Edição 468 | 29 Junho 2015

A financeirização da vida. Os processos de subjetivação e a reconfiguração da relação ‘economia e política’

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Redação

Uma economia globalizada e financeirizada, que se sobrepõe à política e está descolada de critérios éticos em suas transações. Sob esse pano de fundo, bancos são salvos da falência enquanto as pessoas perdem as casas onde vivem porque não têm condições de continuar honrando seus empréstimos. Nações são varridas por crises econômicas brutais, a democracia é tomada como refém das oscilações do mercado e o endividamento como status de inclusão social via consumo são as notas de um réquiem endereçado à política.
Arte: Ricardo Machado e Fernando Dupont

A financeirização da vida e os processos de subjetivação que são requeridos e a consequente reconfiguração da relação entre a economia e a política, são o tema da edição desta semana da revista IHU On-Line. Pesquisadores de várias áreas do conhecimento refletem sobre este fenômeno da vida contemporânea.

Yann Moulier Boutang, redator-chefe da revista Multitudes, numa entrevista ampla e profunda, aponta que a financeirização tem ampla influência na organização social, atingindo aspectos como a biosfera e a noosfera.

Segundo o filósofo e sociólogo italiano Maurizio Lazzarato, a figura do “homem endividado” é uma das engrenagens que colaboram para a produção e reprodução da máquina de guerra do Capital.

Massimo Amato, da Universidade Bocconi, de Milão, afirma que uma das implicações da financeirização é a despolitização da política.

O economista italiano Stefano Zamagni, da Universidade de Bolonha, aponta a economia civil como alternativa à economia financeirizada e globalizada.

O cientista político Giuseppe Cocco, da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ, destaca o esvaziamento da concepção de esquerda na política.  

O filósofo Rodrigo Karmy, da Universidade do Chile, debate a potência anárquica do poder destituinte.

Sandro Luiz Bazzanella, da Universidade do Contestado – UnC, fala sobre a sacralização do dispositivo da economia e do esvaziamento da política.

Para o filósofo Adriano Correia, da Universidade Federal de Goiás - UFG, os conceitos de homo oeconomicus, de Foucault, e animal laborans, de Hannah Arendt, são importantes para pensarmos o tempo presente.

Albert Ogien, cientista social francês, diretor do Institut Marcel Mauss (IMM-EHESS/CNRS), acentua que podemos compreender o nascimento de movimentos políticos sem líder e sem partido a partir do crescimento da autonomia de juízo dos cidadãos.

A publicação da Carta Encíclica do Papa Francisco Laudato Si’ sobre o cuidado da casa comum, é tema da entrevista com Deborah Terezinha de Paula, doutora em Ciência da Religião, pela Universidade Federal de Juiz de Fora – UFJF. Ela analisa a impacto e a presença da obra de Teilhard de Chardin no importante documento. Nesta edição também pode ser conferido um Guia de Leitura do documento pontífício.

Por fim, o Prof. Dr. Castor Bartolomé Ruiz publica o quarto artigo da série “A filosofia como forma de vida”, sob o título “A regra da vida (regula vitae), fuga e resistência ao controle social”.

A todas e a todos uma boa leitura e uma excelente semana!

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