Edição 257 | 12 Mai 2008

Esperança? Só quando alguém nutrir respeito pelo que é humano

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Wellington Gomes Figueiredo

O sertanista Wellington Gomes Figueiredo dá seu depoimento sobre os dilemas culturais dos povos indígenas brasileiros

O drama vivido pelo índio Karapiru se repete com outros grupos indígenas, neste exato momento em que você lê esta afirmativa. E não é força de expressão. É real! Enquanto os grupos indígenas, que se renderam ou foram dominados, reivindicam direitos (de acesso à saúde, educação, terra e tudo que regurgita esta modernidade entendida como transformação tecnológica e suas conseqüências), os grupos indígenas que permanecem isolados vivem o angustiante dilema entre entregarem-se aos novos conquistadores ou serem dizimados por suas máquinas, que constroem hidroelétricas, estradas, campos de soja, linhas de transmissão, implantação de pastos, extração de madeiras etc.

Como entender uma sociedade na qual o direito à vida somente acontece para aqueles que podem fazer representarem-se? E o que pensar quando o grau de maior ou menor representatividade é medido pela capacidade de produzir algo, que possa servir de combustível, para alavancar mais poder, mais consumo e mais publicidade? Nesta engrenagem, certamente os índios isolados são impedidos de reivindicarem o direito de viverem!
A Funai possui uma política para índios isolados que representa uma máxima de respeito para com estes povos. E é referência para outros países. No entanto, os limitados recursos, humanos e financeiros, que são disponibilizados para as ações de garantir a integridade física destes povos, determinam quais grupos humanos de índios isolados terão as vidas poupadas.

A Funai, na situação descrita, se assemelha ao médico, que por falta de recursos materiais, tem de escolher, entre tantos enfermos, quais sobreviverão.

Há tempos, venho colocando em dúvida se vale a pena me manifestar publicamente sobre índios. Perdi o encanto! Esperança para os índios que vivem a situação experimentada pelo Karapiru? Será que só virá quando algum homem (com poder neste Brasil) nutrir respeito pelo que é humano?

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