Edição 242 | 05 Novembro 2007

O Vale esqueceu do Sinos

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Ele era vigoroso, limpo, cercado de plantas verdes, que serviam de refúgio para muitas espécies de animais. Ainda jovem, o Sinos era a principal ligação entre os primeiros moradores da região do Vale do Sinos e a capital do Estado. Ele servia de caminho para transportar cargas e pessoas, prestando serviços aos colonos. Com a chegada do progresso e da tecnologia, o Rio ainda manteve suas curvas sinuosas, mas aquelas plantas que o apoiavam foram substituídas pela atividade agrícola, que aumentou ao longo do seu curso. 

Com o avanço da urbanização e a concentração industrial, principalmente do setor coureiro-calçadista, o maior pólo do Estado do Rio Grande do Sul, vieram também os grandes acúmulos de lixo, os esgotos e os resíduos industriais.

Responsável por abastecer 32 municípios, dos 496 que compõe o Rio Grande do Sul, o Rio dos Sinos nasce nas montanhas de Caraá e é um dos dez principais rios do Estado, tendo uma bacia hidrográfica de 3820 Km². Após percorrer um percurso de 190 Km, ele desemboca suas águas no delta do Jacuí, em Canoas (RS). Em outubro de 2006, o Sinos mostrou, em amplitude nacional, o descaso sofrido pela população da região e pelos órgãos reguladores do meio ambiente. Ali, ocorreu o maior crime ambiental do Estado, nos últimos 40 anos. Cerca de 100 toneladas de peixes, em plena época de desova e reprodução, foram mortos.

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