Edição 261 | 09 Junho 2008

André Rafael Weyermüller

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Graziela Wolfart e Patricia Fachin

Aos 36 anos, o jovem advogado sapiranguense André Rafael Weyermüller alcançou uma importante meta: dar aulas na Unisinos. Professor do curso de Direito da universidade, André conta, nesta edição, sua trajetória de vida e preferências pessoais. Ao falar sobre política, ele declara: “Percebo a política brasileira como algo extremamente complexo e, ao mesmo tempo, contraproducente para o objetivo que deveria buscar. Sofremos de muitas necessidades e carências que passam pela vontade política que está, muitas vezes, atrelada a interesses muito negativos e que não vem ao encontro da vontade popular e do bem comum”. Conheça um pouco mais deste colega da comunidade acadêmica:

Origens e moradas - Nasci em Novo Hamburgo, porque na cidade de Sapiranga, onde minha família sempre viveu, não havia o recurso médico necessário na época. Depois de morar com meus pais, me mudei para Porto Alegre e fiquei um tempo morando lá por questões profissionais. Hoje, moro em Sapiranga novamente, mas continuo trabalhando em Porto Alegre.

Infância – Passei toda a infância na minha cidade. Era uma infância normal, boa, com muitos amigos. Lembro de vários momentos interessantes, mas um foi bastante marcante, quando um professor me presenteou com um livro que tratava de assuntos históricos. A partir daquela leitura, comecei a gostar ainda mais de estudar.

Família – Tive um exemplo positivo de família. Infelizmente, meu pai faleceu há 11 anos. Não tenho irmãos, então minha família sempre foi muito pequena. Meu pai não teve irmãos, e minha mãe teve apenas uma Irmã, que hoje já é falecida. Minha família se resume à minha esposa, mãe e aos meus primos.

Estudos - Sempre estudei em escolas próximas à minha casa. Depois, iniciei o curso de Engenharia Mecânica na Unisinos e acabei trocando para Direito, que achei que seria mais interessante. No entanto, sempre tive uma admiração e interesse especial pela História. Em função disso, estudei e li bastante sobre assuntos históricos, desde a minha infância.

Trabalho - Quando eu recém tinha saído do segundo grau, recebi uma proposta para dar aula de história na rede municipal, à noite, quando eu já trabalhava de dia em uma empresa. Fiquei nessa atividade durante seis anos. Nesse meio tempo, comecei a trabalhar em um banco, onde trabalho ainda hoje, há 16 anos. Posteriormente, me formei em Direito. Tendo me formado, continuei dentro do banco, mas na área jurídica. E, nessa área, comecei a ter uma vivência prática do Direito, que foi muito boa. Com a formatura, passei a ser advogado do banco, com mais responsabilidades, mais tarefas e mais conhecimentos, os quais procuro transmitir aos meus alunos.

Pós-graduação - Comecei a me interessar pela questão do meio ambiente. Por isso, acabei optando por fazer uma pós-graduação na área do Direito Ambiental, na Feevale, que foi muito proveitosa. Lá, conheci muitos professores ótimos, pessoas que deram um exemplo e uma contribuição importantes ao meu conhecimento, ao meu futuro. Então, decidi que eu também deveria continuar esse estudo, inclusive porque tinha sempre uma vontade muito grande de voltar a dar aula. Resolvi dar um passo adiante e ingressei no mestrado em Direito Público na Unisinos, para me preparar melhor. Pude, então, desenvolver a minha pesquisa dentro da questão ambiental, abordando o papel do direito nessa questão da tutela do meio ambiente, sobretudo em relação ao aquecimento global. Foi uma experiência ótima. Depois dela, me considerei apto a me candidatar a uma vaga na docência. Participei de uma seleção na Unisinos e fui, felizmente, aprovado. Comecei a lecionar esse ano.

Unisinos – A universidade sempre fez parte da minha vida. Desde 1989, mantenho um vínculo com a Unisinos, onde cursei minha graduação, o mestrado e um curso de alemão durante três anos e meio. Sinto-me muito bem na universidade e a considero como se fosse minha segunda casa. Sempre quis trabalhar na Unisinos, porque essa é uma grande instituição em termos de nome, de tradição de ensino e de comprometimento. Ter a oportunidade de participar do grupo docente da universidade tem sido uma experiência excepcional.

Sala de aula – Atualmente, estou lecionando duas disciplinas: Direito Ambiental e Direito Civil I. O interessante é que consigo ter contato com alunos do início e do final do curso, e isso possibilita contatos e experiências diferentes. Penso que minha posição na universidade seja fazer com que os alunos aprendam o máximo possível do que é ser advogado e do que é ser operador do direito, seja qual for a carreira jurídica que seguirem. Considero que minha missão, como professor, é preparar o aluno para a realidade, para a prática e para os desafios que terão de enfrentar no direito, que, muitas vezes, não consegue acompanhar a velocidade das transformações sociais. O aluno precisa ser preparado para enfrentar essa realidade. 

Casamento – Conheci minha esposa, Cláudia Daniela Diefenbach, há alguns anos, mas estamos juntos há quatro. No início do ano, resolvemos constituir nossa família com o objetivo de construir um futuro harmônico e feliz. Ainda não temos filhos. Por enquanto, apenas planos de tê-los.

Sonho – Pretendo continuar meus estudos e ingressar no doutorado em Direito na Unisinos. Além disso, ainda quero publicar um livro sobre direito ambiental, no qual estou trabalhando no momento.

IHU – Por meio do Instituto Humanitas Unisinos, o grande público tem acesso a impressões e opiniões de pessoas de grande importância no mundo acadêmico e social. Essas pessoas conseguem passar, através de seus conhecimentos, algo de positivo aos leitores que acessam as publicações do IHU. Esse é um espaço importante que deve ser preservado, cultivado e ampliado, se possível. Vejo que o Instituto proporciona um conhecimento de assuntos bastante interessantes e atuais de forma concisa, objetiva e, ao mesmo tempo, profunda. A maneira como são dirigidos os questionamentos para os entrevistados, inserindo-os num contexto de atualidade, é o ponto principal.

Lazer – Eu gosto de ler muito. Também gosto de ir ao cinema e passar o final de semana na serra. Nas férias, sempre gosto de viajar e conhecer um lugar diferente.

Filme – Para cada momento da vida, podemos dizer que temos um filme. Acho que Perfume de mulher, embora seja um filme comercial, é bastante interessante porque mostra o conflito de uma pessoa que não tem mais interesse pela vida e consegue redescobrir um sentido. Ele trata das relações interpessoais e como as pessoas podem tirar algo de positivo de uma situação ruim.

Livro – Já li muitos livros interessantes, sendo até injusto escolher apenas um. Destaco Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago, que apresenta uma reflexão sobre a condição humana.

– Não sigo uma crença específica, mas me considero cristão. Tive uma vivência dentro da Igreja Protestante, seguindo a tradição familiar. Mesmo não freqüentando uma igreja, considero importante se a pessoa sente-se bem assim.

Política – Percebo a política brasileira como algo extremamente complexo e, ao mesmo tempo, contraproducente para o objetivo que deveria buscar. Sofremos de muitas necessidades e carências que passam pela vontade política, que está, muitas vezes, atrelada a interesses muito negativos e que não vêm ao encontro da vontade popular e do bem comum. A política brasileira ainda precisa evoluir muito e deixar de lado certas proteções e vícios que se repetem desde o descobrimento do país. Carecemos, realmente, de uma reformulação bastante profunda, principalmente no que se refere à responsabilidade daqueles que fazem a política brasileira e que tiram para si proveitos ilícitos.

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