Edição 233 | 27 Agosto 2007

Bruno Trentin, socialista e sindicalista

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Aos 81 anos, morreu Bruno Trentin, no dia 22-08-2007. Ele fora secretário da Confederazione Generale Italiana del Lavoro (CGIL), (www.cgil.it), de 1988 a 1994.

Foi a CGIL a dar a notícia da morte de Bruno Trentin. O ex-líder sindical, que tinha 81 anos, faleceu na Policlínica Gemelli de Roma, onde estava baixado por uma grave pneumonia. Há um ano, Trentin caíra da bicicleta, na Áustria, acusando um grave trauma craniano que minara as defesas imunológicas. Agora o mundo político e sindical lhe rende homenagem, sublinhando sua visão moderna da sociedade e a plena hostilidade a toda deriva violenta. Giorgio Napolitano, agora presidente da República, sentou com Bruno Trentin no Parlamento Europeu: “Desaparece com ele – diz – um grande protagonista das batalhas do trabalho, do processo de unidade do sindicato, da história democrática”.

Fausto Bertinotti, também ele líder sindical, atual presidente da Câmara, recorda seu papel: “Da elaboração da virada na CGIL de Di Viottorio, até o papel de guia da FIOM nos anos da insurreição operária, o ex-secretário geral da CGIL encarna a própria história do movimento dos trabalhadores”. Franco Marini, presidente do Senado, um vitalício na CISL, fala dele como de um “intelectual refinado”.

O primeiro-ministro Prodi  recorda que não era fácil ter certas posições nos anos do terrorismo: no entanto, “ele se empenhou em definir políticas em tutela dos trabalhadores, no respeito escrupuloso dos valores da nossa Constituição”. O vice-primeiro-ministro Rutelli sublinha que Trentin “havia compreendido em tempo as grandes mudanças da sociedade”. “E também as profundas contradições do País”, acrescenta Enrico Letta. Presta-lhe homenagem, neste quadro, o presidente dos industrialistas Montezemolo: “Exprimo as condolências de Confindustria. Trentin era um interlocutor sério e leal. Guiou a CGIL em anos difíceis e desempenhou um papel essencial na definição dos acordos de julho de 93”. A manobra, nota o chefe da UIL Angeletti, “deu resultados preciosos também graças à sua coragem”. E nesta tecla bate o prefeito de Roma, Walter Veltroni : “Apaixonado conselheiro comunal, “em 1993 esteve entre os protagonistas do corajoso protocolo sobre a política dos rendimentos”. Sergio D’Antoni, ex-secretário da CISL , recorda: “Dois grandes acordos, como os de 92 e 93, foram decisivos para o ingresso da Itália no euro e para superar a crise”.

Bruno Trentin dizia que os trabalhadores nem sempre têm razão. Ao contrário, dizia, eles ‘podem também errar’.” Precisamente por isto Bruno Trentin foi o herege do sindicalismo italiano”, escreve Roberto Mania , em artigo publicado no jornal Repubblica, 24-08-2007.  “Intelectual aristocrático, francês de nascimento (em Pavía, na Gasconha, onde se refugiou o pai Silvio, antifascista) escolheu tornar-se sindicalista, a serviço dos mais débeis, seduzido – como explicou – pela descoberta da “extraordinária vontade de conhecimento e de liberdade da classe trabalhadora”. Poderia também ter sido outro, ele que realizou uma parte dos seus estudos em Harvard. Não foi jamais um fascinador de multidões, como Luciano Lama ou ainda antes Giuseppe Di Vittorio. Nas assembléias, suas longas intervenções improvisadas transformavam-se, com freqüência, numa irrepetível experiência intelectual”, escreve Mania. Enfim, “uma longa viagem entre impiedosas autocríticas e soluções iluminadas – por vezes absolutamente irrealizáveis – repensando Karl Marx e Antonio Gramsci. Nada, com Trentin, era certo ou previsível”. E conclui: “Trentin morreu socialista. E também sindicalista”.

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