Edição 227 | 09 Julho 2007

Eder Paulo Miotto

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IHU Online

Ele vive no mundo dos cálculos, mas faz de sua profissão um meio para fazer deste mundo um lugar melhor. O professor Eder Paulo Miotto, das Ciências Contábeis da Unisinos, abriu o livro da sua vida para a redação da revista IHU On-Line. Confira, a seguir, os principais passos da trajetória deste gaúcho nascido em Severiano de Almeida, mas que hoje já se considera cidadão leopoldense.

 

Origens e família – Minha terra natal se chama Severiano de Almeida, que fica perto de Erechim. Meus pais e toda minha família eram de agricultores: viviam da lavoura. O pai e a mãe moram lá até hoje. Tenho uma irmã mais velha, que mora em Erechim. Saí de casa cedo, para estudar num colégio interno em Sertão, próximo a Passo Fundo. É uma escola agrotécnica para rapazes. Fiquei três anos lá, dos 15 aos 18 anos. Ia para casa uma ou duas vezes por mês, para passear. Depois disso, tive uma experiência de alguns meses no Paraná, em uma cooperativa, aplicando os conhecimentos adquiridos na escola agrotécnica.

Formação – Quando terminei o ensino médio no colégio interno, voltei para casa, prestei vestibular e ingressei na faculdade de Ciências Contábeis na Universidade Regional Integrada (URI), de Erechim. Sempre gostei da área empresarial e de finanças. Em 2000 entrei para o mestrado em Ciências Contábeis, na Unisinos, concluído em 2002.

Trabalho – Comecei minha vida profissional em 1992. Meu primeiro emprego formal foi no Hospital de Caridade, de Erechim. Trabalhei um tempo no Pronto-Socorro, uma experiência interessante, onde se via de tudo. Logo em seguida, passei para o setor administrativo do Hospital. Nesse meio tempo eu ainda estudava. Então, me mudei para Erechim, para a casa da minha irmã, para não precisar mais viajar todos os dias. A partir disso, as coisas começaram a evoluir e passei a receber vários convites de trabalho. Depois de dois anos e meio trabalhando no hospital, um professor do curso da graduação me convidou para trabalhar em uma revenda de automóveis, onde tive a oportunidade de mergulhar na área financeira. Lá, fiquei por mais três anos. Quando concluí a graduação, um novo convite surgiu: assumir o departamento contábil de uma indústria. Foi quando botei o pé na minha profissão definitivamente. É o grupo empresarial e familiar Ouro Verde, composto por indústrias de erva-mate, embalagens, papel entre outros. Mais ou menos na mesma época, um de meus professores da graduação, que é meu amigo até hoje, me indicou para ocupar uma vaga que ele estava deixando: a de professor no curso técnico em contabilidade da Escola Técnica Instituto Barão do Rio Branco, de Erechim, uma escola anglicana. Um mês depois da minha formatura, no início de 1996, comecei a lecionar. Foi aquele susto: “como assim dar aulas?”, eu pensei. Depois do período de adaptação e das “dores de barriga” iniciais, achei muito bom que isso aconteceu, pois nunca mais parei de lecionar, desde então. Trabalhei durante um tempo em uma indústria de fundição, na controladoria. Alguns anos depois, já durante o mestrado, surgiu o convite para lecionar na PUCRS, onde trabalhei até 2004, quando assumi mais atividades na Unisinos. Esse tempo todo, paralelamente, prestava consultoria a algumas empresas, o que faço até hoje. Em 2001, a Unisinos me chamou para trabalhar em seu programa de extensão e em 2002 passei a lecionar na Universidade, nas disciplinas que envolvem as áreas de contabilidade, finanças e custos. Desde 2005, coordeno o MBA em Controladoria.  Ser professor é ter certeza de que a gente aprende mais do que ensina.

Casamento e planejamento familiar – Casei-me em março de 2001 com a Genossi, que é conhecida como “Ge” e é de Erechim. Nos conhecemos na faculdade, em 1995. Moramos por três meses na nossa casa nova, em Erechim, quando surgiu o convite para eu trabalhar na Unisinos. Não pensamos duas vezes: viemos para São Leopoldo, vendemos a casa e compramos um apartamento no Bairro Rio Branco, onde moramos hoje. A Ge também fez mestrado em Ciências Contábeis na Unisinos. Hoje ela leciona em uma faculdade em Cachoeirinha. Ter filhos é nosso próximo projeto. Queremos constituir uma família.  

Autor – Eliyahu M. Goldratt.

Livro – A Meta. Um processo de melhoria contínua, de Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox.

Filme – Um sonho de liberdade, com Tim Robbins e Morgan Freeman.

Lazer – Gosto das longas caminhadas com a Ge nos fins de semana, e ler as revistas que assino.

Política e Brasil – Lamentavelmente, nosso país não está aproveitando o momento econômico global. Está deixando o trem passar. É difícil falar em competência de gestão, porque nunca estive lá para saber como é. Mas, de qualquer forma, sabemos que o país poderia estar se desenvolvendo muito mais rápido se conseguíssemos adequar o nosso modelo de gestão pública. Isso daria mais credibilidade ao País. Me preocupo com essa questão da perda da oportunidade do crescimento econômico. Acredito que isso poderia ser uma forma de acelerar as melhorias sociais.

Sonhos e planos – Além da idéia de colocar em prática o planejamento familiar, sonho em conseguir criar uma situação estável de vida, poder continuar atuando na docência, seguir aprendendo com isso e poder evoluir nessa área de gestão de empresas. Além de uma forma de me sustentar, o que me cativa no meu trabalho é saber que estou contribuindo para a formação de pessoas. Da mesma forma, quando consigo contribuir para o sucesso de uma empresa também é gratificante. Também sonho com uma sociedade em que a gente não precise se preocupar a cada vez que sai na rua. Seria ótimo ver pelo menos parte dos problemas sociais resolvidos. Tenho como missão fazer a minha parte para contribuir nessa luta pela melhoraria do mundo.  

Unisinos – O ambiente aqui é muito bom, a Universidade me cativou, em todos os sentidos, tanto pelo ambiente físico, quanto pela relação com as pessoas. Aqui paira o clima de liberdade com responsabilidade. Aprendemos muito os valores que a instituição transmite. É muito bom trabalhar aqui.

Instituto Humanitas Unisinos – O Humanitas é a cara da doutrina da Unisinos e dos princípios que a Universidade defende. O vejo como um instituto do desenvolvimento dos valores humanos dentro da Unisinos. Mesmo à distância, acompanhamos as suas atividades. Ainda temos muito a aproveitar do IHU.

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