Edição 339 | 16 Agosto 2010

Os fenômenos midiáticos mundiais produzidos por espectadores: a inversão de papéis

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Maíra Bittencourt

 

Foi inventado até que Frei Galvão, que como se sabe faleceu em 1822, estaria à frente da campanha. Uma sequência de falsas histórias que foram “engolidas” até mesmo por veículos de comunicação como verdade pelo simples fato de existirem na internet. O audiovisual realizado contendo informações da campanha muito auxiliou nesse processo. Um vídeo postado no YouTube, com o título Save Galvao Birds Campaign, fez com que milhares de pessoas acreditassem na história.

Outro exemplo de campanha bem sucedida partindo de paródias com ícones da indústria cultural foi o caso de Lady Gagaúcha, quando o vídeo intitulado “Lady Gaga – Porto Alegre é Demais” atingiu a cerca de 400 mil acessos no YouTube. O sucesso foi instantâneo. A publicação do material ocorreu durante a madrugada de 20 de junho e no dia seguinte já havia milhares de acesso. O sucesso foi tanto que as meninas responsáveis pelo produto foram chamadas a dar entrevista para as maiores redes de comunicação convencional do Estado, além da publicação em veículos de expressão nacional, como a revista Época e nos portais UOL e Terra.
Nesses casos, percebe-se o poder da comunidade, do cidadão comum, em criar, postar materiais e até pautar a grande mídia. O ciclo é simples. Primeiramente eles aparecem na internet e na sequência migram, ou são convocados para as mídias convencionais. Na maior parte das vezes, a autocensura do oligopólio consegue ser furada. O que impressiona é ver que boa parte dos temas abordados são vagos e de pouca relevância. Porém, evidencia-se o quanto, em potencial, a sociedade civil pode fazer a diferença e ser notada por um mundo inteiro. Constatamos o espaço virtual ganhando o status de portador da veracidade, galgando um patamar simbólico que o aproxima da TV e do jornal impresso. As parcelas organizadas da sociedade civil têm uma poderosa arma de mobilização e já é conhecida a forma como acioná-la.

Maíra Bittencourt é é jornalista formada na UcPel, mestranda em comunicação na Universidade do Vale do Rio dos Sinos – Unisinos e participa do Grupo Cepos. Email: <Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.>.

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