Edição 233 | 27 Agosto 2007

“Temos medo e não sabemos do quê”, afirma Matt Damon

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Matt Damon, em entrevista publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, 24-08-2007, afirma:

“O fato é que ele (Jason Bourne) não sabe por que matava. Não sabe para que tipo de pessoas da CIA trabalhava. Mas sabe que há algo errado e quer descobrir o porquê disso. De certa forma, esse mal-estar dele diz muito sobre nosso mal-estar atual. Temos medo e não sabemos do quê. E digo isso muito como cidadão norte-americano. Lutamos, lutamos e a grande maioria dos americanos não sabe contra o que exatamente”.

Jason Bourne (Matt Damon), “imerge no mundo contemporâneo, um mundo, esse sim, sem respiração ou pontos de ancoragem. Ele é um personagem atormentado, que vaga como um bólido por diversos cantos do mundo global, Estados Unidos, Rússia, França, Espanha, Marrocos, Inglaterra, Alemanha, como um fantasma de si mesmo. O que Bourne persegue? Seu eu, nada menos do que isso. Ao mesmo tempo em que persegue, é perseguido, pois tornou-se perigoso”, comenta Flávia Guerra no jornal O Estado de S. Paulo, 24-08-2007.

Segundo ela, “usando técnica totalmente não discursiva, Greengrass apresenta sua visão complexa do mundo. Assim como em seu United 93 os seqüestradores não eram mostrados como demônios desmiolados e fanáticos, em O ultimato Bourne, o mundo não se dividide entre heróis e vilões. Greengrass fala de agências governamentais, a CIA, no caso, que se tornam criminosas pelo excesso de poder, e fala também de agentes que entram no coração da besta e depois não sabem mais como sair dele.

Mas este não é mais o mundo da guerra fria, em que os dois campos em conflito podiam achar-se a fonte de todo o Bem e deslocar o Mal para o lado oposto. Embaralhou tudo. E O ultimato Bourne discute, entre outras coisas, essa ausência de porto seguro e perda da identidade - que, por paradoxo, torna-se dominante num tempo de individualismo exacerbado”.

“Ainda que baseada na novela de Robert Lundlum, o monstro do thriller conspirativo, o filme tem pouco ou nada a ver com os livros originais”, escreve Rodrigo Fresán, em artigo publicado no jornal argentino Página/12, 26-08-2007. “Mas essa liberdade de adaptação, longe de ser negativa, permite que a saga evada as marcas de uma época passada e se converta o espia amnésico num herói perfeito em tempos de terrorismo internaciona. Há algo na saga que toca o americano médio, desde aquela manhã de 1963, em Dallas, e que manteve Lundlum no mais alto: a idéia de que tudo o que nos dizem pessoas como Dick Cheney  e Donald Rumsfeld  (perfeitos seres ludlumitas) não é, totalmente, correto. Daí que Bourne, nascido no início dos anos 1970, filho de Watergate e da Guerra Fria, equivale à revanche que desmascara. Assim, emociona que neste filme, Bourne deixe de ser o perseguido para se converter no perseguidor”.

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