Edição 269 | 18 Agosto 2008

Veblen e o comportamento humano: uma avaliação após um século de A teoria da classe ociosa

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Bruna Quadros

Ciclo de estudos em EAD – Repensando os Clássicos da Economia discutirá o tema

Para dar seguimento ao ciclo de estudos em Ensino a Distância (EAD) – Repensando os Clássicos da Economia, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, a de 25 de agosto a 06 de setembro, o objeto de estudos será a Teoria da classe ociosa (ATCO), de 1899. Sobre o assunto, será feita uma avaliação à luz dos estudos do economista norte-americano Thorstein Veblen. Nos Cadernos IHU Idéias número 43, publicado em 2005, pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, o tema em destaque foi Veblen e o comportamento humano: uma avaliação após um século de A teoria da classe ociosa. O autor do texto é Leonardo Monteiro Monastério, doutor em Desenvolvimento Econômico pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Atualmente, é professor na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL). O material está disponível em www.unisinos.br/ihu.

No conteúdo da obra, Monasterio destacou que em uma leitura desatenta, a ATCO parece ser apenas uma sátira aos costumes das classes altas. “Veblen ridiculariza o jogo, a religião, a moda e até os animais domésticos abastados na sua época.” Na visão de Monasterio, foi por meio desta obra que os conceitos de ócio e consumo conspícuos disseminaram-se e passaram a fazer parte das ciências sociais. Segundo Veblen, caso haja uma categoria de indivíduos que, deliberadamente, possa abster-se do trabalho útil, a riqueza e o lar não são desejados por si: o objetivo primeiro é a ostentação. “As classes ociosas têm suas atividades voltadas para as tarefas que, de maneira conspícua, evidenciam que seu praticante não está envolvido num trabalho produtivo”, ressaltou Monasterio.

Para o autor, Veblen, contudo, não se limita à mera descrição (nada isenta) do estilo de vida das classes ociosas. Ele percebe que esses princípios estiveram presentes ao longo da história das sociedades, mudando apenas de forma. Por isso, a necessidade de elaborar uma teoria que explicasse tais fenômenos. “Na visão de Veblen, no início da formação humana, formaram-se dois instintos: o predatório e o de trabalho eficaz. Ao longo das etapas do desenvolvimento das sociedades, surgiram instituições (entendidas como hábitos de pensamento dominantes) que tinham em suas raízes tais instintos.” Para Monasterio, a lógica desses dois tipos de instituição é notoriamente incompatível; boa parte da obra de Veblen é dedicada ao exame da tensão existente entre os hábitos de pensamento industriais e os pecuniários.

Segundo Monasterio, apesar dos conceitos de ócio e de consumo conspícuo serem centrais na ATCO e os mais explorados pelos analistas da obra, esta não tem seu conteúdo exaurido em tal tema. Na verdade, a Teoria da classe ociosa contém, ao menos em caráter embrionário, quase todos os pontos do pensamento vebleniano e não existem grandes mudanças teóricas entre os seus primeiros escritos e os derradeiros.

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