Edição 261 | 09 Junho 2008

Humanizar o humano: possibilidade ou ilusão?

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Bruna Quadros

Para Roberto Carlos Favero, quanto mais a sociedade parece evoluída tecnocientificamente, maiores são as desigualdades e as marcas de abandono do homem

Humanizar o humano: uma releitura existencial a partir de Albert Camus e Jean Paul Sartre é o tema do evento Encontros de Ética, que o Instituto Humanitas Unisinos - IHU promove no dia 16 de junho. O assunto intitula o livro do Prof. MS Roberto Carlos Favero, da Faculdade Cenecista de Bento Gonçalves, que estará debatendo o tema. Diante do contexto de humanização do ser humano, Fávero explica que, quanto mais a sociedade parece evoluída tecnocientificamente, maiores são as desigualdades e as marcas de abandono do homem. “Um triste início de terceiro milênio assinala um aumento do número de pessoas injustiçadas de todas as formas, em todo o mundo”, lamenta.

Na visão de Favero, o humanismo deve ter por norte e meta-síntese a liberdade que sempre acontece no compromisso com as pequenas ou grandes causas de nosso tempo. Segundo ele, onde houver alguma ameaça ao humanismo ou a um homem concreto, “devemos estar presentes, seja através de nossas atitudes e ações, com responsabilidade, seja por meio de uma reflexão séria e coerente, buscando superar as aparências de juízos preconceituosos, a fim de se chegar à condição verdadeira do ser humano”.

Um dos aspectos que contribui com a ruptura no processo de humanização do humano é o modelo consumista, adotado pela sociedade. “O consumismo representa um das grandes formas de afastamento do homem de sua verdade plena, pois prende o homem, condenando-o a viver sem a alteridade, negando o outro, à medida que este está excluído da sociedade de consumo, já que nem todos podem usufruir das benesses que o sistema econômico pode proporcionar”, ressalta.

Para Favero, o humanismo do século XXI deve ir além do humanismo dos filósofos franceses do século XX, porque os desafios para o humanismo aumentaram. Ele explica que o tecido social foi se estilhaçando à medida que a ambição e a negação da alteridade foram se manifestando no cotidiano da vida. Por isso, é necessário intensificar nossas habilidades para lidar com o real, olhando de forma mais ampla e crítica para a realidade. “O homem não quer apenas viver, mas encontrar um sentido para este viver”, conclui. 

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