Edição 243 | 12 Novembro 2007

Experimentos são registrados nos quadrinhos

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Fábio Zimbres é conhecido pela sua produção imediatista e pelas inúmeras experimentações que desenvolve nos quadrinhos. Segundo ele, esse tipo de trabalho tenta “preservar a surpresa da criação”. A opção por esta técnica, explica, se deve à sua preferência por desenhos feitos com urgência. “Histórias em quadrinhos em geral têm passos bem definidos de criação: roteiro, rascunho etc., e incluir essa surpresa e essa tensão requer pular essas etapas ou quebrar algumas regras”.


Zimbres cursou Arquitetura na FAU/USP e Artes Plásticas, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), e é conhecido internacionalmente como ilustrador e quadrinista. Por dois anos, publicou diariamente a tira “Vida Boa” no jornal Folha de S. Paulo. Seu trabalho é freqüente em importantes revistas de quadrinhos, tais como 2Wbox (Suíça), Complot (México), Que Suerte (Espanha), Lapiz Japonez (Argentina), L’Apparition (França), Heaven (Dinamarca), Death Race (EUA), e várias outras no Brasil. É editor da coleção Mini-Tonto, pela qual ganhou em 1998 o Prêmio Projeto Editorial no 10º Troféu HQ-MIX.

Confira a entrevista concedida à IHU On-Line, por e-mail:

IHU On-Line - Como é trabalhar com o imediatismo na produção de histórias em quadrinhos? Por que essa opção?
Fábio Zimbres -
Por uma questão estética. Gosto das coisas que têm essa tensão, uma carga nervosa de ser feita de urgência, de ser feita ao mesmo tempo em que é criada. Histórias em quadrinhos em geral têm passos bem definidos de criação: roteiro, rascunho etc., e incluir essa surpresa e essa tensão requer pular essas etapas ou quebrar algumas regras. Não se ganha tempo com isso, mesmo pulando as etapas de roteiro e rascunho; acho que levo o mesmo tempo ou mais de uma produção nos moldes mais clássicos.

IHU On-Line - Você diz que gosta de fazer seus desenhos sem rascunho. Assim, a produção consegue acompanhar mais rapidamente a velocidade do pensamento?
Fábio Zimbres -
Acho que o efeito resultante é mais ou menos isso, mas na verdade ainda não consegui fazer isso como se estivesse escrevendo uma carta, sempre é necessário que eu volte e conserte certas coisas. Acaba levando tempo mesmo traduzir o seu pensamento que, muitas vezes, é excessivamente rápido e vago. A tentativa de registrar esse momento sempre leva muito mais do que ele levou a se revelar.

IHU On-Line - Você tem um estilo peculiar, que mistura um pouco de tudo (pintura, desenho). Qual é a mensagem que você tenta transmitir com essa forma de trabalho? O que essa mistura, num mesmo trabalho, tenta representar?
Fábio Zimbres -
Acho que ela não precisa significar nada em si. É uma opção e tenta agradar meu desejo. Mas talvez signifique que tudo é possível. Que todas as coisas podem conviver no mesmo tempo e espaço, mesmo as coisas mais inverossímeis.

IHU On-Line - Como e por que um desenho mais cru, como os que o senhor desenvolve, acabam surpreendendo o leitor?
Fábio Zimbres -
Não sei. Um desenho de criança sempre me surpreende e superficialmente todos os desenhos de criança são iguais. Seria de supor que, vendo tantos desenhos assim, essa impressão de novidade acabasse desaparecendo ou enfraquecendo, mas não acontece assim, pois sempre há um impacto. Eu não sei o motivo disso.

IHU On-Line - O que faz o senhor priorizar mais a agilidade do desenho e a mistura de cores do que a estética, diferente de outros quadrinistas?
Fábio Zimbres -
Eu priorizo a estética, o visível é importante e o que o rege é minha matéria. Apenas é uma forma diferente, outra estética.

IHU On-Line - O que significa trabalhar com a experimentação, em quadrinhos?
Fábio Zimbres -
Significa que eu tento preservar a surpresa da criação no meu espaço de trabalho. Significa também que há poucas pessoas dispostas a te pagarem pra isso, mas isso não é algo tão drástico e importante. Isso muda a todo tempo e eu nunca imaginei viver de quadrinhos, já vivi de editar e publicar em alguns momentos da minha vida. E tem muita
gente que segue as normas do quadrinho e também não está vivendo disso, então não chega a ser um drama.

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