Edição 229 | 30 Julho 2007

“A vida e o ser humano estão acima do capital”

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

IHU Online

“Um dos eixos norteadores da Economia Solidária é a autogestão, a cooperação e a solidariedade”, afirma a Irmã Lourdes Dill. Ela aponta as pequenas iniciativas como importantes contribuições na geração de trabalho e renda nas cidades, e diz que a Economia Solidária “cresceu muito nos últimos anos no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo inteiro”.

Lourdes Dill coordena a Feira de Economia Solidária, além do Projeto Esperança/Cooesperança, desenvolvido pela Diocese de Santa Maria (RS), juntamente com a Cáritas Regional – RS. O Projeto, que funciona desde 1987, articula e congrega experiências da referida economia popular e solidária, no meio urbano e rural. Apóia-se no associativismo, buscando construir um modelo de cooperativismo autogestionário.

Sobre esse tema, Lourdes Dill concedeu outra entrevista à IHU On-Line, em 13 de setembro de 2004, na Edição 115, intitulada Economia social e consumo ético. A entrevista Produzir e consumir de maneira solidária e ética pode ser conferida no sítio do IHU (www.unisinos.br/ihu).  Irmã Lourdes Dill também foi entrevistada em 5-3-2007, semana da morte de Dom Ivo Lorscheiter. A entrevista Dom Ivo Lorscheiter morreu. Ele foi um gigante da esperança está disponível no sitio do IHU.

Confira a entrevista para esta edição, concedida por Lourdes Dill à IHU On-Line, por e-mail:

IHU On-Line - O que significa o Projeto Esperança/Cooesperança para a região de Santa Maria?
Lourdes Dill -
O projeto Esperança/Cooesperança, na  região  de  Santa  Maria , significa  a  força  e o símbolo  de Economia  Solidária, pois são 27 anos de estudo e reflexão e 20 anos de prática ininterrupta que faz de Santa Maria uma força promissora no fortalecimento da Economia   Solidária do Brasil e da  América Latina. Este trabalho tem um apoio histórico  e  importantíssimo de Cáritas Brasileira -  RS e de muitas entidades parceiras, como  a  UNISINOS, UFSM,  UNIFRA  entre  outros. 

IHU On-Line - De que maneira a Economia Solidária contribui para a construção de uma sociedade igualitária? De forma concreta, essa política está ajudando a diminuir as desigualdades sociais e a concentração de renda monopolizada? Como isso ocorre?  
Lourdes Dill -
A Economia Solidária contribui muito na construção dos  movimentos  sociais   e num  novo  modelo  de desenvolvimento  solidário e sustentável. As políticas que contribuem, de forma efetiva, para diminuir as  desigualdades sociais, são a força de organização  do povo,  a autogestão, a produção coletiva e ecológica, a forma de tratar o meio ambiente e a  distribuição  justa  dos  bens  produzidos  pelos  trabalhadores/as  do  campo e da cidade. Um dos eixos norteadores da Economia Solidária é a autogestão, cooperação e a solidariedade, em que a vida e o ser humano estão acima do capital. As pequenas iniciativas multiplicadas no Brasil e no mundo contribuem muito na geração de trabalho e renda no campo e na cidade. Por isso, fortalece esta proposta, repetida por um importante provérbio africano que afirma: “Muita gente pequena, em muitos lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, mudarão a face da terra”.

IHU On-Line - Como a Economia Solidária se relaciona com outros movimentos sociais?
Lourdes Dill -
A Economia Solidária e os movimentos sociais se articulam e atuam de forma integrada e integradora. É um movimento que cresce a cada dia em Santa Maria, no Brasil e no mundo. É um movimento interativo, solidário, autogestionário e transformador, envolvendo e congregando muitas pessoas. São mais de 18 empreendimentos no Brasil.

IHU On-Line - Qual é o papel da Igreja na concretização da Economia Solidária?  
Lourdes Dill -
Em Santa Maria, a Igreja e Ecumenismo tem um papel muito importante desde o início. Na cidade, a Economia Solidária iniciou com apoio da Igreja Católica, através do saudoso Dom Ivo Lorscheiter .

IHU On-Line - De que maneira os governos têm favorecido as iniciativas do Projeto Esperança / Cooesperança?
Lourdes Dill -
Nos últimos anos, o Governo Municipal e o Governo Federal  têm  sido   grandes  parceiros dentro da Economia Solidária, por meio de projetos pontuais, através da SENAES (Secretaria Nacional de Economia Solidária), do Programa Nacional de Feiras, da Agricultura Familiar e do  MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário), entre outros.        

IHU On-Line - Numa entrevista concedida à IHU On-Line, em 2004, a senhora disse que a EPS é um dos caminhos promissores para muitos países, e que ela contribui de maneira significativa para a geração de trabalho e renda para trabalhadores/as. Por que a senhora classifica a EPS como um dos caminhos promissores para vários países? Como a senhora reavalia a EPS, três anos depois?
Lourdes Dill -
A Economia Solidária cresceu muito nos últimos anos no Rio Grande do Sul, no Brasil e no mundo inteiro. As políticas públicas se fortalecem hoje, através da Secretaria Nacional de Economia Solidária (SENAES), dos Fóruns Sociais Mundiais, de feiras, de  Cursos  de  Formação e de todas atividades  interativas que  contribuem  de forma  significativa neste  trabalho como  um  todo. Esse é o modelo de desenvolvimento do futuro do Brasil e do mundo.

IHU On-Line - Como a senhora avalia os resultados da feira de Santa Maria?      
Lourdes Dill -
Os resultados  da  Feira  de  Santa  Maria,  já  nas  edições passadas, nos últimos  anos, têm melhorado de  forma  muito promissora. É um projeto  de muito futuro  inspirado  no Fórum  Social  Mundial e fortalece “Um outro mundo possível”. Existe uma frase do provérbio chinês que nos motiva a trabalhar de forma autogestionária, organizativa e transformadora. “Se quiseres fazer planejamento para um ano, plante cereais; se quiseres fazer planejamento para trinta  anos, plante árvores; se quiseres fazer planejamento para cem anos, organize e motive a organização do  povo”. 

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição