Edição 248 | 17 Dezembro 2007

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Editoria de Poesia

Nascido em Porto Alegre em 1963, Ricardo Silvestrin é poeta, músico, cronista, ensaísta e, em breve, contista. Além disso, é formado em Letras, pela UFRGS, colunista do jornal Zero Hora e lançou, com os poETs (formado também por Alexandre Brito e Ronald Augusto), o CD “Música legal com letra bacana”, pela gravadora YB, de São Paulo. Entre seu livros, destacam-se Bashô um santo em mim (Porto Alegre: Tchê, 1988); Quase eu (Porto Alegre: Secretaria de Cultura de Porto Alegre; Coleção Petit Poa, 1992); Palavra mágica (Porto Alegre: Massao Ohno/Instituto Estadual do Livro, 1994); É tudo invenção (São Paulo: Ática, 2003); Pequenas observações sobre a vida em outros planetas (2. ed. Salamandra, 2004); Ex, peri, mental (Porto Alegre: Ameopoema, 2004); e O menos vendido (São Paulo: Nankin Editorial), que recebeu, na semana passada (dia 13 de dezembro), o prêmio Açorianos de melhor livro de poemas de 2006. Silvestrin se destaca pela construção sonora equilibrada com um pensamento zen, como neste poema de Palavra mágica: “por uma prática teórica / meteórica lucidez / ensinando o gesto / a entender o que fez / aprendendo com ele / a fazer o que diz / palavra e gesto, / cada um com seu texto, / façam o que eu digo / digam o que eu fiz”.

Ao mesmo tempo, Silvestrin é um dos principais haicaístas do Brasil, situando-se numa tradição em que se destacam sobretudo Paulo Leminski, Alice Ruiz e o humorista Millôr Fernandes. Seus haicais mostram uma visão sensível sobre a natureza, aliada com o bom humor, como em “leitor atento / a primeira página / quem abre é o vento”; “luzes da cidade / e um céu de estrelas / só por vaidade”; e “estrela sozinha / se não é de ninguém / é minha”. O poema que Ricardo Silvestrin enviou especialmente à IHU On-Line faz parte de seu livro inédito, intitulado Acervo pessoal.

Não me pergunte pra que serve a arte
se você sabe.
Antes de nascer já sabia.
Se alimentava de arte
pelo cordão umbilical.
De arte vivia
na solidão e no escuro.
De outro modo
como conseguiria
atravessar nove meses
sem respostas
para suas perguntas?
Ritmo é resposta
no som submerso.
Só a melodia da fala,
que nada dizia,
uma entonação,
uma dança
das mãos sobre o ventre
em que você dormia.
Desde que nasceu,
sem arte,
que você sabe como ninguém pra que serve,
pra que a vida serviria?

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