Edição 225 | 25 Junho 2007

Jairo Henrique Rogge

close

FECHAR

Enviar o link deste por e-mail a um(a) amigo(a).

IHU Online

Natural de Taquara, interior do Rio Grande do Sul, Jairo Rogge tem na pesquisa o foco de seu trabalho. Começou como bolsista no Instituto Anchietano de Pesquisas, enquanto cursava Geologia. Depois de formado, ainda cursou o mestrado e o doutorado na área das Ciências Humanas, em História. Hoje, aos 42 anos, além de pesquisador da Unisinos, é professor na graduação e professor colaborador no PPG em História. Morador de São Leopoldo, Jairo aproveita suas horas livres lendo, assistindo a filmes em casa e tocando contrabaixo, que aprende há alguns anos. Conheça um pouco mais de Jairo Rogge na entrevista a seguir.

Origens - Nasci em Taquara, Rio Grande do Sul. Sou de uma família pequena, formada por meus pais e uma irmã mais nova. Minha mãe foi pedagoga em escolas de ensino Fundamental e Médio e meu pai foi funcionário público federal. Ambos, hoje, estão aposentados.

Infância - Tive uma infância normal para uma criança no interior, com muita liberdade, brincando na rua. Jogava futebol, corria, andava de bicicleta. Ainda hoje, Taquara é uma cidade tranqüila, onde se pode fazer esse tipo de atividade.

Estudos - Cursei o Ensino Fundamental no Colégio Santa Terezinha, dirigido por freiras e bastante conhecido na região. O Ensino Médio foi de técnico em eletrônica na Escola Monteiro Lobato. Mudei mais por meus amigos terem migrado para essa escola do que por aptidão na área. Não era um caminho que eu iria seguir. Fiz o curso de forma tranqüila, e tive um aprendizado interessante.

Trabalho - Depois de formado no Ensino Médio, minha primeira experiência de trabalho foi no SPC – Serviço de Proteção ao Crédito. Trabalhei nele por quase um ano. O trabalho não tinha relação com a minha formação em eletrônica nem com o que eu imaginava que iria fazer na minha carreira, mas foi um lugar onde aprendi a lidar diretamente com as pessoas e fiz muitas amizades.

Arqueologia - Desde pequeno, sempre tive uma atração muito grande pela Arqueologia. Em Taquara, encontra-se o Museu Arqueológico do Rio Grande do Sul. Por meio de um amigo arqueólogo, comecei a fazer uma espécie de trabalho voluntário nesse museu, em 1984. Por meio do Museu Arqueológico, eu fiz meu primeiro trabalho de escavação, em 1985. Meu amigo arqueólogo do museu era bolsista no Instituto Anchietano de Pesquisas  na Unisinos, e, por meio dele, conheci o Instituto e o Pe. Pedro Ignácio Schmitz . Nesse mesmo ano, comecei com uma bolsa de iniciação científica no Instituto Anchietano de Pesquisas.

Geologia - Nessa época, outro amigo, que estudava na Unisinos, falou-me do curso que ele fazia, Geologia, e isso me interessou. Através dele, conheci e iniciei a graduação no curso, na Unisinos.

Pesquisa - Passei a minha graduação como bolsista de iniciação científica. Depois de formado, em 1991, fui contratado pela Universidade, como funcionário e pesquisador no Instituto Anchietano de Pesquisas. Nessa época, comecei a cursar o mestrado, mas na área das Ciências Humanas, em História. Em 2000, comecei o doutorado, concluído em 2004, também em História. Todo o trabalho que fiz em pesquisa foi na Unisinos, tendo o Pe. Pedro Ignacio Schmitz como um grande mentor intelectual e companheiro.

Professor - Em 1996, comecei como professor na graduação em História da Unisinos. No começo, assustei-me um pouco por não ter muita experiência, mas tive um apoio fundamental do setor pedagógico. Hoje ainda leciono na graduação em História, voltado mais para as áreas da Arqueologia, da História Antiga e um pouquinho de Pré-História da América. Desde 2006, faço parte do PPG em História da Unisinos, como professor colaborador.

Esportes - Eu costumava jogar futebol de salão com os alunos e amigos da Unisinos semanalmente. Faz dois anos que não faço isso, por falta de tempo.

Cinema - Assisto muito a filmes na televisão e DVDs.  Prefiro os filmes que se convencionou chamar de cult. Gosto muito do cineasta russo Andrei Tarkovski : me fascina a filmografia dele. Outros diretores dos quais eu gosto são Stanley Kubrick e, mais recentemente, Quentin Tarantino.

Música - Gosto muito de escutar música. Há alguns anos, comecei a tocar e ter aulas de contrabaixo.
 
Futuro - No plano do trabalho, quero dar cada vez mais continuidade à pesquisa e à docência. No plano pessoal, tenho o sonho de que a pesquisa que fazemos da Pré-História do Brasil seja mais divulgada e conhecida pelas pessoas. Tentamos contribuir para esse conhecimento, fazendo com que o nosso trabalho signifique algo na sociedade brasileira moderna.

- Sou católico, mas pratico de um modo mais pessoal. Porém, uma vez por mês, às sextas-feiras, vou à missa que é celebrada na Antiga Sede da Unisinos.

Política - Tudo que estamos vendo em termos de corrupção na esfera política não é novo. Quem conhece um pouco da história do Brasil sabe que isso é quase que endêmico. A corrupção parece estar ligada ao “jeito” brasileiro. Vemos que no período colonial, no Império e na Primeira República isso sempre aconteceu. Estamos vendo, hoje, a continuidade de um processo muito mais longo e complexo do que parece. Isso não significa que devemos assistir a isso de forma impassível, correndo o risco de banalizar o problema. De alguma forma, é necessário tratar essa “doença”, e o remédio parece-me que deve vir de certos setores e movimentos sociais. Educação de qualidade, por exemplo, é fundamental.

Unisinos - Embora existam muitas diferenças entre a Unisinos de hoje em relação àquela em que comecei a freqüentar, em 1985, a Universidade se tornou o meu ambiente de trabalho; não conheço outro. Toda a minha trajetória como aluno, pesquisador e professor desenvolveu-se na Unisinos. Sempre recebi aqui todas as condições para desenvolver o meu trabalho.

IHU - O Instituto Humanitas Unisinos tem uma função relevante e fundamental, que é promover a integração da Universidade com a sociedade. Com a promoção dos eventos e discussões, há um movimento constante, que se reflete fora da Unisinos. O IHU é hoje uma das portas de entrada da Unisinos.

Últimas edições

  • Edição 546

    Diálogo interconvicções. A multiplicidade no pano da vida

    Ver edição
  • Edição 545

    Cultura Pop. Na dobra do óbvio, a emergência de um mundo complexo

    Ver edição
  • Edição 544

    Revolução 4.0. Novas fronteiras para a vida e a educação

    Ver edição