Edição 402 | 10 Setembro 2012

Complexidade e pensamento vivo

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Márcia Junges

A autonomia dos saberes acontece na “relação criativa com outras partes”, e não através do isolamento, que atesta miopia e morte, assinala Laércio Pilz. A abertura ao Outro e aos diferentes saberes é o que “alimenta o nosso viver e o desejo pelo saber”

“Edgar Morin é importante porque ele defende a dignidade de criar através da proposição do pensamento complexo, porém, ao mesmo tempo, ele não ignora a realidade das coisas, as ordens que estão aí e diante das quais estamos construindo as possibilidades”. A reflexão é do filósofo Laércio Pilz na entrevista que concedeu, por e-mail, à IHU On-Line. Em seu ponto de vista, a proposta desse pensador sobre a complexidade “é uma nova maneira de universalizar, não mais em forma de um círculo em que as coisas parecem relacionar-se mecanicamente, mas através de conexões que vão se realizando dinâmica e criativamente”. E completa: “Sua crítica à ordem e à fragmentação não é de alguém que ignora que existe ordem e que separar as coisas faz parte do procedimento científico. Porém, ele alerta que, para que o pensamento permaneça vivo, devemos estar vigilantes para que a ordem e a separação das coisas não ignorem a complexidade”.

Laércio Pilz é graduado em Filosofia pela Faculdade de Filosofia Nossa Senhora da Imaculada Conceição – Fafimc, em Viamão, especialista em Educação pela Federação de Estabelecimento de Ensino Superior, em Novo Hamburgo, mestre e doutor em Educação pela Unisinos com a tese A afirmação de uma pedagogia da afirmação: Desconstruindo morais racionalistas a partir do encontro com o desejo, a multiplicidade e o devir. Leciona na Unisinos, no departamento de Ciências Humanas, e atua como professor autor de diversas disciplinas nos cursos EAD da instituição. É autor de Antropologia filosófica e ética (São Leopoldo: Unisinos, 2010) e Ética e negócios (São Leopoldo: Unisinos, 2012).

Confira a entrevista.


IHU On-Line – Uma relativização radical de cada olhar, mas sem cair no relativismo, é um dos pilares da transdisciplinaridade. Em que aspectos o diálogo entre os saberes incentiva uma visão mais abrangente sobre a existência, as diversas formas de vida e sua legitimidade ontológica?

Laércio Pilz –
O ser humano experimenta diferentes maneiras de conceber a sua relação com a existência. Os mitos, a religião, a ciência, entre outros saberes, são maneiras pelas quais o ser humano deu e dá significado e sentido à sua existência e à vida de um modo geral. Se falarmos em diálogo entre saberes, estamos falando não só entre os saberes modernos, mas entre todas essas formas de manifestações de produção de sentido que o ser humano, em seu trajeto cultural, desenvolve. Reconhecer antropologicamente, em cada um desses saberes, uma manifestação humana verdadeira não pode deixar que ignoremos que a relativização radical, que tu colocas na questão, aponta para a crítica a uma possível simplificação (redução) da vida por parte do discurso de um desses saberes.
Vamos radicalizar em relação ao final da tua questão: qual é a legitimidade ontológica dos seres vivos em geral? Sua dignidade não está posta a partir de sua própria reflexão e defesa em relação às suas possibilidades de existência. Nós, humanos, seres reflexivos, estamos desafiados a desenvolver a compreensão do que significa a dignidade da vida planetária, presente nos seres vivos e em suas relações e, a partir disso, desenvolvermos práticas que liberem e potencializem a manifestação plena da vida por parte dos outros seres.


Relação criativa com o Outro

Só há diálogo entre os saberes (os humanos) e do ser humano com os seres/forças do planeta, se experimentamos o de fora, este sair de si, sentindo, assim, uma rede de potencialização dos seres entre si. A verdade ontológica de cada ser se compõe pela dinâmica de sua relação com o de fora. O ser humano, como ser reflexivo e autogerador de sentido, experimenta sua ontologia na compreensão de sua relação criativa com o Outro, tanto o outro-eu como o outro-humano e o outro-ser vivo.

Por fim, quando propões a ideia de diálogo entre saberes, penso na compreensão do pertencimento a uma rede dinâmica de relações em que, além do apaziguamento (um certo cruzamento) entre saberes míticos, científicos, religiosos, cotidianos (senso comum), etc., também podemos pensar no diálogo entre os saberes acadêmicos, ou seja, do entendimento de que o ser humano e a sociedade podem ser melhor compreendidos se nosso estudo sobre eles for levado adiante de forma colaborativa entre história, psicologia, sociologia, direito, biologia, etc.


IHU On-Line – Em que medida a transdisciplinaridade é um contraponto ao pensamento totalitário e único, e qual é seu papel numa sociedade na qual a especialização técnica resulta em fragmentação do conhecimento e “miopia” da ação?

Laércio Pilz –
Um pensamento totalitário e único retira o próprio homem de sua liberdade, pois a essência da liberdade é o não determinismo, é a possibilidade de contar a História e a sua história de outras maneiras, subvertendo certos registros padronizados. O que atesta o pensamento totalitário e único, algo que considero impossível de se manter diante da lógica do tempo? É a representação pré-determinada sobre algo ou o uso de um método restrito e simplificado para definir e representar os objetos. Edgar Morin, em A inteligência cega , tem uma passagem que me marcou muito em que afirma que quando os mitos e religiões se fixam em seus dogmas, quando a ciência se reduz em seus abstracionismos e empirismos, quando as ideologias se fixam em suas doutrinas, estamos desenvolvendo uma inteligência cega. A abertura, para ele, é o que alimenta o nosso viver e o desejo pelo saber. Aquilo que pretende fechar o conhecimento em uma resposta dada e pronta tem seu limite e, se não for reconhecido como tal, produz cegueira. O problema do tecnicismo e do mecanicismo está, em primeiro ligar, numa visão limitada de pensar a ordem das coisas como algo linear, repetitivo, fixo, sujeito à padronização. Em segundo lugar, é acreditar que existe um estudo que nos levará a modelos que devem ser seguidos. Essa é a grande cegueira da ação.

Se existem ações que atestam uma ordem repetitiva em relação aos resultados, não é esse processo que revela a criatividade e a possibilidade humana de elaborar o novo, de fazer da existência um campo de criação estética. O pior problema da fragmentação do conhecimento é a redução da ação a um padrão de sequência, como se houvesse uma regra pré-determinada, a partir de um tipo de saber, para a execução dos processos. Repito com Edgar Morin: a vida segue certos padrões, as espécies têm seus códigos genéticos de reprodução, assim como nós possuímos leis e normas que estabelecem uma organização mínima das estruturas e dos movimentos. Porém, o engessamento nessa ordem nega a vida como força dinâmica e o ser humano como ser para a criatividade em sua relação consigo, com os outros e com o planeta – animado por uma perspectiva ética.


IHU On-Line – Sob quais aspectos a obra de Morin é um contraponto ao fechamendo ideológico e paradigmático das ciências?

Laércio Pilz –
Edgar Morin não é um crítico das ciências. Parece-me que ele teme que a ciência, assim como outras formas de saber, seja mais uma maneira pela qual possamos ignorar a complexidade da vida e das relações. Ele seguidamente enaltece a importância da racionalidade humana para a compreensão e execução de um projeto propositivo em relação à solidariedade terrestre. Conseguimos coisas maravilhosas com o desenvolvimento científico, o que não podemos desprezar como elemento que pode fazer parte de um projeto colaborativo da humanidade em sua evolução com a vida planetária. Ciência com consciência , O método III (Conhecimento do conhecimento) , entre outras obras, revelam um autor que discursa em favor da teoria científica e da pesquisa, porém, sempre pensando na dinâmica de abertura ao pensamento complexo, ou seja, na capacidade propositiva que esse saber científico desenvolve, dialogando com a história e com a dinâmica dos contextos. A autonomia dos saberes não se faz pelo seu isolamento, pois assim atestam sua miopia e morte. A autonomia é um movimento de relação criativa com outras partes – contextos. Auto-eco-organizadoores, conceito muitas vezes repetido por Morin, são todos os saberes que estendem seu conhecimento em relação a um projeto dinâmico e que se faz histórico, marca indelével da condição humana. O que deve ser pressuposto básico para se desenvolver ciência em um mundo complexo e dinâmico? A compreensão dos múltiplos fatores que se fazem presentes nos processos de ação e reação das forças da natureza, das forças sociais e de cada ser humano.


IHU On-Line – Normalmente a arte, a ciência e a tradição são analisadas separadamente, como se não dialogassem ou não fizessem parte do mesmo sistema complexo. Numa perspectiva do Manifesto da transdisciplinaridade , o que o entrelaçamento entre esses saberes representa?

Laércio Pilz –
A arte já foi vista, assim como o mito, com certo desdém. Não seria um saber sério... A tradição, muito próxima do mito, era uma ignorância cultural que submetia a massa. Logo, a ciência seria o campo da libertação, pois ela levaria o ser humano a descobrir o que de fato era importante para a vida a partir do uso experimental e analítico da razão. Uma sociologia positivista nos libertaria da ignorância e nos levaria à produção de uma estrutura social adequada, transferindo a lógica de estudo e estabelecimento de leis de análise e interferência na natureza física e biológica para a natureza das coisas sociais – humanas. Uma sociedade com leis perfeitas (ordem e progresso). Mas esse ser humano, endurecido pela cientificismo, começa a sentir falta da arte. A tradição, se descobre pela antropologia (entre outras ciências), não era somente um refúgio, mas também o espaço de rituais de pertencimento, de encontro com o outro e com a história, com o sagrado, com o que religa os humanos entre si e esses com o divino ou com o que se pensa divino (com um projeto de salvação).


Aliança dinâmica

Na perspectiva transdisciplinar, o encontro entre a arte, a tradição e a ciência é um encontro entre diferentes estéticas humanas, porém, cada uma trazendo elementos que possam colaborar com a expansão do entendimento do humano em relação ao mundo e com a ampliação do universo simbólico do qual ele pode fazer uso para preservar e dignificar sua existência pessoal e social. O verdadeiro cientista é um artista que compreende que está inserido dentro de uma tradição, que vive o seu tempo histórico, porém, se conjuga em seu ser a arte de explicar, reproduzir e recriar mundos. Assim como o verdadeiro artista está no mundo, reconhece seu estado neste mundo, porém deseja propor/desenhar outros mundos. Por fim, o homem da tradição se encontra com a cultura não para se enquadrar num quadro social, mas para atualizar os signos através da aliança dinâmica entre o passado e o futuro, na experiência atualizada da tradição. De maneira mais simples – não gosto de usar esta expressão que parece querer forçar uma explicação, ignorando a criatividade de interpretação do leitor –, proponho que a bela tradição está aberta ao outro e ao tempo, que a bela ciência explica, reproduz e (re) cria mundos e que a arte fala outras línguas a partir de sua língua.


IHU On-Line – Em que perspectiva a transdisciplinaridade coloca em xeque a concepção antropocêntrica e etnocêntrica das sociedades? Tem percebido avanços em termos da mudança desse cenário?

Laércio Pilz –
Os estudos sobre a vida alimentam a perspectiva transdisciplinar. Edgar Morin, em boa parte de seus escritos, vai revelando como a natureza acontece e evolui através da complexidade. A diversidade dinâmica é característica básica da natureza e a compreensão desse fato revela a ignorância de concepções e posturas etnocêntricas e antropocêntricas. Todo preconceito é, antes de tudo, um atestado de ignorância em relação à compreensão de que a riqueza da vida está no encontro criativo da diversidade.

Acredito que, em certos aspectos, não podemos ignorar avanços em relação ao relaxamento de posturas etnocêntricas. A defesa da liberdade é algo que ressoa dentro de vastos campos da democracia, mesmo que essa ainda seja débil em países emergentes e sujeita a experiências muito restritas às políticas internas em nações desenvolvidas.

No entanto, quando converso esses temas com os estudantes, percebo afetivamente que a maioria deles é tocada e que seu corpo acolhe, em geral, a mensagem. É evidente que há muito ainda a se conquistar em termos de desenvolvimento de linguagem e de maneiras de compreensão para que de fato a perspectiva transdisciplinar seja experimentada. Ainda vivemos, como afirmam Morin e Kern em Terra-Pátria , o fim da Era de Ferro Planetária (de visões etnocêntricas, de invasão do espaço do outro) e a Pré-História do espírito humano (o entendimento da solidariedade terrestre). Porém, o desejo pessoal com que atualmente indivíduos buscam experimentar mais sentido em relação àquilo que fazem, pode ser um espaço a ser alimentado pela perspectiva transdisciplinar, que é um discurso e uma proposta radical em favor do diálogo e da paz, do encontro com o Outro, esse outro que vai do devir pessoal aos devires que cada ser humano e ser vivo representam na geografia da vida.


IHU On-Line – Morin atingiu um reconhecimento público por seu pensamento. Qual é a importância desse pensador para nosso tempo?

Laércio Pilz –
Quando se lê Edgar Morin, a gente se sente provocado, desafiado e animado a produzir conexões entre as coisas e, ao mesmo tempo, a refletir sobre o que aquilo que estamos estudando pode fazer a gente pensar de maneira diferente o que até então nos parecia tão óbvio. Morin não é um filósofo do Universal, mas sua proposta sobre a complexidade é uma nova maneira de universalizar, não mais em forma de um círculo em que as coisas parecem relacionar-se mecanicamente, mas através de conexões que vão se realizando dinâmica e criativamente. Ao dar importância ao aleatório, ele nos desafia à intuição e à capacidade criativa, a aprender a perceber a possibilidade de interpretar e pensar as palavras e os fatos de outras maneiras. Somos também o encontro de várias contingências e, diante delas, podemos imaginar outras coisas que podemos combinar produzindo algo novo. Ele é atual em todos os sentidos, desde o campo da criatividade produtiva até, e principalmente, do ponto de vista do compromisso ético para com as possibilidades de potencializar a vida. Quando lemos a maneira como Morin escreve sobre biologia, percebemos que ele está a nos desafiar a pensar sobre o quanto a vida é criativa. Ele reconhece a ordem que está presente na estrutura da vida, mas ao mesmo tempo e, de maneira singular, percebe e estende a vida para a dinâmica das possibilidades.


Espírito poético

Sua crítica à ordem e à fragmentação não é de alguém que ignora que existe ordem e que separar as coisas faz parte do procedimento científico. Porém, ele alerta que, para que o pensamento permaneça vivo, devemos estar vigilantes para que a ordem e a separação das coisas não ignorem a complexidade. Lembro aqui quando ele critica a separação entre prosa e poesia, denunciando que o trabalho acabou tão prosaico, que sobraram somente o fim de semana e as atividades estritamente artísticas para chamarmos de poesia. Mas por que trabalhar não pode ser algo a ser invadido por um estado poético? Por que escrever essas linhas aqui para o IHU não pode ser um exercício prosaico atravessado pelo espírito poético? Esse encontro entre as coisas, essa capacidade de pensar as nossas atividades em sua potência trans, em sua relação com um projeto maior, é algo que Morin faz emergir. Digo sempre em minhas falas para professores que o que faz com que uma disciplina seja trans é que ela é desafiada a pensar de que forma está colaborando para um projeto maior, ou seja, como a forma e o conteúdo da mesma estão relacionados com um projeto pessoal, social e ético ampliado, em extensão.


IHU On-Line – A partir de sua pesquisa de doutorado, qual é a contribuição de Morin na desconstrução de morais racionalistas a partir do encontro com o desejo, a multiplicidade e o devir?

Laércio Pilz –
Lembro aqui, primeiramente, de minha dissertação de mestrado. Além de professor universitário, na época eu era professor de História no ensino médio e me perguntava como o encontro com os fatos históricos poderia ser criativo ou reprodutivo. Uma razão fechada, explicativa, interpretativa ou ideológica reproduz de tal forma a história, que nada sobra para que os estudantes desenvolvam a sua criatividade no encontro com os fatos. Estudar Edgar Morin me ajudou a pensar, ainda em 1995, de maneira mais crítica este encontro com os fatos históricos, a refletir sobre as narrativas históricas e a desejar pensar outras histórias com os estudantes.

Edgar Morin é importante porque ele defende a dignidade de criar através da proposição do pensamento complexo, porém, ao mesmo tempo, ele não ignora a realidade das coisas, as ordens que estão aí e diante das quais estamos construindo as possibilidades. O conceito que eu vou trabalhar ou que vai aparecer não está isolado de tudo, ele acontece na relação, nas conexões criativas entre os processos. O desejo que move cada pessoa verdadeira e não capturada, é dar sentido ao que experimenta, porém, não se produz sentido sem o encontro com o Outro, com a multiplicidade que emerge da criatividade com que desenvolvo o encontro com minhas sensibilidades, com a aliança com novas linguagens e com o devir que essas sensibilidades e linguagens experimentam nos processos que experimento. Se eu tiver um projeto de aula a desenvolver, se eu tiver conceitos e imagens que quero apresentar aos alunos, o sentido vai emergir do encontro entre esses e o mundo dos alunos e suas memórias. Um belo cruzamento é possível, um projeto de miscigenação.
Morais racionalistas – tudo o que transforma uma pessoa num trapo de gente, como dizia Deleuze, é muito pobre. Todo discurso ou postura só se justifica eticamente se minha dignidade e a do outro forem consideradas como pressupostos primeiros, por mais que eu me sinta supostamente esclarecido.


IHU On-Line – Gostaria de acrescentar algum aspecto não questionado?

Laércio Pilz –
Penso que certos pensadores que venho estudando há algum tempo trazem consigo certos conceitos e propostas que se aproximam. Há diferenças, que bom! Mas também há uma certa generosidade comum: uma defesa radical da dignidade de cada ser e, em especial, a vontade de enriquecer a linguagem de cada pessoa para que possa se encontrar com sua própria potência e ao mesmo tempo colaborar com um mundo de Inteligentes Coletivos (Pierre Lévy ). A diferença e a multiplicidade (Deleuze), a teoria da complexidade (Morin), a formação total (De Masi ), a visão sistêmica (Capra ), a cabeça mestiça (Michel Serres ) são pressupostos teóricos e práticos que abrem perspectivas antropológicas muito importantes para o nosso tempo global, para um encontro solidário entre culturas abertas, entre pessoas livres e criativas e dessas consigo mesmas em seus movimentos de experimentação.

Leia mais...

Laércio Pilz já concedeu uma entrevista à IHU On-Line, sobre sua trajetória pessoal. Confira:

• IHU Repórter - Laércio Antônio Pilz. Entrevista publicada na edição número 315, de 16-11-2009

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