Edição 489 | 18 Julho 2016

A história do mito e a falsificação

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João Vitor Santos | Tradução Ramiro Mincato

Lilia Sebastiani analisa como as interpretações das escrituras sobre Madalena vão transformando a personagem e dificultando a compreensão plena do anúncio feito por ela

Para a teóloga Lilia Sebastiani, não se pode falar apenas “na” história de Maria Madalena porque são várias as histórias que se criam em torno da personagem bíblica, embora muitas delas sejam interpretações – por que não dizer até misóginas – de quem não vai de fato na exegese do que está na escritura. “A história do mito da Madalena na Igreja ocidental é a história de uma grande falsificação, mantida por séculos”, dispara, ao se referir à associação de Madalena tanto com a pecadora quanto com a irmã de Lázaro. “A história da Madalena pré e pós-evangélica, popularizada pela Legenda Áurea de Jacopo da Varazze, completamente fantasiosa, cheia de elementos aventureiros e patéticos, obteve grande sucesso”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail à IHU On-Line, Lilia comemora o resgate que vem tendo a essência da personagem. Entretanto, lamenta o fato de isso ocorrer ainda em poucos círculos, como apenas entre teólogos. “Hoje, o mal-entendido foi superado, na teoria, mas persiste ainda fortemente na mentalidade. Quem não tem conhecimento dos Evangelhos, e ouve falar de Maria Madalena, ainda pensa na mulher de vida fácil, que de alguma maneira se arrependeu, e não na discípula predileta, e não na apóstola da Ressurreição”, explica.

Lilia Sebastiani é formada em Literatura Moderna pela Universidade de Roma "La Sapienza", com doutorado em Teologia Moral pela Academia Alfonsiana, Instituto Superior de Teologia Moral na Universidade Lateranense. Também é colunista e professora de Teologia. Entre suas publicações, estão: Morale personale (Piemme, 1991); Tra/Sfigurazione ‑ Il personaggio evangelico di Maria di Magdala e il mito della pecca­trice pentita nella tradizione occidentale (Queriniana, 1992); Donne dei Vangeli (Paoline, 1994); Maria ed Elisabetta: icona della solidarietà (Paoline, 1996); Il terzo cielo: l’ultimo anno di Iacopone da Todi (romanzo teologico) (Paoline, 2000); Nella notte mi istruisci. Il sogno nelle Scritture sacre (Pazzini Editore, 2007); Svolte: il ruolo delle donne negli snodi del cammino di Gesù (Cittadella Editrice, 2008); Il frutto dello Spirito (Cittadella Editrice, 2010). Entre seus livros publicados no Brasil, estão: Maria e Isabel - Ícone da Solidariedade (São Paulo: Paulinas, 1998) e Maria Madalena: de Personagem do Evangelho a Mito de Pecadora Redimida (Rio de Janeiro: Vozes, 1995).

 

Confira a entrevista.


IHU On-Line - Como Maria Madalena é construída simbolicamente pelos evangelistas? Quais as semelhanças e distinções que emergem dos quatro Evangelhos?

Lilia Sebastiani - Uma construção simbólica houve. A responsabilidade não é dos evangelistas, mas, antes, da tradição da Igreja, depois das primeiras gerações, por meio de um processo, somente em parte intencional. De acordo com os evangelistas, Maria Madalena é uma discípula de Jesus, desde o início (Lc 8,1-3, confirmado brevemente por Marcos e Mateus, que citam as mulheres presentes sob a cruz, as que "o seguiam e serviam" desde a Galileia).

Ela está presente na morte e na sepultura de Jesus, dirige-se ao túmulo de madrugada, no primeiro dia da semana. Sobre isso os evangelistas estão de acordo, mas em todos os outros detalhes são diferentes. Não concordam no nome e no número das mulheres presentes na experiência. Mateus e João falam do encontro do Cristo Ressuscitado com Maria Madalena (junto com a outra Maria, Mt 28,1-10, com ela sozinha em Jo 20,1-18), Lucas e Marcos não: a Ressurreição é anunciada por seres celestiais junto ao túmulo.

Em Mateus, Lucas e João temos o anúncio trazido pelas mulheres; em vez disso, de acordo com a estranha conclusão original de Marcos (Mc 16,1-8; Mc 16,9-16 é uma adição tardia com elementos lucanos e joaninos), as mulheres "não disseram nada a ninguém, porque estavam com medo". De acordo com a história de Jo 20,1-18, Maria é a primeira a encontrar Jesus ressuscitado e recebe dele o encargo de anunciar a Ressurreição para os outros discípulos.

Maria Madalena é a mulher mais importante e mais presente durante a vida pública de Jesus, como se compreende também pelo número de passagens do Evangelho em que é nomeada, sempre em primeiro lugar, entre as mulheres que o seguem. A exceção é em Jo 19,25-27. A precedência não é sem significado nos Evangelhos (o primado de Pedro é confirmado pelo fato de que seu nome sempre precede ao dos outros discípulos homens).

Mal-entendidos

O mal-entendido com relação à Madalena que ocorrerá mais tarde se dá principalmente devido a uma identificação infundada com a pecadora galileia, que entra numa casa, enquanto Jesus estava à mesa, lava seus pés com lágrimas (de arrependimento? ou de alívio e gratidão?), seca-os com seus cabelos, ungindo-os com perfume (Lc 7,36-50). Da pecadora do Evangelho, Lucas não diz o nome. Não há nada a sugerir uma combinação com Maria Madalena, nomeada pela primeira vez no capítulo seguinte, num contexto totalmente diferente.

As coisas complicaram-se de novo quando Maria Madalena foi identificada com a mulher que ungiu Jesus (porque no episódio de Lucas se fala de uma unção realizada com perfume), que em Mateus e Marcos permanece anônima, enquanto para o quarto evangelista é Maria de Betânia, irmã de Marta e Lázaro. Assim, Maria de Betânia tornou-se Maria Madalena ... "depois de curada". E três importantes e diferentes figuras femininas fundiram-se numa só, perdendo muito de veracidade, nitidez e significado. O mal-entendido permaneceu quase imperturbado no Ocidente, por pouco menos de mil e quinhentos anos. Já o Oriente cristão sempre distinguiu as três mulheres evangélicas.


IHU On-Line - Como entender as passagens que se referem a Maria Madalena como a mulher de quem Jesus expulsou sete demônios? Por que não há relatos do episódio deste exorcismo?

Lilia Sebastiani - Trata-se de uma única passagem: o pequeno registro de Lc 8,2 significa que tinha sido doente e tinha sofrido muito. Dizer "muito", não é uma afirmação gratuita: na cultura judaica, demônios não estavam relacionados à tentação (como acontece na tradição cristã com a figura do diabo), mas, sim, com a doença, especialmente se inexplicável e incurável, se impede a pessoa de relacionar-se, tirando-a de seu centro. Além disso, o 7 é o número da plenitude.

Por que o evangelista não narra o exorcismo? Provavelmente porque ele próprio não sabia exatamente o que tinha acontecido - não era uma testemunha -, mas apenas ouviu falar sobre isso, na fase de transmissão oral. Vários outros exorcismos são narrados nos Evangelhos (não relacionados às mulheres, se prescindimos da filha da mulher siro-fenícia ou cananeia, que de qualquer modo será curada a distância, “fora do palco”), e, por isso, talvez, não se sente a necessidade de contar outro. E, especialmente, porque o propósito de Lucas não é informar-nos exaustivamente sobre Maria Madalena e os acontecimentos da sua vida, mas apontar-nos a salvação de Deus, que através do evento Jesus, atinge os seres humanos.


IHU On-Line - O que se sabe da Madalena antes de Cristo? E qual teria sido seu destino depois da crucificação?

Lilia Sebastiani - Desculpe-me se respondo em termos estritamente evangélicos, por isso, bastante sobriamente. De Maria Madalena, de fato, foram ditas tantas coisas (demais), mas quase todas relacionadas à lenda ou à imagem pseudoevangélica das três faces. Os Evangelhos não dizem muito, mas o que dizem é suficiente, pelo menos, para aqueles que sabem ler, e sabem ver uma pessoa e uma história absolutamente extraordinárias.

De sua vida anterior ao encontro com Jesus, uma só coisa se sabe: sua doença. No encontro com Jesus ela encontra autenticidade, liberdade, e discerne o plano de Deus a seu respeito. Quanto ao "depois", devemos ter a coragem de admitir que simplesmente nada sabemos. Maria Madalena desaparece do Evangelho com o anúncio das palavras da Páscoa: "Eu vi o Senhor" (Jo 20,18). Talvez, depois de tal conclusão, é difícil encontrar alguma outra coisa para dizer.

Todo o resto é lenda. Segundo uma tradição difusa no cristianismo do Oriente, ela teria passado o resto de sua vida em Éfeso, junto à mãe de Jesus e o Discípulo Amado. Segundo outra tradição, difusa no Ocidente, e considerada confiável até o século XIX, fugida da Terra Santa, junto com alguns seguidores de Jesus, para escapar à primeira perseguição dos Judeus. Assim, teria desembarcado na Gália e ali teria vivido até sua morte, em penitência. Seu culto era muito vivo na França, especialmente em Vézelay, na Borgonha, e no mosteiro beneditino de Sainte-Baume, perto de Marselha.


IHU On-Line - Há inúmeras passagens que narram Jesus Cristo entre as mulheres, mesmo na sociedade patriarcal da época. Que mensagem o Cristo quer passar? O que sua relação com Madalena revela dessa mensagem? Como essa mensagem é recebida entre os primeiros cristãos?

Lilia Sebastiani - Não diria que Jesus prega "entre as mulheres". Jesus não se comporta de acordo com categorias, como muitas vezes tendemos a fazer. Seu ensinamento é dirigido, em certos casos, à multidão que o segue mais ou menos numerosa, formada por homens e mulheres. Outras vezes, ao grupo de discípulos habituais, também este formado por mulheres e homens. Em casos mais raros, a um pequeno grupo ou a uma só pessoa - que pode ser masculino ou feminino. Jesus nunca aborda a questão das mulheres em termos teóricos: não fala sobre a condição da mulher, nem daquilo que devem fazer ou não fazer "como mulheres". Ele olha para as mulheres na singularidade de sua condição de pessoas. Jesus atua e vive a igualdade, com uma naturalidade absoluta, que parece mesmo nem precisar de explicações, e que é um dos aspectos mais perturbadores de seu evento, um dos que mais manifestam a novidade do Reino.

Jesus não evita tocar nas mulheres com doença (ou mortas, como a filha de Jairo, 12 anos), nem de ser tocado por elas. A mulher que sofria de perda de sangue, permanentemente impura, toca em segredo - e assim torna-o impuro também, sem que ele soubesse, uma culpa gravíssima diante da Lei... -, porém, quando o gesto é revelado, Jesus não repreende a transgressão, mas, ao contrário, elogia a sua fé. Quando lhe trazem a mulher apanhada em adultério, Jesus, quase provocadoramente, não se pronuncia sobre o pecado, mas convida seus interlocutores a examinarem-se interiormente. Jesus confia a Maria Madalena, a discípula mais fiel, e que o amou mais do que todos os outros, a missão de autoridade fundamental, de anunciar aos outros discípulos sua vitória sobre a morte e seu retorno ao Pai.

Para as primeiras gerações cristãs, ser testemunha e anunciadora do Ressuscitado foi o principal título de glória de Maria Madalena. Os Padres da Igreja recorrem, frequentemente, ao regime "per feminam mors – per feminam vita", contrastando Maria Madalena e Eva, responsável pela queda dos primeiros pais. Mas, em algum momento, a mulher da vida passará a ser Maria, a mãe de Jesus (aqui também, o mesmo nome), que terminará absorvendo, gradualmente, toda possível feminilidade positiva.


IHU On-Line - De que forma é possível enfrentar o problema da mulher, da feminilidade, no cristianismo, através da história de Maria Madalena?

Lilia Sebastiani - Em primeiro lugar, é preciso distinguir: qual história? Aquela da discípula predileta de Jesus que, curada por ele, segue-o fielmente até a cruz e o sepultamento, encontra-se junto ao túmulo no amanhecer do terceiro dia, que teve a experiência única e indescritível da vitória sobre a morte - experiência que, por encargo recebido, ela deverá anunciar aos outros? Ou a história da lendária “Superpecadora”, cheia de todos os pecados possíveis (todos de ordem sexual, nem precisa dizer, tratando-se de mulher!), perdoada e convertida, à custa de rios de lágrimas e abismal senso de indignidade e penitência, então, prolongado absurdamente por trinta anos depois da ressurreição de Jesus, depois de receber a missão de testemunhá-la?

Maria Madalena sempre foi amada pelo povo cristão, "caluniada e glorificada" (G. RAVASI) , mas seu personagem fictício ajudou a penalizar as mulheres e a exorcizar um seu possível e temido papel de autoridade na comunidade de fé. Uma Superpecadora arrependida reentra nos esquemas, até mesmo os reforça. Uma discípula favorita, ao contrário, enviada em missão apostólica aos próprios apóstolos, parece subversiva e perturbadora.


IHU On-Line - Em que medida a construção de Madalena como pecadora redimida, ou mulher exorcizada, e que chega a ser considerada a apóstola dos apóstolos, tem um caráter pedagógico, potente, em termos de conversão cristã? E por que uma mulher nesse papel e não, por exemplo, um homem?

Lilia Sebastiani - A história do mito da Madalena na Igreja ocidental é a história de uma grande falsificação, mantida por séculos, em que o dado bíblico (isto é, o erro de identificá-la com a anônima pecadora galileia, e em seguida com a irmã de Lázaro) era sustentado por motivos psicológicos e simbólicos, que escapavam à consciência.

A história da Madalena pré e pós-evangélica, popularizada pela Legenda Áurea  de Jacopo da Varazze , completamente fantasiosa, cheia de elementos aventureiros e patéticos, obteve grande sucesso. Retomada constantemente pelos pregadores, teve grande influência na arte sacra e era considerada quase histórica nos círculos católicos, pelo menos até o século XIX. Hoje, o mal-entendido foi superado, na teoria, mas persiste ainda fortemente na mentalidade. Quem não tem conhecimento dos Evangelhos, e ouve falar de Maria Madalena, ainda pensa na mulher de vida fácil, que de alguma maneira se arrependeu, e não na discípula predileta, e não na apóstola da Ressurreição!

Certo, o motivo consciente pelo qual, por muito tempo, acentuou-se a fisionomia penitente, possuía também um propósito pedagógico-pastoral: exortar os pecadores a confiar no perdão e mudar de vida. Mas, como você disse, não havia personagens masculinos mais adequados para expressar a conversão do pecado? Pensemos em Zaqueu, ou mesmo em Pedro, que nega Jesus, mas nem por isto foi negado por Ele; ou em Judas, por muito tempo coberto de infâmia e destinado ao inferno, mas que a reflexão dos nossos dias está produzindo resultados de grande interesse.

O fato de colocar uma mulher como símbolo do pecado e da penitência, deformando gratuitamente sua fisionomia evangélica, é uma operação extremamente ideológica.


IHU On-Line - Como analisa os movimentos da Igreja hoje, em especial do Papa Francisco, com relação à figura de Madalena?

Lilia Sebastiani - Em termos gerais, eu diria que, até agora, apesar do avanço nos estudos bíblicos, percebe-se uma significativa desconexão entre o plano das ideias e o plano da mentalidade, entre teologia e reações instintivas. A ideia tradicional da prostituta arrependida foi superada pelos teólogos, na Igreja Católica, pelo menos desde meados do século XX (nas igrejas reformadas, com algumas décadas de antecedência, sendo menor o peso da tradição, e mais difusa a leitura e a reflexão pessoal dos textos bíblicos). Mas a arte sacra, e também, no último século, muitos filmes sobre a vida de Jesus (em que Maria Madalena sempre aparece como ex-pecadora, mais enamorada que convertida) exerceram grande influência, especialmente naqueles que nunca leram os Evangelhos.

A iniciativa do Papa Francisco (Decreto de 03 de junho de 2016) de elevar a memória litúrgica de Maria Madalena à festa, como dos Apóstolos, que eu saiba, é inesperada, o que acentua seu valor profético. Inscreve-se na teologia dos gestos, mais do que das inovações doutrinais, e será lembrada como dos aspectos mais significativos de seu pontificado.

O termo apóstola, pela primeira vez foi usado, de forma oficial, em referência a Maria Madalena: na verdade "apóstola dos apóstolos". Para quem conhece um pouco a língua hebraica e o modo como se formam os superlativos, a expressão se enriquece de alguma ressonância posterior: é como se o texto quisesse dizer "a maior, entre todos os apóstolos".


IHU On-Line - O que Madalena representa para a senhora?

Lilia Sebastiani - O papel de Maria Madalena, na vida terrena de Jesus e na Ressurreição, é absolutamente único, e sua figura é agora para nós uma espécie de ícone de referência. Mas um ícone que foi uma pessoa viva, verdadeira, embora não conheçamos muitas coisas sobre ela, ou os conhecimentos foram deformados.

Então, gostaria de acrescentar a reflexão que já acenei em 1992, no primeiro livro dedicado a este tema (cf. SEBASTIANI, L. Tra/Sfigurazione: il personaggio evangelico di Maria di Magdala e il mito della peccatrice redenta nella tradizione occidentale. Brescia: Queriniana, 1992. 287p.). A apóstola envolta na luz da Ressurreição, cujo ardor do anúncio enxugou as lágrimas, que bate numa porta fechada e com os homens fechados, por medo, lá dentro, que repete “o Senhor está vivo”, cumpriu sua missão. Mas na história, sua missão ainda não terminou, porque o anúncio ainda não foi acolhido em plenitude. Aqueles homens que, talvez, não abriram logo a porta, cheios de sentimentos de derrota e desespero, não acreditaram, não tiveram a experiência do Espírito, pois aquela que fala é “apenas uma mulher", e o anúncio da Ressurreição (o sabemos por Lucas) foi recebido, no início, como um disparate... Talvez o anúncio de Maria Madalena estará ainda em vigor, até o fim dos tempos, até quando não haverá mais portas fechadas devido ao medo. 

É um anúncio in progress.

Portanto, a decisão do Papa Francisco é uma etapa importante, na minha opinião, não só para história do culto de uma santa, mas para o devir do anúncio Pascal.■

 

Leia mais...

- Falando como leiga. Artigo de Lilia Sebastiani, publicado na revista Rocca, n.2, 15-02-2013, e reproduzido, em duas partes, nas Notícias do Dia, de 04-05-2013, no sítio do Instituto Humanitas Unisinos – IHU. Primeira Parte Segunda Parte.

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