Edição 288 | 06 Abril 2009

IHU Repórter - Guacira Loreliz Motta e Silva Kessler

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Bruna Quadros e Graziela Wolfart

“Sou realizada e feliz por ter tido a sorte de escolher uma atividade que eu realmente amo. Embora pareça que eu esteja trabalhando muito, eu nunca me sinto assim, porque adoro ensinar.” É assim que se define a professora Guacira Loreliz Motta e Silva Kessler, ex-docente de língua inglesa no Instituto de Idiomas Unilínguas, da Unisinos. Na conversa que teve com a redação da IHU On-Line, ela abre seu “livro de memórias” e conta a nossos leitores e leitoras trechos marcantes de sua trajetória, além de falar sobre suas preferências. Saiba um pouco mais sobre a mãe de Rafael, Mariana e Martha.

Origens e infância - Nasci em Porto Alegre, mas moro em São Leopoldo desde 1972. Meu pai, falecido no ano passado, foi vendedor de produtos da Atlantic, uma companhia de petróleo americana. E minha mãe era dona de casa, uma mulher muito dinâmica. No sítio do meu avô, ela desenvolveu um tambo de leite, um arvoredo e um aviário. O que eu levo de exemplo dos meus pais é honestidade e comprometimento. Como meu pai se chamava Luiz e minha mãe Lorena, meu nome ficou Loreliz. Tenho uma irmã, que é um ano e meio mais moça do que eu, a Léssie, nome escolhido pela minha avó. Minha infância foi muito boa. Íamos para esse sítio do meu avô que mencionei, e lá a gente pescava, andava no mato, olhava as cobras, fazia roupinha de boneca e jogava jogos com nossos pais à noite. Era muito bonito.

Formação - Sempre gostei de estudar. Fui até presidente do Grêmio Estudantil do Colégio Americano, onde iniciei minha formação. Depois estudei no Colégio Aplicação, onde fiz o Curso Clássico. Então, quando tinha 18 anos, fui morar por um ano nos Estados Unidos, onde concluí o terceiro ano. Com o diploma na mão, ingressei na UFRGS para fazer a faculdade de Letras. Na Unisinos, fiz especialização em Línguas Estrangeiras.

Trabalho - Aos 19 anos, quando voltei dos Estados Unidos, já comecei a trabalhar, dando aulas de inglês no Yázigi, em Porto Alegre, durante 15 anos. Depois vim para São Leopoldo. Comecei, então, a dar aulas no Colégio Sinodal, onde também trabalhei por 15 anos. Certo dia, recebi a proposta de um colega professor, que estava envolvido na fundação do Instituto Unilínguas, aqui na Unisinos. Foi quando entrei na universidade, onde trabalhei por 12 anos. 

Casamento e família – Conheci o meu marido, Sérgio, e casei aos 23 anos. Ele é engenheiro metalúrgico, formado nos Estados Unidos. Temos três filhos. O Rafael tem 40, a Mariana tem 39, e a Martha tem 29. E eles já nos deram quatro netos: o Gabriel e a Laila moram em São Paulo, na cidade de Lins, são filhos da Mariana e têm 12 e 8 anos respectivamente. Aqui em Porto Alegre têm os filhos do Rafael; a Cacá tem 10 e o Felipe, 8 anos. A família é o que traz a harmonia para a nossa vida.  

Sofrimento e lição de vida – Num determinado período de nossas vidas, após uma tentativa do meu marido de abrir um negócio próprio fomos morar em Passo Fundo-RS, durante cinco anos. Foi um período difícil, pois não deu certo e perdemos tudo o que havíamos adquirido até então, do ponto de vista material. Eu achei que não podia estar pior. Foi quando minha filha mais nova, com quatro anos de idade, apareceu com um câncer no cérebro. Foi horrível, mas ela se recuperou. E o que recebemos de apoio dos amigos, foi incrível. A doença dela me ajudou a ver a vida por outro ângulo. O apoio das pessoas foi fundamental, porque não tínhamos nenhum dinheiro e uma menina doente. O dinheiro era o que menos importava, a gente queria salvá-la. Quando ela ficou boa, nossos amigos ocuparam duas igrejas junto conosco, pois queriam agradecer pela cura dela também.

Lazer – Adoro mexer no jardim, gosto de caminhar e de ouvir música e amo estar com minha família.

Viagens internacionais – Eu e meu marido viajamos juntos para rever a família que me hospedou nos Estados Unidos, e amigos do Canadá que tinham vindo nos ajudar aqui, na época da empresa. E, depois disso, acompanhei grupos de alunos, o que foi uma experiência espetacular, para o Canadá e para a Inglaterra. Também conheço a Holanda, França, Portugal, Espanha e México.

Autora – Lya Luft. Ela mexe muito comigo e parece escrever tudo o que eu quero dizer.

LivroPerdas e ganhos.

Política nacional – A política tem uma força muito grande e nos rege sobremaneira. Não devia ser tão forte. Devíamos poder ter mais livre iniciativa, sermos mais responsáveis. A política deveria se preocupar primeiro com a educação, que está sendo deixada de lado há muito tempo. Enquanto não tivermos uma forte ênfase na educação, ficará muito difícil de organizar o país. Essa é uma falha muito grande.

Um sonho – É muito vago dizer que quero ser feliz e, sendo feliz, quero ver minha família em harmonia. Talvez seja esse meu sonho.  

Unisinos – Tenho um conceito muito bom da Unisinos. Eu vibrava com a liderança do maestro José Pedro Boéssio, e achava a Unisinos espetacular. Depois passamos por um período de preocupação, mas agora estou muito confiante novamente. Nunca deixei de amar meu trabalho. Recentemente assisti a uma apresentação do PEI e do Baturidança e senti orgulho, alegria de ver o trabalho social desenvolvido pela Universidade.

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