Edição 239 | 08 Outubro 2007

Invenção

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

IHU Online

Editoria de Poesia

Esta nova editoria, semanal, é dedicada à publicação de inéditos de poetas da literatura contemporânea do Brasil, com mais de um livro, ou que recém publicaram suas primeiras obras, ou que publicam em revistas eletrônicas e sites. Poetas que procuram algum sentido de invenção. O nome da editoria é uma homenagem à revista de poesia publicada pelo poeta Décio Pignatari  nos anos 1960. Ela apresentou, ao longo de seus poucos, mas importantes números, autores como Paulo Leminski  e certamente dialoga com a categoria de “poetas inventores”, criada por Ezra Pound , que seriam os homens “que descobriram um novo processo ou cuja obra nos dá o primeiro exemplo conhecido de processo”. Em pleno século XXI, a categoria de “inventores”, no entanto, não é a mais interessante para delimitar o trabalho dos poetas. É importante, nesse sentido, lembrar que a palavra “invenção” remete à própria origem da palavra poesia, em grego: poíesis – ação de fazer e criar alguma coisa. Com esta editoria, a IHU On-Line tentará proporcionar ao leitor e à leitora um contato também com poetas emergentes, através de introduções que falam sobre os seus escritos, na tentativa de apresentar um pouco do que se produz hoje no Brasil nesse gênero, como diriam Décio Pignatari e Augusto de Campos , dois dos criadores da poesia concreta, “à margem da margem”. Nesta estréia, apresentamos poemas de Virna Teixeira.


VIRNA TEIXEIRA

Virna Teixeira, poeta e tradutora, nasceu em 1971, em Fortaleza (CE). Mora em São Paulo, onde trabalha como neurologista. Publicou os livros, com poemas próprios Visita (2000) e Distância (2005), ambos pela 7Letras do Rio de Janeiro. Também organizou as edições Na estação central (Brasília: EdUnB, 2006), com traduções de Edwin Morgan , e Ovelha negra – uma antologia de poesia da Escócia do século XX (São Paulo: Lumme, 2007). Em sua poesia, Virna lança um olhar microscópico sobre pequenos detalhes do cotidiano, sobre um certo vazio cotidiano e sobre viagens, revelando o corpo em movimento (de fuga ou de encontro), acompanhado ou solitário. Não por acaso, os poemas que ela enviou para a IHU On-Line fazem parte de um livro intitulado Trânsitos, no prelo da Editora Lumme. Mesmo tratando algumas vezes de locais específicos, seus poemas não podem ser vistos como flashes fotográficos ou como postais, e sim como uma significação do sentimento contemporâneo de procura. Uma procura, sobretudo, por aquilo que está deslocado: “pequeno, o / frágil / corpo / soluça / / vermelha, / a flor / entre os / dedos”, como ela escreve no poema “Calçada”, de Distância. Virna estabelece um diálogo sobretudo com a poesia de língua inglesa, com nomes como Robert Creeley , William Carlos Williams  e Sylvia Plath , e com as artes plásticas, realizando poemas baseados em obras de artistas como a mexicana Frida Kahlo  e o cearense Leonilson .

Nado em alto-mar, maremoto. Flutuar sobre naufrágios, resíduos. Submersa no que não era – afogamento. Mergulho, viagem marítima. Escapismo, estrelas-do-mar. Sentimentos líquidos.

Ebulição. Dissolução de formas. Novas, transitórias, fluidas. Tensão, polaridade.

Repetição, aprendizado: trajeto contra a correnteza até a margem.

Memória da água. Desenhos na areia, espuma.

stromboli

ondas como lavas alcançam a praia após a tormenta

depuram-se mágoas, em sucessivas águas

raiva que evapora em névoa

nas bordas distantes de uma cratera ativa.

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição