácias. Então, onde tinha trabalho, eles iam; eram meio nômades.” Filho mais velho da família, aos 13 anos, Luiz já trabalhava com o seu pai, na compra e venda de mandioca. “A gente comprava no interior e vendia em Porto Alegre.”

Foi com esta vida simples que Luiz e seus irmãos aprenderam valores fundamentais: “Responsabilidade, honestidade. O normal da vida, que os pais passam para os filhos, como ter compromissos.” O mesmo comprometimento com o trabalho não era demonstrado nos estudos. “Fui um tanto preguiçoso e estudei até o Ginásio.” Para Luiz, na época em que ele era estudante, o estudo era mais puxado. “O 1º Grau de hoje, por exemplo, não tem o mesmo conteúdo que tinha na época. Pelo conhecimento, o 2º Grau de hoje equivale ao Ginásio que conclui. Não fui adiante porque me acomodei.”

Trabalho e Mãos unidas

O primeiro emprego de Luiz foi na União de Bancos Brasileiros, como oficce-boy. “Em seguida, fui trabalhar em um departamento de pessoal, e fiquei muitos anos nessa área de recursos humanos. A última empresa em que trabalhei foi em Sapiranga.” O trabalho no grupo Mãos Unidas, que surgiu em 2006, no bairro Rio dos Sinos, em São Leopoldo, era para ser realizado pela esposa de Luiz, a Loreci. “Ela trabalhava com artesanato e se preparava para a sua primeira exposição, quando faleceu, em 2005.” Depois disso, os filhos de Luiz o incentivaram a ocupar o lugar dela no grupo. “Hoje, trabalho com confeitaria e panificação, junto com outras 13 pessoas, que também se envolvem com artesanato.” Segundo Luiz, muitas pessoas ainda não estão cientes do que é a Economia Solidária, da importância do trabalho cooperativo. Além do grupo Mãos Unidas, ele integra a Associação Comunitária do Bairro Rio dos Sinos, como tesoureiro, e representa a Associação no Conselho Municipal da Saúde, onde é o atual presidente.

Aos 29 anos de idade, Luiz casou. Ele conta que sua esposa já tinha um casal de filhos, os quais ele adotou como se fossem seus. “Meu primeiro filho com ela, se chama Diego, depois vieram a Mellany e o Leonardo. Eles são tudo para mim.” Nicolas, o netinho mais novo, é o xodó da família. “Os outros netos também são especiais, mas este é o primeiro neto de sangue.” E é o nascimento de Nicolas que Luiz define como um dos melhores e mais felizes momentos da sua trajetória. Em contrapartida, a tristeza é marcada pela morte da esposa que, com problemas cardíacos, faleceu nos braços de Luiz e de seu filho mais novo. “O grande sonho que eu tinha compartilhava com a minha esposa, que era o de comprar a casa própria. Hoje em dia, quero ver os meus filhos realizados na vida.”

Política

Partidário e militante do PT, Luiz reconhece que há muitas coisas boas sendo realizadas. No entanto, ainda há muito a ser feito. Como presidente do Conselho Municipal da Saúde, um dos mais influentes da cidade, Luiz também atua na fiscalização social da saúde no município. “Se a administração não aplicou corretamente a verba da saúde, a gente vai cobrar.”

Religiosidade

Criado nos princípios da religião Católica, Luiz não se contentava com certas respostas do catolicismo e se incomodava com algumas colocações de seus pais e avós, como, por exemplo, “Deus vai te castigar.” Além disso, quando acompanhava seus pais na missa, “o padre desviava dos assuntos da Igreja, e aquilo não me fazia bem.” Depois de casado, por influência de amigos, Luiz passou a freqüentar um centro espírita. “Foi aí que me encontrei. Deus não castiga ninguém. Somos nós mesmos que nos castigamos.”

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