Edição 269 | 18 Agosto 2008

Editorial

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IHU Online

Tortura, crime contra a humanidade. Um debate urgente e necessário

Os anos de chumbo já acabaram no Brasil, mas a tortura, os assassinatos, os desaparecimentos e o luto constante daqueles que sequer enterraram seus mortos ainda persistem, vívidos.

Para discutir a tortura como crime contra a humanidade, num debate reacendido recentemente pelo ministro da Justiça, Tarso Genro e pelo secretário de Direitos Humanos, Paulo Vannuchi, as limitações da Lei da Anistia e o perigo de esquecer o que passou, a IHU On-Line desta semana ouviu diversos especialistas.

“Não se trata de reabrir a discussão. Ela sempre esteve aí. Não devemos temer esse debate, porque ele, a todo tempo, deve significar uma espécie de ‘blindagem’ contra regimes autoritários. Ao falar do velho, conservamos vivas as possibilidades do novo”, afirma o Prof. Dr. Lenio Streck, em entrevista publicada nesta edição.

Para o psicanalista argentino Alfredo Jerusalinsky, hoje radicado no Brasil, militante contra as duas ditaduras que grassaram em sua pátria, a impunidade alenta o retorno da barbárie. A filósofa Cecília Pires, professora do PPG de Filosofia — Unisinos, alerta para que não se confunda o perdão com o esquecimento, enquanto o também filósofo Alfredo Culleton, natural da Argentina e também professor do mesmo PPG da Unisinos, é categórico ao dizer que a tortura é, sim, um crime contra a humanidade. Culleton fala por experiência própria, pois viveu a dor de perder cinco companheiros religiosos massacrados pela ditadura militar argentina, no dia 4 de julho de 1976. Na opinião da advogada Deisy Ventura, professora no Curso de Direito da Unisinos, o regime do medo continua e pontua que o silêncio sobre o que houve no período militar é “uma das maiores lacunas da democracia brasileira”. O filósofo Roberto Romano, professor na Unicamp, comenta os equívocos da Lei da Anistia e afirma que “o mito em torno de uma ditadura com base apenas militar” é conveniente para as oligarquias brasileiras. Na opinião do advogado Dalmo Dallari, o Brasil vive uma democracia pela metade, aceitando, em 1979, a Lei da Anistia na ânsia de por fim à ditadura militar. Contribuem também no debate a cientista política Kathryn Sikkink, professora da Universidade de Minnesota, Ovídio Baptista, professor do PPG em Direito da Unisinos, e Eliezer Rizzo de Oliveira, cientista social e professor nas Faculdades Integradas Metrocamp, de Campinas. 

Nesta edição, a memória de Cláudio Perani, fundador do Centro de Estudos e Ação Social — CEAS —, em Salvador e do Serviço de Ação, Reflexão e Educação Social - SARES, em Manaus, é feita por Ivo Poletto, num belo depoimento.

O banheiro do Papa, filme de César Charlone e Enrique Fernández, é comentado pelo Prof. Dr. Gilmar Hermes. Francisco de Assis e Charles de Foucauld podem inspirar uma espiritualidade na contemporaneidade, afirmam Ildo Perondi e Edson Damian. Publicamos também poemas do catarinense Victor da Rosa.

A todas e todos uma ótima semana e uma excelente leitura!

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