Edição 244 | 19 Novembro 2007

Antônio Vieira – Traços biográficos

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Jesuíta, foi escritor e orador, nasceu em Lisboa, Portugal, em 6 de fevereiro de 1608 e faleceu na Bahia, em 17 de junho de 1697.

Um dos mais influentes personagens do século XVII em termos de política, destacou-se como missionário em terras brasileiras. Nesta qualidade, defendeu infatigavelmente os direitos humanos dos povos indígenas combatendo a sua exploração e escravização. Era por eles chamado de “Paiaçu” (Grande Padre/Pai, em tupi). Na literatura, seus sermões possuem considerável importância no barroco brasileiro e as universidades freqüentemente exigem sua leitura.

Seu pai serviu a Marinha Portuguesa e foi, por dois anos, escrivão da Inquisição, tendo se mudado para o Brasil em 1609, para assumir cargo de escrivão em Salvador, na capitania da Bahia. Em 1614, mandou vir a família para o Brasil. Antônio Vieira tinha seis anos. Estudou na única escola da Bahia: o Colégio dos Jesuítas em Salvador. Consta que não era um bom aluno no começo, mas depois se tornou brilhante. Em 1623, entrou no noviciado da Companhia de Jesus. Obteve o mestrado em Artes e foi professor de Humanidades, ordenando-se sacerdote em 1634.

Em 1624, quando da Invasão Holandesa em Salvador, refugiou-se no interior, onde iniciou a sua vocação missionária. Um ano depois fez os votos de castidade, pobreza e obediência. Além de Teologia, Vieira estudou Lógica, Física, Metafísica, Matemática e Economia. Em 1634, após ter sido professor de retórica em Olinda, foi ordenado padre e em 1638 já ensinava Teologia.

Em Portugal, após a Restauração da Independência (1640), em 1641, iniciou a carreira diplomática, pois integrou a missão que veio a Portugal prestar obediência ao novo monarca. Impondo-se pela vivacidade de espírito e como orador, foi nomeado pelo rei pregador régio. Em 1646, foi enviado à Holanda, e no ano seguinte à França, com encargos diplomáticos. Era embaixador para negociar com os Países Baixos a devolução do Nordeste. Caloroso adepto de obter para a coroa a ajuda financeira dos cristãos-novos, entrou em conflito com a Inquisição, mas viu fundada a Companhia de Comércio do Brasil.

Abraçou a profecia sebástica e por isso entrou em conflito com a Inquisição que o acusou de heresia com base numa carta de 1659 ao bispo do Japão, na qual expunha sua teoria do Quinto Império, segundo a qual Portugal estaria predestinado a ser a cabeça de um grande império do futuro. Foi expulso de Lisboa, desterrado e encarcerado no Porto e depois encarcerado em Coimbra, enquanto os jesuítas perdiam seus privilégios. Em 1667, foi condenado a internamento e proibido de pregar, mas, seis meses depois, a pena foi anulada. Com a regência de D. Pedro, futuro D. Pedro II de Portugal, recuperou o valimento.

Já velho e doente, Vieira precisou espalhar circulares sobre a sua saúde para poder manter em dia a sua vasta correspondência. Em 1694, já não conseguia escrever de próprio punho. Em 10 de junho começou a agonia, perdeu a voz, silenciaram-se seus discursos. Morreu a 17 de Julho de 1697, com 89 anos, na cidade de Salvador, Bahia.

Deixou obra complexa que exprime suas opiniões políticas, sendo não propriamente um escritor e sim um orador. Além dos Sermões, de História do futuro, de Esperanças de Portugal, deixou cartas e escritos históricos e políticos. Também redigiu o Clavis Prophetarum, livro de profecias que nunca concluiu. Entre os inúmeros sermões, alguns dos mais célebres são o “Sermão da Quinta Dominga da Quaresma”, o “Sermão da Sexagésima”, o “Sermão pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda”, o “Sermão do Bom Ladrão”, entre outros.

Fonte: Wikipédia

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