Edição 491 | 22 Agosto 2016

Católicos em rede: de ouvintes a produtores da palavra de fé

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João Vitor Santos

Moisés Sbardelotto analisa o “ser católico” em um tempo de ressignificação de locais de fala constituídos a partir da experiência das relações em redes sociais

A Igreja Católica nunca quis ficar atrás em termos de aparatos comunicacionais. Tão logo o rádio se faz veículo, em 1931 é fundada a Rádio Vaticana. Antes, ainda em 1896, um papa já tinha sua imagem registrada em filme. Televisão e internet também foram sendo “dominados” pela Santa Sé com o objetivo de espalhar os princípios do Evangelho pelas mais diversas formas. Porém, como fez em outros lugares, a chegada das redes sociais como meio comunicacional reorganiza relações sociais e políticas. Assim, na Igreja, proporciona uma espécie de realinhamento nesse ofício de “anúncio da palavra”. “Nos processos midiáticos em rede, surge um novo posicionamento dos fiéis, dos ‘leigos’, não apenas como meros ‘ouvintes da Palavra’, mas também como possíveis ‘produtores de uma palavra’ sobre a fé”, explica o doutor em Comunicação Moisés Sbardelotto.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Sbardelotto analisa como essa experiência das redes sociais vai não só mudando a relação entre Igreja e seus fiéis, mas vai também constituindo outro modo de “ser católico”. “Para além de uma prática ritual de fé, emergem práticas comunicacionais midiáticas sobre a religião, que produzem (micro)transformações no próprio catolicismo, cuja construção comum é reivindicada pelos diversos interagentes em rede”, analisa. O pesquisador também reflete como se dá a relação entre a tradição católica — e da Igreja como um todo — e a mudança, a atualização para esse outro momento. “O catolicismo, na era digital, continua se manifestando como historicamente enraizado e institucionalmente estruturado, mas também como simbolicamente fluido e comunicacionalmente ressignificado”, aponta. 

Moisés Sbardelotto, graduado em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, mestre e doutor em Ciências da Comunicação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos - Unisinos, com estágio doutoral na Università di Roma "La Sapienza", na Itália. Autor de E o Verbo se fez bit: A comunicação e a experiência religiosas na internet (São Paulo: Santuário, 2012). 

Foi membro da Comissão Especial para o Diretório de Comunicação para a Igreja no Brasil, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB. Entre 2008 e 2012, trabalhou no Instituto Humanitas Unisinos – IHU. 

No próximo dia 1º de setembro proferirá a conferência “E o Verbo se fez rede”: religiosidades em reconstrução no ambiente digital, na Sala Ignacio Ellacuría e Companheiros – IHU, às 17h30min.

 

Confira a entrevista.


IHU On-Line – Quais as diferenças nas experiências religiosas em ambiente digital na época de sua primeira pesquisa, “E o Verbo se fez bit: uma análise da experiência religiosa na internet” , e na sua recente pesquisa “E o Verbo se fez rede: uma análise da circulação do ‘católico’ em redes comunicacionais online” ?

Moisés Sbardelotto – A pesquisa “E o Verbo se fez bit”, foi realizada em um momento em que as chamadas “redes sociais digitais” ainda não tinham a dimensão que têm hoje. Na época, percebíamos que, com o desenvolvimento cada vez mais acelerado das mídias digitais, a internet passava a ser um ambiente para as mais diversas práticas religiosas. Inúmeros sites vinculados ao catolicismo ofereciam diversas possibilidades de experiência religiosa via internet, fora do âmbito tradicional do templo, mediante serviços e rituais religiosos disponibilizados nas chamadas “capelas virtuais”. Nesses ambientes, além de mera “informação” sobre a religião, também se promovia e se incentivava uma “relação pessoal” com o sagrado no contexto digital, em um novo ambiente de culto. Assim, tentamos compreender como se dá essa “encarnação em bits e pixels” da experiência do sagrado, analisando as interações comunicacionais em rituais online do ambiente digital católico brasileiro, voltados à vivência, à prática e à experienciação da fé. 

Com o passar dos anos, passamos a perceber outros “sinais dos tempos” desse processo de midiatização digital da religião, que apontavam para as diferenças mencionadas na pergunta. De um lado, o então Papa Bento XVI , eleito em 2005, primeiro pontífice de uma era marcadamente digital, mostrava, em suas mensagens anuais para o Dia Mundial das Comunicações Sociais, estar disposto a configurar uma nova presença da Igreja Católica no contexto midiático digital. Os títulos de algumas dessas mensagens já nos dão uma ideia disso: “Novas tecnologias, novas relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade” (2009); “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra” (2010); “Verdade, anúncio e autenticidade de vida, na era digital” (2011); “Redes Sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização” (2013).

A conclusão do papa era, ao mesmo tempo, de uma mudança cultural e de uma defasagem eclesial. Dizia ele: “A profunda transformação operada no campo das comunicações guia o fluxo de grandes mudanças culturais e sociais” (2011), das quais os jovens são sinais e portadores ao habitarem “um mundo digital que, entretanto, para nós, adultos [e também para a Igreja, portanto] muitas vezes parece estranho” (2009).

 

Reforma digital

Assim, com o avanço da midiatização em suas especificidades digitais, vemos que a instituição Igreja se defronta com uma “Reforma digital”, como afirma a teóloga estadunidense Elisabeth Drescher . Trata-se de um processo que envolve ações de acesso, criação, armazenamento, gestão, distribuição e consumo de informações sobre o sagrado voltadas à experiência religiosa, não mais realizadas apenas pelo clero e por peritos teológicos, mas também por fiéis comuns, comunicacionalmente autonomizados e conectados, que se apropriam das mídias digitais para ressignificar publicamente os mais diversos aspectos da vida de fé.

Diante dessa “Reforma digital” vivida no âmbito sociocultural, a Igreja, especialmente nas reflexões papais, se posicionou com o apelo a uma espécie de “Contrarreforma digital”. Alguns exemplos. Na mensagem de 2009, o papa fez um chamado direto aos “jovens católicos”, pedindo-lhes para se sentirem “comprometidos”: “A vocês, jovens, (...) compete de modo particular a tarefa da evangelização desse ‘continente digital’”. No ano seguinte, Bento XVI conclamou especificamente o clero: “Aos presbíteros é pedida a capacidade de estarem presentes no mundo digital”, especialmente diante das suas “perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas” para a missão da Igreja. Assim, o então pontífice católico reconhecia os desafios que a comunicação contemporânea levantava diante da Igreja e convocava seus “quadros” internos (o clero) e também as suas “bases” (os jovens) a um posicionamento e a uma resposta concreta. 

Isso passou a se concretizar em práticas comunicacionais específicas, como em 2011, quando o Papa Bento XVI lançou mundialmente o portal News.va, uma iniciativa da Santa Sé para buscar uma maior inserção da Igreja nas plataformas sociodigitais, como Facebook e Twitter. No evento de lançamento, em uma Sala Paulo VI lotada, o pontífice sentou-se na frente de um táblete, tocou na sua tela e enviou o primeiro “tuíte papal” da história , que, ao mesmo tempo, inaugurou o serviço News.va. O momento foi registrado em vídeo , e, nas imagens registradas, fica clara a curiosidade papal diante da “novidade” da comunicação midiática digital, assim como a dificuldade de manuseio da tecnologia para o envio da mensagem — o seu dedo, quase trêmulo, ao pressionar a tela do táblete, não ativa o software na primeira tentativa.

 

O tuíte papal

Esse tuíte papal, marcado pelo ineditismo e contemporaneidade da modalidade comunicacional, detinha um relevante caráter histórico entre os principais gestos comunicacionais da Igreja Católica ao longo da história — talvez comparável à primeira imagem registrada em filme de um papa, Leão XIII , em 1896; ou à primeira transmissão da voz papal no rádio, em 1931, quando foi fundada a Rádio Vaticano por Pio XI ; ou mesmo à primeira transmissão de imagens papais na televisão, em 1949, com Pio XII ; ou ainda ao primeiro e-mail enviado por um papa, João Paulo II , com uma mensagem internet aos bispos da Oceania, em 1995. 

A ideia parecia ser a de mostrar que, embora guardiã de uma tradição multissecular, a Igreja também conseguia falar as novas linguagens e “traduzir a tradição”, como afirma o teólogo italiano Andrea Grillo , nas modalidades comunicacionais contemporâneas. E assim chegamos a 2016, com a inauguração da primeira conta pontifícia no Instagram, @Franciscus, em que um pontífice adentra um ambiente cujo lema é construir “um mundo mais conectado através das fotos”. Essa missão “externa”, portanto, é assumida pelo pontífice nesse gesto comunicacional.

 

A forasteira

Contudo, em tais ambientes “seculares”, sem qualquer vínculo direto com o contexto religioso, isso significa, para a instituição e sua hierarquia, abrir mão do seu poder de controle sobre a construção de sentido sobre o papa e o catolicismo, pois, agora, é necessário obedecer a protocolos outros, indicados por instituições outras (as empresas Facebook, Twitter, Instagram) e pela complexidade da sociedade em conexão, em um processo em que as pessoas também vão moldando os protocolos de suas interações (como uma espécie de “etiqueta comunicacional” própria de cada plataforma). A Igreja Católica, portanto, adentra aos poucos, como “forasteira”, em um “território midiático” que não é mais o próprio, mas possui suas próprias regularidades, que, ao emergirem de modo complexo, vão além da possibilidade institucional eclesial de geri-las de acordo com seus interesses.

 

O sagrado em circulação

Nesse contexto, vão surgindo também inúmeras outras expressões públicas sobre o catolicismo nas plataformas sociodigitais, seja mediante tuítes, postagens, comentários e compartilhamentos; seja ainda pela criação de grupos e páginas públicas em tais plataformas dedicadas ao catolicismo, sem vinculação institucional, por parte de pessoas comuns, a partir dos mais variados pontos de vista, sem qualquer vinculação oficial com a instituição-Igreja. Assim, criam-se ambientes públicos de circulação de sentidos sobre o catolicismo (potencialmente sem limites de alcance social “massivo”), em que as pessoas “dizem” o catolicismo midiaticamente à sociedade, postando conteúdos diversos (textos, imagens, vídeos) vinculados à tradição e à doutrina da Igreja Católica, indo muito além da mediação tradicional da “grande mídia” (entendida como as corporações midiáticas) também da mediação eclesial tradicional voltada à comunicação. O “sagrado” passa a circular, fluir, deslocar-se nos meandros da internet por meio de uma ação não apenas do âmbito da “produção” eclesial nem só industrial-midiática, mas também mediante uma ação comunicacional dos inúmeros interagentes conectados.

Assim, o sentido do “ser religioso” e do “ser católico” em sociedade, mediante essas novas mediações sociais e comunicacionais, encontra “pontos de fuga” no processo de circulação social, indo muito além (ou ficando muito aquém) dos interesses eclesiais. A instituição eclesial se defronta com uma construção social de sentidos emergentes, em que as pessoas, nos diversos âmbitos da rede, também podem reconstruir sentidos publicamente sobre o catolicismo em grande alcance e velocidade, em nível global, potencialmente. Nos mais diversos âmbitos da internet, portanto, a instituição eclesial e a sociedade em geral falam sobre o catolicismo, retrabalhando, ressignificando, ressemantizando a experiência, a identidade, o imaginário, as crenças, as práticas, a doutrina, a tradição religiosa, atualizando-os a novos interagentes sociais e a públicos ainda maiores, em uma trama complexa de sentidos.

 

O católico em rede

O catolicismo em rede, dessa forma, se manifesta mediante uma diversificada e difusa rede de relações entre símbolos, crenças e práticas vinculados à experiência religiosa católica, à tradição histórica do catolicismo ou à instituição Igreja Católica, aquilo que chamamos de “católico”. Como produto da interação e da comunicação entre os interagentes sobre o catolicismo, é o “católico” que possibilita tal processo de interação e comunicação em rede.

Ou seja, no contexto da nova pesquisa, foi possível perceber que o “Verbo”, além de se “fazer bit”, também flui, desloca-se, circula pelos meandros da internet mediante infindáveis ações de construção de sentido por parte de inúmeros interagentes em conexão. Portanto, para além do caráter privado da fé online analisada anteriormente nas chamadas “capelas virtuais”, desponta hoje, com mais força, o aspecto público do fenômeno religioso em circulação comunicacional na internet. Para além da experiência religiosa específica fomentada pelos sites católicos, manifesta-se agora a experimentação religiosa diversa e difusa nas mídias digitais. Para além de uma prática ritual de fé, emergem práticas comunicacionais midiáticas sobre a religião, que produzem (micro)transformações no próprio catolicismo, cuja construção comum é reivindicada pelos diversos interagentes em rede.


IHU On-Line – Em que medida é possível afirmar que o velho, a tradição, em específico no caso da Igreja Católica, se atualiza através da perspectiva e da lógica de pensamentos e relações em rede? Como se dá esse processo?

Moisés Sbardelotto – Podemos ter uma ideia da dimensão dessa “atualização” resgatando alguns casos recentes desse processo de “Contrarreforma digital”. Desde Leão XIII , em 1896, com a primeira imagem filmada de um papa, passamos a contar com “papas midiáticos”, que encontraram o seu auge em João Paulo II. Em tais casos, a construção de sentido social sobre a persona pontifícia era agenciada pelas operações midiáticas do porta-voz papal, do jornal L’Osservatore Romano , da Rádio Vaticano , do Centro Televisivo Vaticano  ou do site Vatican.va, enfim, das mídias vaticanas. 

Contudo, o avanço do processo de midiatização digital levou a uma grande complexificação desse fenômeno, que encontrou um dos seus marcos no ingresso de Bento XVI no Twitter, com uma conta pessoal própria. Ou seja, não se tratava da conta de um meio de comunicação vaticano (porta-voz, jornal, rádio, TV ou site), mas sim da presença da própria instância máxima do catolicismo — o pontífice — no Twitter. Emerge, assim, o primeiro “papa-mídia”: a conta @Pontifex aponta, ao mesmo tempo, para uma mídia personificada na pessoa de Bento XVI, e para um papa pessoalmente midiatizado em uma plataforma sociodigital. No Twitter, portanto, a mediação comunicacional Igreja-mundo não se dava mais apenas pelas mídias vaticanas ou externas. Agora, o próprio papa passava a ser uma mídia em pessoa, podendo “criar e compartilhar ideias e informações instantaneamente, sem qualquer barreira”, como promete a plataforma. 

Outro caso extremamente rico, do ponto de vista comunicacional, é a reconstrução digital de um evento único na história da Igreja, como a renúncia do próprio Bento XVI. Se “traduzir a tradição” papal ao Twitter já foi uma tarefa árdua, imagine-se a complexidade de traduzir digitalmente uma novidade radical na tradição do papado. É bom lembrar que o mundo ficou sabendo da notícia de antemão via Twitter, porque a jornalista italiana Giovanna Chirri , da agência Ansa, acompanhando a transmissão do consistório daquele 11 de fevereiro de 2013 ao vivo e entendendo o que o papa estava lendo em latim, imediatamente disparou o tuíte que provocaria um abalo em todas as redações do mundo: “B16 renuncia. Deixa o pontificado a partir do dia 28 de fevereiro” .

Com isso, o Twitter se tornou palco de um debate social de nível mundial sobre o acontecimento, em rede. Marcadores nas mais diversas línguas (como #elpapadimite, #pope, #dimissioniPapa, #Joseph Ratzinger, #Habemus Papam, #Pontificado), relacionados à renúncia, logo subiram aos primeiros lugares da lista dos tópicos mais comentados pelas pessoas no Twitter em todo o mundo, os chamados Assuntos do Momento (Trending Topics).

 

Sede Vacante digital e em rede

Depois da saída do papa, coube à Santa Sé reconstruir simbolicamente na plataforma Twitter a “sé vacante digital” do papa. Os tuítes de Bento XVI, então, foram deletados de todas as contas @Pontifex e repassados para um arquivo da página News.va, disponível ainda hoje . Por sua vez, a Santa Sé modificou a interface da conta, alterando a foto do perfil (não mais uma foto de Bento XVI, mas o brasão da sé vacante) e também o nome do perfil (não mais “Bento XVI”, mas “Sede Vacante”). Assim, uma configuração interna da Igreja (a renúncia de um papa e o trono vazio) foi ressignificada no ambiente digital: a “sé digital” da Igreja também passava a estar vaga.

Contudo, mesmo com a renúncia do papa, a sociedade em geral, na circulação sociocomunicacional no Twitter, constantemente reatualizava a imago de Bento XVI mediante os rastros de seus tuítes ainda em fluxo nas interações em rede e mediante referências dos diversos usuários à conta @Pontifex. Nos dias em que ficou desativada, a conta papal, paradoxalmente, permaneceu “ativa” e “ativada” pelos diversos usuários na circulação comunicacional, continuando a agregar seguidores e a congregar circuitos de produção de sentido. O papa não falaria mais no Twitter, mas as pessoas o faziam falar retomando seus tuítes. Assim, embora já “papa emérito”, retirado e aposentado, Bento XVI continuava sendo “@Pontifex”: não havia mais tuítes oficiais dessa conta, mas sim a partir dessa conta e sobre ela, em que os diversos usuários reconstruíam os sentidos já “arquivados” pela Igreja e reforçavam os processos circulatórios na comunicação digital.

Trata-se de apenas alguns casos de um processo muito mais complexo, que reforçam um fenômeno histórico do catolicismo, marcado por “mecanismos de fagocitose que parecem ser parte da identidade católica”, como aponta Pierre Sanchis . No entanto, é preciso atentar aqui para o propriamente comunicacional na construção desses mecanismos no processo de midiatização digital da religião. Mais do que perceber mudanças ou rupturas entre um “antes” e um “depois”, é mais produtivo atentar para o processo comunicacional, mediante mecanismos de “fagocitose da fagocitose” da identidade católica por parte da sociedade em rede.

Nesse processo, o “católico” só é enquanto está sendo, e só permanece porque muda: e essa tensão de uma “estabilidade dinâmica” ou de uma “dinâmica estável” é principalmente comunicacional. Isto é, na fluidez de símbolos, crenças e práticas católicas em rede, o “católico” se manifesta não apenas como ortodoxia (opinião elevada, direita, correta), mas também como heterodoxia (opinião heterogênea, diversa), como um “estar sendo” do catolicismo, sempre em circulação. Isso leva à própria reconstrução do “católico”, como invenção/produção de algo “novo” (construção) e também como experimentação/transformação de algo já existente (desconstrução).


IHU On-Line – Como se dá a interação entre Igreja e fiéis e entre fiéis e Igreja nos ambientes de redes sociais? Em que medida é possível se falar em abertura da Igreja a partir das experiências de interações em rede com os fiéis?

Moisés Sbardelotto – Para entender tais interações, é importante partir do horizonte reflexivo da própria Igreja. Ainda na mensagem ao Dia Mundial das Comunicações de 2013, Bento XVI reconhecia que as mídias digitais “tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade” e percebia nelas “a aparição de uma nova ágora, de uma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade”.

O problema desse processo, segundo o Papa Francisco, em sua mensagem de 2014, é “fechar-se em uma esfera de informações que correspondem apenas às nossas expectativas e às nossas ideias”. Por isso, em termos eclesiais, Bento XVI defendia em 2011 um esforço para dar a conhecer a verdade do Evangelho “na sua integridade” em vez de “torná-la aceitável, talvez ‘mitigando-a’”. Mas como a instituição eclesial pode promover essa “não mitigação da fé”, em meio às diversas e difusas interações comunicacionais em rede?

No seu site institucional , a Santa Sé encontrou uma saída a esse desafio ao não oferecer nenhuma modalidade de intercâmbio pessoal por parte dos visitantes do site, nem qualquer participação pública dos usuários nos conteúdos da página, como comentários ou outras formas de contato online. Nessas páginas, talvez justamente para conservar a sua “integridade”, só estão presentes as versões oficiais e autorizadas da tradição e da doutrina católicas, sem interferências externas. Na página oficial do Vaticano no YouTube , a Igreja Católica também desativou o campo de comentários de cada vídeo. Tal postura também se repete nas páginas do News.va, que não oferece qualquer modalidade de participação pública dos leitores. No Twitter, desde o primeiro dia da presença pontifícia, continua havendo, mesmo com Francisco, somente oito “seguidos” por parte do papa, ou seja, outros usuários de quem o pontífice recebe as atualizações: apenas as oito demais personas linguísticas das próprias contas @Pontifex. Isto é, o papa só segue a ele mesmo.

 

Fechamento e excomunicação

De certa forma, isso leva àquilo que Alexander R. Galloway , Eugene Thacker  e McKenzie Wark  chamaram de excommunication, ou seja, “excomunicação”: a comunicação de que outra comunicação deve cessar, ou não deveria nem existir, ou ainda de que outra comunicação é necessária. Isto é, as páginas institucionais católicas realizam uma “excomunicação” e se fecham a qualquer “perturbação” externa, impedindo outras comunicações em seu interior. Embora o Twitter sugira que a “verdadeira magia” da plataforma está em seguir outros usuários, ao seguirem apenas as suas demais versões idiomáticas, as contas @Pontifex também “excomunicam” outros possíveis “seguidos”, desviando-se dos usos propostos pela plataforma e consolidados pelos usuários. 

Sem dúvida, para toda comunicação há uma excomunicação, e esta também pode se dar mediante uma “não comunicação”, como o silêncio. No caso católico, mesmo havendo a possibilidade de responderem a um tuíte e de participarem de uma conversa no Twitter, as contas @Pontifex nunca estabelecem tais diálogos com outros interagentes em rede, nem mesmo quando a reflexão papal é reconstruída socialmente mediante sentidos fortemente desviantes em relação àquilo que podia ser esperado pela Igreja. Faz-se valer o silêncio pontifício, a escolha imprevista e desviante em relação às práticas comunicacionais e sociotécnicas nesse ambiente online, a excomunicação.

 

Escapes ao silêncio eclesial

Entretanto, as pessoas também encontram “brechas” e “escapes” às excomunicações eclesiais. Em suas postagens, tuítes, comentários e retuítes, elas podem manifestar suas opiniões pessoais publicamente, muitas vezes com conteúdos desviantes ou até mesmo contrários àquilo que foi proposto pela própria instituição. O fluxo comunicacional da circulação, portanto, não se deixa deter ou delimitar por estruturas ou impedimentos quaisquer e, mesmo diante de obstáculos, encontra outros circuitos para a construção de sentido. 

Em conexão, a sociedade se encontra cada vez mais exposta entre si, cada vez mais em relação, com maior frequência e maior intimidade, confrontando opções locais e colocando em debate pontos de vista específicos, mediante a pluralização de opções. Percebe-se aí uma tendência à relativização, em sentido comunicacional e eclesial. A visão de mundo do “outro” conectado a mim é mais facilmente reconhecida, para ser compartilhada ou rejeitada. Em sentido religioso, trata-se da reconstrução do “católico” não de forma “ab-soluta”, isto é, desvinculada, desconectada, mas encarnada em relações, em rede e para além delas. Desse modo, o “católico” emerge como relativo e relacional, para além de qualquer “abertura” ou “fechamento” eclesial institucional.


IHU On-Line – Quais os pontos que mais lhe chamaram atenção na sua observação da ação de grupos católicos em redes sociais? Em que medida reproduzem e em que medida se afastam do comportamento de outros grupos atuantes em redes sociais?

Moisés Sbardelotto – Nossa pesquisa envolveu, dentre outras coisas, um estudo de casos múltiplos (a conta @Pontifex no Twitter; e as páginas Rádio Vaticano – Programa Brasileiro, Jovens Conectados e Diversidade Católica no Facebook), na busca das especificidades de cada caso e das transversalidades entre eles. Portanto, mais do que uma “comparação” entre os grupos católicos ou não em rede, podemos levantar aqui algumas inferências interpretativas que podem ser generalizadas teoricamente a outras situações, sempre levando-se em conta as particularidades próprias de cada contexto.

Dito isso, o que percebemos em nossas análises é que, nos processos midiáticos em rede, surge um novo posicionamento dos fiéis, dos “leigos”, não apenas como meros “ouvintes da Palavra”, mas também como possíveis “produtores de uma palavra” sobre a fé, que é comunicada em rede, deixando de ser “palavra pessoal” para ser “palavra social”, ao entrar no fluxo da circulação comunicacional midiática. Possibilita-se um maior acesso comunicacional à expertise religiosa e uma multiplicação das zonas de contato entre a instituição e a sociedade. A sociedade ressignifica as plataformas sociodigitais como um espaço alternativo para agentes sociorreligiosos ativos, criativos e inventivos, como as minorias e grupos periféricos na Igreja Católica, por exemplo.

Um dos casos analisados em nossa pesquisa, nesse sentido, foi, como dissemos, a página Diversidade Católica  no Facebook. Ela se apresenta como “um grupo de leigos católicos que compreende ser possível viver duas identidades aparentemente antagônicas: ser católico e ser gay, numa ampla acepção deste termo, incluindo toda diversidade sexual (LGBT)” . Trata-se de um caso de autonomização e publicização midiáticas de um “sujeito socioeclesial” específico (o “gay assumidamente católico”), mediante um esforço comunicacional de explicitação pública da existência dessa “comunidade” (como indica a categoria da página no Facebook) de católicos gays brasileiros, superando o isolamento e a invisibilização socioeclesial.

 

A relevância da comunicabilidade do católico

Surge, aí, a possibilidade de passar “da conexão ao encontro, e do encontro à ação”, como aponta Jesús Martín-Barbero . Aí se manifesta a relevância da comunicabilidade do “católico” em rede: para que a diversidade sociocultural em suas múltiplas facetas possa ser eclesialmente levada em conta e assumida, é necessário que ela seja reconhecida por toda a Igreja (não no sentido de aceitar/aprovar/“canonizar”, mas de tomar contato/ver/perceber/saber que existe/ser considerado). Caso contrário, o risco seria o de uma “guetização” não apenas por parte das minorias periféricas do catolicismo, mas principalmente da própria Igreja institucional, na rede e fora dela. 

 

Leigos-amadores

Emergem, assim, “leigos-amadores”, que exponenciam no ambiente digital seus vínculos e suas competências sociorreligiosas preexistentes (ou constituindo-os precisamente de modo online). O leigo-amador, portanto, é um interagente comunicacional não revestido pela oficialidade religiosa nem pela institucionalidade midiático-corporativa — ou, se investido de tais competências, é alguém que age em rede propositalmente desprovido de tais qualificações, sem a necessidade de ostentar publicamente o seu saber-fazer reconhecido pela autoridade. O “católico” em rede passa, assim, por uma “inovação ascendente”, proveniente não apenas da cúpula eclesial, nem somente da cúpula midiático-corporativa, mas sim de bases socioeclesiais conectadas, formadoras e reformadoras do catolicismo, que propagam suas invenções religiosas a redes mais amplas mediante gestos de cooperação comunicacional.

Isto é, no fenômeno da midiatização digital, existe uma “produção comunicacional ubíqua”, que se faz notar não apenas pelas suas maneiras de empregar o que já está “produzido” midiaticamente, mas também pelas suas produções próprias, que circulam em rede. Assim, é possível dizer que, nas práticas religiosas em rede, a possibilidade de “dizer o católico” publicamente, nos ambientes digitais, por parte dos leigos-amadores, é também uma ação propriamente teopolítica de publicização, visibilização, reconhecimento e legitimação de minorias eclesiais ou de crenças e práticas católicas periféricas. E é teopolítica em dois níveis: primeiro, por inscrever a percepção social do “católico” em um espaço midiático mais amplo e público do que a prática religiosa ou a reflexão teológica formais, envolvendo a sociedade em geral; segundo, por possibilitar a construção de processos que ainda não estão plenamente estabelecidos nas relações entre sociedade e religião, nem são plenamente reconhecidos institucionalmente.


IHU On-Line – A partir dessas experiências de exercício da religiosidade midiatizada, é possível se falar em nova forma de professar a fé? Por quê?

Moisés Sbardelotto – Tais práticas parecem estar gerando o desvio e a modificação das relações de sentido religioso, impulsionando a evolução do próprio catolicismo — o que não pressupõe necessariamente um salto de “qualidade” teológica, mas sim um processo de transformação progressiva e gradual de sua percepção, experiência e expressão do catolicismo, mediante a difusão e a ampliação dos saberes-fazeres a ele relacionados. A circulação do “católico” em rede evidencia ainda mais que o catolicismo, como universo sociossimbólico, envolve uma longa “sabedoria” histórica em torno da gestão de antagonismos, negociação de divergências, estabilização de tensões, solução de conflitos, harmonização de diferenças, como aponta Brenda Carranza . E isso tem implicações relevantes para pontos-chave do catolicismo, que vão além do âmbito digital, como identidade, comunidade, autoridade, ritualidade, que, em um contexto de midiatização digital, são tensionadas por um trabalho sociocomunicacional inventivo e criativo.

O que a análise da circulação do “católico” em rede permite afirmar é que a irrupção do novum católico ocorre em condições socioeclesiais específicas, como algo, muitas vezes, marginal, clandestino, desviante, pequeno, modesto, invisível, disperso. Mas a sua transformação, mediante ações comunicacionais de reinvenção e experimentação religiosas, por sua vez, potencialmente, pode também transformar essas mesmas condições socioeclesiais. Por ser um processo em rede, o que acontece aqui e agora pode desencadear outros processos, indetermináveis, em outros “aquis” e “agoras”.

 

Reforma digital: revolução sociocultural

Em suma, se a Reforma Protestante foi uma revolução religiosa que desencadeou uma revolução sociocultural, como explicou Leonardo Boff , podemos dizer que a “Reforma digital” se manifesta como uma revolução sociocultural que está desencadeando uma revolução religiosa. Não estaríamos simplesmente diante de um período entre a extinção de um modelo “oficial” de catolicismo, mas estaríamos perante o “nascimento de uma nova forma social da religião” católica, nas palavras de Thomas Luckmann , com o surgimento de novas formas de percepção, experiência e expressão contemporâneas do religioso católico — um “novo” catolicismo marcadamente midiatizado. 


IHU On-Line – No que as experiências anteriores da Igreja com as mídias, como o rádio, a TV, os veículos impressos, se assemelham e distinguem desse momento de “reconstrução da religiosidade em ambiente digital”, com base nas experiências em rede?

Moisés Sbardelotto – A Igreja sempre despontou, historicamente, como um meio comunicacional complexo, e a aposta e os investimentos feitos naquele que hoje é o seu gigantesco aparato comunicacional são uma prova disso. Porém, o avanço da midiatização revela que o período histórico da “cristandade”, que desautorizava e desvalorizava — “excomunicava” — o diferente, falando sempre o mesmo para os mesmos, vai aos poucos perdendo espaço cultural. Diante da expansão das opções de escolha inerentes à midiatização, a sociedade passa a não se contentar mais com sentidos absolutos: tenta-se continuamente ressignificá-los a partir das culturas locais. Não uma única “aldeia global católica”, parafraseando Marshall McLuhan , mas sim diversas e difusas “aldeias globais católicas”, hoje conectadas.

Nesse processo, o “católico” vai se constituindo não apenas como aquilo que é “enunciado” pela Igreja-instituição e seus representantes autorizados, mas principalmente por aquilo que é “anunciado” pela Igreja em geral, em seus diversos níveis, em suas variadas interações sociais, sendo, portanto, diversa e difusamente posto em circulação, reconhecido e reconstruído. O catolicismo, na era digital, continua se manifestando como historicamente enraizado e institucionalmente estruturado, mas também como simbolicamente fluido e comunicacionalmente ressignificado.

Assim, atualmente, quando os sentidos católicos são cada vez mais reconstruídos e postos em circulação em redes comunicacionais online por uma ação dos diversos fiéis e interagentes que ali interagem, podemos retomar um conceito muito relevante na tradição da Igreja que voltou à tona recentemente com um documento da Comissão Teológica Internacional, intitulado “O sensus fidei na vida da Igreja” (2014). Isto é, com o avanço da midiatização digital, podemos questionar se o catolicismo não pode estar diante da emergência de um “sensus fidelium digitalis”, mediante gestos comunicacionais em rede. Segundo o texto vaticano, o sensus fidei fidelium é justamente uma “realidade comunitária e eclesial” para “discernir a verdade da fé” (n. 2-3), é a “sabedoria católica do povo” (n. 108) que, precisamente pelo fato de os fiéis estarem “sempre em relação uns com os outros” (n. 65), se constitui como processo comunicacional. Se, hoje, a “relação” se dá também e principalmente em rede, é possível inferir que, embora ínfimos, “microbianos”, os gestos comunicacionais em rede não se restringem a um nível “simbólico” etéreo sobre o catolicismo, pois trazem consigo repercussões e desdobramentos nos mais diversos níveis da vida eclesial, a começar pela própria prática religiosa em rede, para além de uma divisão clara entre “conteúdo” e “forma”, instituição e indivíduo, fiel e não fiel. 

 

O comum entre hierarquia eclesiástica e leigos-amadores

Por isso, o “sensus fidelium digitalis” não significaria apenas uma possibilidade a mais para “consultar os fiéis, em alguns casos, no sentido de perguntar a opinião ou julgamento deles” (n. 121), como uma condescendência da hierarquia em relação aos fiéis. Como o documento vaticano deixa entrever, na própria história da Igreja, “muitas vezes não foi a maioria, mas uma minoria que realmente viveu a fé e a testemunhou [...] Por isso, é particularmente importante discernir e escutar as vozes dos ‘pequeninos que creem’” (n. 118). E, como vimos, há diversos “pequeninos” que vão se autonomizando mediante práticas comunicacionais digitais, gerando outras formas de expandir a sua voz no contexto eclesial e também social mais amplo.

Nessas novas formas de constituição e organização do “católico” como sensus fidelium digitalis, emergeria um saber-fazer e um poder-fazer simbólico-religioso compartilhado em redes comunicacionais online, mediante experimentação e reinvenção religiosas. Tais processos deslocariam o papel central não apenas das instituições midiáticas corporativas na construção social de sentido, mas também das próprias instituições eclesiais na promoção de experiências, no estabelecimento de crenças e na configuração de práticas religiosas nas sociedades contemporâneas. A própria teologia, nesse sentido, poderia ser vista não como “razão pura” sobre a fé, mas como “teologia colaborativa”, explorativa, aberta, uma “atividade comunitária que se desenvolve dinamicamente dentro de contextos históricos precisos”, como aponta Antonio Spadaro . Nessa ação, que também é comunicacional, hierarquia eclesiástica e leigos-amadores compartilham um “senso comum” católico que possibilita uma “ação comum” em um “lugar comum” como a internet — na profundidade daquilo que esses conceitos de “comum” tentam expressar.

Diante disso, o desafio, perante a Igreja, mas também diante de toda a sociedade, é assumir um pensamento conexial, que saiba conectar e reconectar aquilo que se encontra separado e desconectado. Um pensamento que permita à Igreja “incluir e integrar em si mesma [...] tudo o que de autenticamente humano oferecem as demais fontes de sentido, presentes na atual sociedade pluralista”, como aponta o teólogo Mario de França Miranda . Assim, o catolicismo pode ser percebido como um universo de sentidos que muda e permanece em comunicação, ou seja, na “organização radical do comum”, segundo Muniz Sodré , em meio à circulação das mais variadas diversidades religiosas.


IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Moisés Sbardelotto – Gostaria apenas de destacar que, com o avanço da midiatização, as mídias e as religiões — dois grandes sistemas sociais simbólicos — passam a encontrar novos desdobramentos, como vimos. Por serem meios de expressão social, mídias e religiões, ao existirem em um ambiente social marcado por novos processos midiáticos, passam a fazer um “trabalho” cultural diferente do que vinham fazendo historicamente. Poderíamos dizer que a própria ruptura de uma distinção clara e evidente entre “mídias” e “religiões” seria, justamente, um dos efeitos da midiatização. Ou seja, a lógica midiática não se sobreporia à religiosa, ou vice-versa: desse encontro, surgiriam — mediante ajustes, conflitos, negociações — lógicas conjuntas e plurais entre mídia e religião, que não são especificamente de “propriedade” de nenhum dos polos. Nessas inter-relações, o midiático não é acessório nem indispensável, e o religioso também não é mero epifenômeno: ambos se articulam de modo complexo. 

Nesse sentido, o “religioso”, de modo geral, seria a manifestação inferencial de que a existência social das religiões hoje, no ambiente digital, é ainda mais fortemente o resultado da interação comunicacional. Entrevê-se, na multiplicidade e na imprevisibilidade dos interagentes e de suas interações, a construção e a reconstrução de um universo simbólico estável, mas não estático nem monolítico, a partir das diversidades religiosas. A articulação entre práticas sociais sobre a religião e plataformas tecnológicas de acesso público e alcance ubíquo, desencadeia um processo de liberação de uma grande energia social de reconstrução comunicacional dos sentidos (também religiosos), que, em termos eclesiais, é um dos principais “sinais dos tempos” a ser discernido hoje.■

 

Leia mais...

- “O ‘virtual’ é real”. Cultura digital e evangelização. Entrevista com Moisés Sbardelotto, publicada nas Notícias do Dia de 07-08-2014, no sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

- Igreja e internet: uma relação de amor e ódio. Entrevista com Moisés Sbardelotto, publicada nas Notícias do Dia de 26-06-2011, no sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU..

- Deus digital, religiosidade online, fiel conectado: Estudos sobre religião e internet, artigo de Moisés Sbardelotto, publicado em Cadernos Teologia Pública, número 70.

- A comunicação do Papa Francisco e a ''cultura do encontro'': das palavras aos gestos. Artigo de Moisés Sbardelotto, publicado nas Notícias do Dia de 10-11-2013, no sítio do Instituto Humanitas Unisinos - IHU.

- @Franciscus, o papa no Instagram. Uma breve análise comunicacional. Artigo de Moisés Sbardelotto, publicado na revista IHU On-Line número 482, de 04-04-2016.

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