Edição 268 | 11 Agosto 2008

Perfil Popular - Iolanda Gomes

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Bruna Quadros

Simples e elegante. Estas palavras mostram um pouco da personalidade de Iolanda Gomes, 60 anos, o Perfil Popular desta semana. Em visita à redação da revista IHU On-Line, ela destacou que um dos princípios que seus pais lhe transmitiram e que ela honra até hoje é a honestidade. A vida em São Leopoldo, sua cidade natal, foi simples. Filha única, Iolanda não teve muitos amigos, quando era criança. Ela conta que fez amigos no grupo de Economia Solidária Magia do Encanto, também de São Leopoldo, do qual faz parte há um ano. O trabalho foi uma das maneiras que ela encontrou para se distrair, depois que ficou viúva, há dois anos. Conheça um pouco mais da história de Iolanda Gomes:

A cidade de São Leopoldo, na região do Vale do Rio dos Sinos, é o município de origem de Iolanda Gomes, dona de casa, 60 anos. Filha dos operários Gervázio Martins Lucas e Maria Célia Lucas, Iolanda conta que sua família era muito simples, mas lhe ensinou a crescer com dignidade. “Ser honesta. Esta foi o principal valor que meus pais me passaram.” Filha única, Iolanda não teve muitos amigos, quando criança. Aliás, esta, foi uma fase da vida que ela não pôde desfrutar. “Naquela época, tu estudavas pela manhã, teus pais trabalhavam fora e, à tarde, tu tinhas que fazer a lida da casa. Não tinha muita chance de brincar.” Filha única, Iolanda lembra que seus pais não lhe deram todo o carinho que ela gostaria de ter recebido. “Às vezes, fico pensando que me faltou isso na infância. Eles eram muito antigos e também não tiveram esse carinho, por isso não podiam me dar.”

O gosto pelos estudos era intenso, durante a juventude. No entanto, por falta de incentivo do seu pai, ela cursou apenas até a 2ª série ginasial, hoje, Ensino Médio. “Se eu fosse mais nova, voltaria a estudar. Gostaria de ser juíza.” Na trajetória profissional, Iolanda tem uma breve passagem, de dois meses, no escritório das Lojas Pernambucanas, quando estava com 16 anos de idade. “Como eu era filha única, minha mãe dizia que eu não iria servir de escrava para os outros, trabalhando em firmas.” Iolanda conta que sempre ficou em casa, e é dona de casa até hoje. Aos 24 anos, casou e começou a construir a sua família. O marido, Mário Gomes, também achava que a mulher não era para o lar, mas, sim, para trabalhar. O casamento, que durou 33 anos, foi interrompido em 2006, com a morte do esposo.

Da união, ficou um único filho, o Mário Gomes Júnior, que está com 29 anos. “Meu filho é a minha vida. É o que me restou. Minha família é o meu filho, a coisa mais importante que tenho.” Depois que ficou viúva, Iolanda precisou de algo que pudesse servir como distração. E encontrou. Há um ano, faz parte do grupo Magia do Encanto, baseado nos princípios da Economia Solidária. “Para mim, foi uma terapia. Eu estava muito triste, depois da morte do meu marido. Não sabia que rumo tomar.” Foi através de uma amiga que Iolanda conheceu o trabalho desenvolvido no grupo, “uma forma que achei de não pensar no problema e me distrair.” Nesta atividade, o foco de Iolanda é a culinária. É ela quem prepara os pastéis de forno comercializados nas feiras de Economia Solidária. “Me sinto muito feliz no grupo. Encontrei amigos que, durante a infância, não tive.”

Atualmente, Iolanda mora no bairro Campina, em São Leopoldo. Ela conta que, nos momentos de folga, dispensa badalações. “Não gosto de bailes, nem de cinema. Sou muito de ficar em casa, mas gosto muito de ir à Igreja. Sou católica praticante.” Sobre a política brasileira, Iolanda acredita que há muita corrupção. No entanto, “não podemos generalizar; ainda há políticos bons. Não estou muito satisfeita, assim como muitos brasileiros”. Na opinião dela, há muito para mudar no país, e esta mudança depende do povo, “porque somos nós quem escolhemos as pessoas para governar”.

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