Edição 260 | 02 Junho 2008

Nanotecnologias em debate: participantes do Simpósio Internacional dão suas opiniões

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Moisés Sbardelotto

A IHU On-Line conversou com participantes do Simpósio Internacional Uma sociedade pós-humana? Possibilidades e limites das nanotecnologias para ouvir suas considerações a respeito dos debates em torno do tema

A IHU On-Line conversou com participantes do Simpósio Internacional Uma sociedade pós-humana? Possibilidades e limites das nanotecnologias para ouvir suas considerações a respeito dos debates em torno do tema.

A partir da programação do Simpósio Internacional Uma sociedade pós-humana? Possibilidades e limites das nanotecnologias, a reflexão sobre aspectos técnicos, éticos e filosóficos a respeito dos impactos provocados pelas nanotecnologias não termina com a palavra final do conferencista. Todos os participantes, independente de seu interesse pelo tema, são estimulados e provocados a repensar também a sua participação em todo esse processo.

A IHU On-Line conversou com alguns dos participantes do Simpósio para conhecer um pouco dos interesses, dos questionamentos e das conclusões que puderam ser construídos a partir desse fórum de idéias e para saber também a avaliação geral do evento.

Para a farmacêutica Cleide Maria Redin, 46, de Parobé, o Simpósio trouxe uma idéia disciplinar muito importante, também a partir do aspecto social. Segundo ela, foi interessante pensar a respeito das possibilidades e das conseqüências dessas novas tecnologias, especialmente no que se refere à sua área de atuação, a farmácia. “Ficou bastante marcada a limitação do ser humano e a necessidade de complementação das nossas deficiências, como das doenças, por meio das nanotecnologias”, explicou.

Já o currículo qualificado dos conferencistas foi um dos pontos mais atrativos do evento para o acadêmico de história da Unisinos Tiago Zeni, 28. O estudante, natural de Ibirubá, afirmou que o Simpósio, mais uma vez, contribuiu para a reflexão sobre temas atuais, fundamentais para a construção de uma visão de futuro. “A Unisinos está de parabéns pela qualidade com que preparou o Simpósio”, disse.

Outra característica do evento é o seu formato multidisciplinar, de acordo com o doutorando em comunicação da Unisinos Elson Faxina, 51. “O tema das nanotecnologias, na comunicação, é muito atropelado. Por isso, o Simpósio é um momento para parar e pensar o caráter humano e social dos avanços tecnológicos”, disse. O acadêmico questionou ainda os limites da relação ética que as nanotecnologias impõem. Salientou ainda a incorporação do campo emotivo, da esfera de paixão, emoção e de relação com o outro em algumas conferências. Para ele, somente com a inclusão dessa dimensão nos debates acadêmicos é que poderemos alcançar uma nova ética.

Para o pesquisador do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo, Paulo Martins, é muito raro que simpósio com o porte como o do promovido pela Unisinos ocorram na área das humanas. Ele ressaltou a qualidade e a diversidade de opções de minicursos, além dos palestrantes internacionais convidados. Para ele, o tema das nanotecnologias ganha importância por suas possibilidades de convergência com outras tecnologias, como a biotecnologia e a cognotecnologia. “Por isso, é importante refletir antes que tenhamos os fatos consumados”, explicou.

Mesmo quem não tinha muito contato com o tema também se sentiu atraído pelas discussões. Esse foi o caso do estudante de filosofia da Unisinos Antônio Anderson R. Costa, 22, natural de Porto Velho, Roraima. Segundo ele, o Simpósio trouxe para a discussão uma temática que não alcança a toda a sociedade e se ouve muito pouco a respeito até na universidade. A relevância das discussões, para ele, está em questionar se as possibilidades que as nanotecnologias sugerem são concretas. “Ainda não há fatos concretos determinantes, e por isso é necessário discutir”, afirmou. Comparando com os debates em torno dos transgênicos, o estudante crê que seja importante também um questionamento ético e moral dessas novas tecnologias.

A relação da técnica com o sujeito foi o destaque do Simpósio para a estudante de fisioterapia da Unisinos Michelle Querotti, 26, de Porto Alegre. Incentivada pelo seu professor de Bioética a participar do evento, a estudante afirmou que a questão humana geralmente fica em segundo plano nas discussões sobre novas tecnologias, e daí a importância do Simpósio para contrabalançar essa realidade. Segundo ela, os riscos nessa área de pesquisa ainda são muitos, e questiona: “Quem vai assumi-los?”. Sua colega, Larissa Roxo, 22, de Cachoeirinha, afirmou que o tema ainda não alcançou com muita força a área da saúde, e os benefícios ou malefícios das nanotecnologias ainda não estão de todo definidos. Por isso, explicou, o Simpósio colaborou para a compreensão das possibilidades que essa nova área carrega consigo.

Essas possibilidades, manifestadas em benefícios ou malefícios, foram bem abordadas nas palestras, segundo a estudante de Física da Unisinos Laís Raldissarelli, 19. Ela explicou que, nas áreas exatas, o ser humano acaba sendo excluído dos debates. Por isso, afirmou que o Simpósio contribuiu para se compreender as nanotecnologias com a presença do humano como um fator relevante. “E elas terão muito ainda a contribuir em todas as áreas”, resumiu. A jovem, natural de Ilópolis, ainda destacou a qualidade dos minicursos e também a programação do Simpósio.

A abordagem filosófica que as conferências proporcionaram a respeito das nanotecnologias foi o que mais agradou à pesquisadora Soraia Ramis, do Instituto de Economia Agrária de São Paulo. Ela destacou ainda a qualidade dos palestrantes e a organização do evento. Quanto à temática proposta, Soraia explicou que ainda há muitas divergências com relação às possibilidades das nanotecnologias. Além disso, ressaltou que é importante rediscutir o conceito de pós-humano, que, segundo ela, seria melhor definido como transumano.

“Excelente” foi a avaliação do frei franciscano Sinivaldo Silva Tavares, professor de Teologia Sistemática do Instituto de Teologia Franciscano, de Petrópolis, Rio de Janeiro. Para ele, que disse possuir um conhecimento incipiente na área das nanotecnologias, a escolha da temática, como os assessores convidados e a organização do evento estão de parabéns. Ele afirmou que este já é o quarto Simpósio promovido pela Unisinos de que ele participa. Nesta edição, o que ficou mais marcado para ele foram as contribuições de cada conferência e minicurso para abrir os seus horizontes de pensamento. “Com os dias cheios durante o Simpósio, a reflexão pessoal irá ocorrer ao longo do tempo, abrindo o nosso horizonte”, afirmou. Por isso, salientou a compreensão ampla que foi possibilitada pelo Simpósio, promovendo uma consciência da complexidade do tema. E, resumindo, confirmou que o saldo geral do Simpósio foi bastante positivo.

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