Edição 269 | 18 Agosto 2008

IHU Repórter - Alexandre Souza

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Bruna Quadros

O carioca Alexandre Souza descobriu na Biologia um meio de realizar sonhos, pois, para ele, o trabalho é uma diversão. Professor no PPG em Biologia da Unisinos desde 2005, Alexandre hoje vive em Nova Petrópolis, município da Serra Gaúcha. Na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line na sede do Instituto Humanitas Unisinos – IHU, ele fala sobre sua trajetória pessoal e de formação, bem como de suas preferência e visão de mundo.

Origens – Nasci na capital do Rio de Janeiro. Meu pai, economista e funcionário público, é baiano; e minha mãe é mineira. Uma das características lá de casa é a cultura da leitura. Era comum chegar do colégio e ver meu pai e minha avó lendo um livro e minha mãe lendo jornal. Era mais fácil ler e estudar do que fazer qualquer outra coisa; já fazia parte do cotidiano. Minha mãe trabalhou durante um tempo como secretária, em órgãos públicos. Estou com 34 anos e tenho uma irmã, dois anos mais nova do que eu, que é jornalista.

Infância – Morei no Rio de Janeiro até o final da graduação em Biologia, na Universidade Santa Úrsula. Foi uma fase tranqüila. Eu ia muito à praia com os meus amigos. Eu e minha irmã jogávamos jogos de tabuleiro e também gostávamos de representar. Gostávamos de montar personagens e decorar as falas, em teatrinhos. Desde cedo, eu adorava coisas da natureza, como bichos e plantas. Quando eu era criança, me levaram ao Parque Nacional do Rio de Janeiro, que tem floresta e cachoeira. Aquela paisagem me marcou muito. Eu queria voltar para lá, brincar no meio das árvores. Foi aí que surgiu o meu interesse pela Biologia.

Ensino superior - Sempre gostei de estudar. No primeiro ano de faculdade, comecei a fazer estágio no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, no Laboratório de Sementes. Quando acabou a faculdade, fiquei triste com a idéia de parar de estudar. Com esta motivação, fiz mestrado e doutorado em Ecologia. Eu tinha vontade de sair do Rio para conhecer outros lugares. Em 1998, ingressei no mestrado em Ecologia na Unicamp, aos 24 anos. O doutorado também foi na Unicamp, em Ecologia. Depois disso, consegui uma bolsa do CNPq para o pós-doutorado, na UFRGS. Por esta razão, em 2004, me mudei para Porto Alegre. Hoje, moro com a minha mãe, em Nova Petrópolis. Nesta época, eu ainda estava cursando pós-doutorado na UFRGS. E a coordenadora do projeto colou um cartaz na porta da sala divulgando um concurso para a área vegetal na Unisinos. Mas não me interessei pelo que era, pois estava focado nos estudos de pós-doutorado, em Porto Alegre, e aguardava pelo concurso na UFRGS. Certo dia, ela me perguntou se eu havia me inscrito para concurso de professor-pesquisador da pós-graduação, na Unisinos. No dia seguinte, acabavam as inscrições. Fiz a inscrição correndo e consegui entregar a documentação a tempo.

Unisinos – Ingressei na Unisinos, como professor, em 2005. Desde que vim trabalhar aqui, melhorou o meu conceito da universidade, porque realmente há um investimento na área de pesquisa, que é de qualidade e levada a sério. A pós-graduação em Biologia, na primeira avaliação da Capes, em 2005, subiu de três para quatro e, mais recentemente, para cinco. A infra-estrutura física e o funcionamento dos setores são muito bons.

Lazer - Ainda não sou casado, nem tenho filhos. Venho para a Unisinos quase todos os dias e, eventualmente, trabalho em casa. Nas horas de folga, gosto de tocar flauta. Quando posso, também viajo para conhecer outras cidades da Serra Gaúcha.

Leitura – Sou um leitor quase compulsivo. Adoro ler sobre história, neurociências e comportamento humano. Um livro do qual gostei muito foi História do cristianismo, de Paul Johnson.

Filme – Costumo pegar DVDs para assistir em casa. Na infância, um filme que me marcou foi A missão, de Roland Joffé. Outro foi o Cosmos – A origem da vida, de Carl Sagan.

Separação – Felizmente, ao contrário da média, a separação dos meus pais foi muito tranqüila, se deu de forma amigável. Meu pai e minha irmã ainda moram no Rio de Janeiro.

Sonho – Tem vários países que eu gostaria de conhecer, como a França e a Austrália, além de Buenos Aires, na Argentina.

Trabalho - Certa vez, li a seguinte frase em um jornal: “Tirando artistas e cientistas, que têm a sorte de trabalhar no que amam, os outros mortais têm que ir para casa se divertir”. E é verdade. Meu trabalho é uma diversão. Não me desgasto muito trabalhando; não me entedio do trabalho. Então, grande parte dos meus sonhos é relacionada ao trabalho. 

Política brasileira – No Brasil, muitas vezes não se faz política e, sim, politicagem. Um sério problema do Brasil é que o país não participa da política. A maioria dos jovens só repete os chavões da mídia. A grande mídia estigmatiza a política e não mostra projetos bons que estão aí. As pessoas ficam pensando que na política só há ladrões e que “eu não tenho nada a ver com isso”. Uma das causas de corrupção na política é a falta de participação da sociedade. Como as pessoas vão votar bem se, durante quatro anos, não quiseram saber de nada?

Instituto Humanitas Unisinos – É um trabalho que ajuda a integrar os centros da universidade, veiculando informações e reunindo as pessoas. Uma universidade deve propor a integração do conhecimento e não só a sua produção. Por isso, acho o papel do Instituto muito importante, diante das suas funções humanitárias e sociais.

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