Edição 279 | 27 Outubro 2008

Perfil Popular - Danilo Caetano

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Bruna Quadros

O Perfil Popular desta semana é Danilo Caetano, 55 anos, que integra o grupo Artecouro, em São Leopoldo, o qual trabalha nos princípios da Economia Solidária. Com apenas um ano de vida, Danilo perdeu o pai. Foi com a sua mãe, pessoa pela qual ele demonstra muito carinho durante a entrevista, que ele aprendeu a ser honesto e a respeitar as pessoas. Hoje, seu maior sonho é ver sua empresa de artefatos em couro, novamente, em atividade. Confira, a seguir, a história de vida de Danilo:

 

“Fui criado sem pai. Quando eu estava com um ano de idade, ele faleceu. Enfrentei grande dificuldade, desde a minha infância para sobreviver.” Assim, Danilo Caetano, natural de São Leopoldo, começa a contar sua trajetória de vida para a revista IHU On-Line. Ele conta que seu pai era soldador na empresa Amadeo Rossi, em São Leopoldo, fabricante de armamentos. Sua mãe, também já falecida, trabalhou na indústria de borracha, durante 32 anos. Foi com esta profissão que ela criou os quatro filhos – três do primeiro casamento e um do segundo, sozinha e com dificuldades.
Desde que nasceu, Danilo mora no bairro Rio dos Sinos, em São Leopoldo. Ele recorda que, antigamente, era muito bom ser jovem. “Hoje, as dificuldades são maiores. Mas tive uma boa infância, dentro das condições que eu tinha.” Apesar de ter ficado viúva aos 26 anos e ter os filhos para criar, a mãe foi e ainda é uma grande referência para Danilo. “Ela conseguiu dar um exemplo de honestidade, além de nos passar o valor do convívio com respeito e do trabalho.”

Danilo conta que nunca foi reprovado na escola. No entanto, após concluir o Segundo Grau como técnico em Administração de Empresas, parou de estudar porque se casou, aos 21 anos. “Sou separado e tenho cinco filhos. Deixei de seguir meus estudos para ter a minha família. Não prosperei em crescimento e atividade, nem fiquei bem financeiramente, mas, sim, comigo mesmo. Sinto-me realizado. Meus filhos não poderiam ser melhores, porque nenhum deles é motivo de vergonha para mim. Sou feliz por isso.”

Na trajetória profissional, Danilo conta que teve vários empregos e, durante muitos anos, trabalhou na mesma empresa por onde seu pai também passou, a Amadeo Rossi. “Por último, eu tinha uma empresa de pequeno porte, segmentada em calçados e artefatos em couro. No momento, ela está inativa.” Atualmente, Danilo trabalha com artesanatos em couro, no grupo Artecouro criado em 2005. “Ainda faço calçados e bolsas, porém, sem funcionários. Meu grande objetivo é montar uma firma que funcione no sistema de auto-gestão, com pessoas que trabalhem buscando, além do seu fortalecimento, o benefício de todos.” Com o trabalho, Danilo já esteve fora de São Leopoldo, em algumas oportunidades. “Quando me separei, fui tentar a vida no Mato Grosso. Fiquei lá por 30 dias, porque o mercado não era viável. Ao retornar, fui morar em Cruz Alta, no interior do Estado. Desta vez, sim, levei a indústria para lá, onde fiquei por dois anos. Achei que lá daria certo, mas não foi o caso.”

Com a falta de oportunidades em outras cidades, Danilo retornou para São Leopoldo.  “Só tive custos e, ao invés de crescer, estabilizei.” No entanto, ele avalia que a experiência foi positiva. “Talvez, se eu não tivesse ido para fora de São Leopoldo, eu não teria tido essa vivência, mesmo que não tenha tido retorno positivo.” Agora, o maior sonho de Danilo é transformar a sua firma inativa em uma empresa próspera. Ele acredita que ainda tem muito “combustível” para tocar o trabalho. “Procuro primeiro aprender para depois ensinar. Só mandar não fortalece o ser humano.” Para se fortalecer, Danilo tem fé em Deus. No entanto, não segue doutrinas. “Ao invés de pedir para um padre orar por mim, eu mesmo faço.”

Petista, Danilo acredita no governo Lula. “Mesmo vendo os erros e acertos, não sou fanático.” Ele acredita que, na Economia Solidária, há uma série de oportunidades que outras pessoas não têm. “Fico me analisando e vejo que não tenho nada, mas quem realmente não tem nada deveria ser chamado de mágico, porque transforma o zero em um ou dois.”

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