Edição 475 | 19 Outubro 2015

Hölderlin. O trágico na noite da Modernidade

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Redação

A obra e a vida de um dos maiores nomes da literatura alemã do século XVIII, Johann Christian Friedrich Hölderlin é tema de debate na revista IHU On-Line desta semana. Nascido às margens do Rio Neckar, emTübingen, na Alemanha, em 1770, numa paisagem bucólica na qual viveu seus últimos 36 anos recluso em uma torre, Hölderlin morreu imerso na loucura. Além de grandes pensadores como Hegel e Musil, entre outros, ele foi o poeta preferido de Friedrich Nietzsche. Seus textos influenciaram de modo decisivo a célebre obra do filósofo Assim falou Zaratustra (São Paulo: Companhia das Letras, 2011), que, a exemplo de Hipérion (São Paulo: Nova Alexandria,2003), texto escrito por Hölderlin, é uma obra poética em prosa.

Reprodução do Obra: Der Wanderer über dem Nebelmeer - Kunsthalle in Hamburg, de Caspar David Friedrich, 1818

Segundo o filósofo Clademir Araldicoordenador do Programa de Pós-Graduação em Filosofia da Universidade Federal de Pelotas – UFPel, ambos os Gênios, o Filosófico e o Poético, nutriam um apreço especial por Sófocles. Assim, o trágico pode ser considerado um denominador comum, observa.

“Hölderlin nos permitiu, sobretudo, entrever uma possível reconciliação do homem com sua condição finita. Aliás, isso repercute, um pouco mais tarde, na ideia de amor fati, de Nietzsche”, afirma Françoise Dastur, professora emérita de Filosofia, vinculada aos Arquivos Husserl de Paris, na École Normale Supérieure – ENS.

Joãosinho Beckenkamp, professor na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, menciona que a influência de Schiller na obra de Hölderlin é decisiva em seus escritos, e a mais nobre possível, “aquela em que um poeta e pensador lança em outro as sementes de um novo universo poético”.

Marcia Sá Cavalcante Schuback, filósofa e tradutora de obras filosóficas e poéticas de língua alemã e docente na Södertörn University, em Estocolmo, aponta a centralidade do Hipérion como chave para a poética de Hölderlin. A ele se atribui ter transformado a tragédia ultrapassando sua concepção moderna.

A exploração do conhecimento racional até seu limite é uma das abordagens da entrevista de Kathrin Rosenfield, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS. Para ela, as ideias “desafiadoras” de Hölderlin influenciaram Hegel e Musil.

O amplo alcance da obra de Hölderlin foi um dos aspectos ressaltados por Johann Kreuzer, decano da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais e diretor do Instituto de Filosofia da Universidade Carl von Ossietzky Oldenburg, na Alemanha. “Essa repercussão e ressonância não se restringem à esfera literária. Há um compromisso profundo – e admitido – com Hölderlin por parte de Walter Benjamin, de Martin Heidegger e Theodor W. Adorno”, ressalta.

Também podem ser lidas as seguintes entrevistas:

- A “meia verdade” africana é a temática abordada pelo sul-africano Tshepo Madlingozi, da Universidade de Pretória, África do Sul, onde também coordena um módulo do Mestrado em Direitos Humanos e Democratização na África;

- Xabier Etxeberria, professor catedrático emérito de Ética da Universidade de Deusto, Espanha, analisa a questão da justiça do castigo e o perdão da transformação, fazendo uma ampla abordagem sobre as nuances dos debates em torno do perdão;

- Tiago da Silva César, professor do Centro de Teologia e Ciências Humanas da Universidade Católica de Pernambuco – Unicap, analisa a obra A ilusão panóptica: Encarcerar e punir nas imperiais cadeias da Província de São Pedro (1850-1888) (São Leopoldo: Oikos/Editora Unisinos, 2015), de sua autoria;

- Antônio Albano de Freitas, doutorando em Economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, reflete sobre o “Mérito e herança na estrutura das desigualdades brasileiras”, tema que abordará no Ciclo de Estudos O Capital no Século XXI – uma discussão sobre a desigualdade no Brasil;

- Outro conferencista do mesmo evento que debate a obra O capital do século XXI de Thomas Piketty, Flavio Comim, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS, aborda o tema “Políticas públicas de regulação do capital e possibilidades para um Estado social no Brasil”.

Dois artigos completam a edição:

- Cezar Kusma, professor do Departamento de Teologia da PUC-Rio, reflete sobre o andamento do Sínodo dos Bispos sobre a Família que se realiza em Roma e que tem sido amplamente debatido nas Notícias do Dia atualizadas diariamente na página do IHU.

- “Os filhos de todas as bombas” é o título do artigo de Camila Alves da Costa, pesquisadora do Observatório das Nacionalidades/UECE e membro do Comitê Editorial da revista Tensões Mundiais.

A todas e a todos uma boa leitura e uma ótima semana!

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