Edição 393 | 21 Maio 2012

René Girard, leitor de Isaías

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Márcia Junges | Tradução Vanise Dresch

Economia liberal apresenta exacerbação do desejo mimético, fonte da violência social, segundo René Girard. Familiaridade desse autor com a Bíblia revelou-lhe o mecanismo do bode expiatório, frisa o abade Dominique Janthial

“Girard é, primeiramente, um leitor da Sagrada Escritura. Aliás, ele mesmo se descreve como ‘uma espécie de exegeta’. Foi sua familiaridade com a Bíblia que lhe revelou o mecanismo do bode expiatório”. A explicação é do abade belga Dominique Janthial, em entrevista concedida com exclusividade, por e-mail, à IHU On-Line. “Para Girard, ‘os quatro Cânticos do Servo de Javé, intercalados na segunda parte de Isaías’ constituem a quintessência da revelação bíblica, pois esses textos revelam o mecanismo do bode expiatório, que permaneceu até então ‘oculto desde a fundação do mundo’”, acrescenta. Contudo, para Janthial, Girard talvez não tenha sido audacioso o bastante “quando não ousou interpretar o livro de Isaías em sua globalidade e cruzar a fronteira traçada pelos exegetas entre os capítulos 39 e 40”. E completa: “como em sua teoria a morte do bode expiatório intervém para resolver uma crise da sociedade, Girard busca no livro os sintomas dessa crise mimética”. Em sua opinião, o que é realmente civilizador é que o homem deixe “de fazer um deus que precise de sacrifícios humanos para existir. O mecanismo do bode expiatório é a única solução que se apresenta ao homem para vencer a proliferação da violência que ameaça qualquer grupo humano em dado momento. Mas essa solução é ruim, pois, restabelecendo a ordem social, ela constrói também essa ordem sobre uma mentira: a culpa da vítima expiatória”.

Dominique Janthial nasceu em Paris em 1965. É mestre em Administração e trabalhou como consultor para a companhia Arthur Andersen e iniciou sua formação no Instituto de Estudos Teológicos (IET, siga em francês), em Bruxelas, em 1989. Foi ordenado sacerdote em 1995 e fez mestrado em Estudos Judeus no Instituto Católico de Paris. Desde 1997 leciona no IET e é o padre responsável pela Unidade Pastoral de Sources Vives (Ixelles-Uccle), bem como da Comunidade Emanuel da Diocese Malines-Bruxelles. De suas publicações, citamos L’oracle de Nathan et l’unité du livre d’Isaïe (Berlin-New-York: De Gruyter, 2004) e Le livre d’Isaïe ou la fidélité de Dieu à la maison de David (CE 142). (Paris: Cerf, 2007).

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Quais são as particularidades da leitura que René Girard faz do Livro da Consolação, de Isaías?

Dominique Janthial – Para Girard, “os quatro Cânticos do Servo de Javé, intercalados na segunda parte de Isaías” constituem a quintessência da revelação bíblica, pois esses textos revelam o mecanismo do bode expiatório, que permaneceu até então “oculto desde a fundação do mundo” . A singularidade do texto bíblico, segundo ele, vem do fato de que a inocência da vítima é afirmada, mesmo que de maneira indireta, pela confissão feita na primeira pessoa do plural pelo grupo do nós. “Todavia, eram as nossas doenças que ele carregava, eram nossas dores que ele levava em suas costas. E nós achávamos que ele era um homem castigado, um homem ferido por Deus e humilhado” (53,4).

Como em sua teoria a morte do bode expiatório intervém para resolver uma crise da sociedade, Girard busca no livro os sintomas dessa crise mimética. Ora, esses sintomas são efetivamente descritos – inclusive de forma abundante –, mas na primeira parte do livro! Influenciado pelos dogmas em vigor na literatura histórico-crítica dos anos 1970, que faziam da divisão entre Is 1-39 e Is 40-66 uma fronteira intransponível, Girard sente-se obrigado a buscar a descrição da crise mimética não onde ela efetivamente se encontra (por exemplo, em Is 2-5 ou Is 28-29), mas no Livro da Consolação. Essa busca o leva a dar uma interpretação curiosamente alegórica do versículo: “Que todo vale seja aterrado, e todo monte e colina sejam nivelados; que o terreno acidentado se transforme em planície, e as elevações em lugar plano” (Is, 40,4). Girard descarta a interpretação dos “exegetas modernos”, que veem nesse aplainamento universal “uma alusão à construção de uma rota para Ciro”. Porque, como escreve ele, o texto faz desse aplainamento um assunto “tão grandioso que limitar seu alcance à construção de uma grande rota para o maior monarca parece um pouco mesquinho, um pouco estreito”.

O nivelamento que o capítulo 40 descreve é uma representação figurada da indistinção crescente que constitui, no seio de um grupo social, a primeira etapa de uma crise mimética. “Assim como as rochas se transformam em areia, o povo se transforma em uma massa amorfa incapaz de ouvir a voz que grita no deserto, sempre pronta, por outro lado, a reduzir as alturas e a aterrar as profundidades para permanecer na superfície de todas as coisas, para rejeitar a grandeza e a verdade.”  Como mostramos, “Girard produz essa interpretação surpreendente pela necessidade que encontra de identificar a etapa da crise mimética no ‘Dêutero-Isaías’. Apesar de sua audácia costumeira, ele não ousou transpor a fronteira traçada pelos veneráveis exegetas entre os capítulos 39 e 40”. 

IHU On-Line – Por que você considera que Girard teve uma grande audácia na leitura que faz desse profeta?

Dominique Janthial – Girard pratica o que ele denomina, na linha de Auerbach , a “interpretação figural” da Escritura . Esse modo de interpretar os textos foi certamente audacioso no contexto da crítica histórica um pouco estreita, praticada de maneira quase exclusiva quando ele publicou, em 1978, Coisas ocultas desde a fundação do mundo. No entanto, parece-me que Girard ainda não foi audacioso suficiente quando não ousou interpretar o livro de Isaías em sua globalidade e cruzar a fronteira traçada pelos exegetas entre os capítulos 39 e 40. Teria sido por não dominar as línguas bíblicas? Teria sido por causa da teologia desses exegetas? Aparentemente, os exegetas o impressionaram mais que os etnólogos e os antropólogos com os quais sempre se confrontou durante toda a sua carreira.

IHU On-Line – Quais são as relações possíveis entre o bode expiatório de Girard e aquele descrito no Livro da Consolação?

Dominique Janthial – Girard é primeiramente um leitor da Sagrada Escritura. Aliás, ele mesmo se descreve como “uma espécie de exegeta” . Foi sua familiaridade com a Bíblia que lhe revelou o mecanismo do bode expiatório. Penso que ele levou a sério a interpelação de Jesus às autoridades: “Que significa então esta passagem das Escrituras: A pedra que os construtores deixaram de lado tornou-se a pedra angular?” (Lc 20,17). E mostrou a pertinência antropológica universal do mecanismo de produção dos mitos e dos ritos a partir do sacrifício de uma vítima humana inocente, mas “carregada dos pecados” de todos. A construção das civilizações se dá pelo modo do desconhecimento: o bode expiatório é considerado o causador de todos os males da cidade, de modo que somente a sua morte pode salvá-la. Mas, como essa morte restabelece a ordem e põe fim à guerra de todos contra todos, canalizando a violência para um único, atribui-se ao bode expiatório uma força benevolente que faz dele uma espécie de “deus”, senhor do bem e do mal! Ora, Girard descobre no quarto cântico do Servo que esse desconhecimento se rompe: é a famosa confissão do grupo do nós (Is 53,4): a vítima não é culpada.

IHU On-Line – Por que você afirma que os livros de Isaías deveriam ser lidos em seu conjunto?

Dominique Janthial – Qualquer que seja o método usado para estudar os textos (sincrônico, diacrônico, sociológico, antropológico etc.), uma ampla maioria de publicações atuais considera legítimo levar em conta o livro de Isaías como um livro único, embora tenha sido constituído por fragmentos diversos e a história de sua redação tenha possivelmente se estendido por meio milênio . Os diferentes elementos que constituem o livro não foram justapostos ao acaso, e a obra de composição dos redatores é fundamental para a sua compreensão . E, mesmo que a história da redação possa revelar tensões entre redatores sucessivos , a obra final não deixa de apresentar uma coerência própria que é importante poder desvendar .

IHU On-Line – O sacrifício de Abraão é considerado civilizador. A partir disso, seria possível compreender o “bode expiatório” como um salto civilizador?

Dominique Janthial – Não é correto dizer “sacrifício” de Abraão, pois Isaac não foi finalmente sacrificado, porque Deus não o permitiu. Portanto, eis o que é verdadeiramente civilizador: quando o homem deixa de fazer um deus que precise de sacrifícios humanos para existir. O mecanismo do bode expiatório é a única solução que se apresenta ao homem para vencer a proliferação da violência que ameaça qualquer grupo humano em dado momento . Mas essa solução é ruim, pois, restabelecendo a ordem social, ela constrói também essa ordem sobre uma mentira: a culpa da vítima expiatória. Assim, a civilização se torna possível, mas seus fundamentos são viciados pela mentira e pela injustiça, de modo que ela só consegue se sustentar através do medo e da vergonha. A verdadeira humanidade advém, portanto, para si mesma quando a palavra profética denuncia essa mentira e essa injustiça e põe em xeque essa “civilização” opressora.

IHU On-Line – Na perspectiva de Girard, quais os traços característicos do bode expiatório a partir da figura do servo em sofrimento?

Dominique Janthial – É principalmente no quarto cântico (Is 52,13 – 53,12) que Girard identifica essa revelação que faz do Servo o exemplo típico da vítima expiatória: estigmas sacrificiais (53,2-3), substituição (53,6), dimensão espontânea e legal de sua morte (53,8-9).

A aparência do Servo faz dele um objeto de rejeição da parte de seus contemporâneos. Por duas vezes no mesmo versículo 53,3, o autor emprega o verbo “desprezar” (BaZaH) como indício da estigmatização do servo e da rejeição que ele sofre. No entanto, o autor, usando a ironia profética, relaciona esse engano de que se acusa o “grupo do nós” com aquele do profeta Samuel quando foi enviado a Belém para identificar o Ungido do Senhor (1 Sm 16). O versículo 52,14 apresenta vários pontos de contato com essa passagem: “Sua aparência (cf. 1 Sm 16,7) era uma corrupção de homem (cf. 1 Sm 16,18) e seu aspecto (1 Sm 16,18) não era mais o dos filhos de Adão” (cf. 1 Sm 16,7). Além disso, o emprego, nesse contexto, da palavra MiShHaT (corrupção), que não aparece em nenhuma outra parte do texto massoreta, poderia perfeitamente ter uma conotação irônica evocando o Ungido de Javé (MaShiYaH).

O versículo 6 descreve muito claramente o mecanismo de substituição que se efetua para que a vítima expiatória assuma os “pecados de todos” numa dinâmica de “rebanho” típica do embalo mimético que conduz ao linchamento: “Todos nós estávamos perdidos como ovelhas, cada qual se desviava pelo seu próprio caminho, e Javé fez cair sobre ele os crimes de todos nós”.

Os versículos 8-9 situam o fim trágico da vítima, “cortada da terra dos vivos”, por uma “prisão” e um “julgamento”, reconhecendo ao mesmo tempo que ela “não cometeu injustiça e que a mentira nunca esteve em sua boca”. Trata-se, portanto, de um simulacro de julgamento destinado a contentar a “multidão” (‘AM) .

IHU On-Line – Qual a particularidade do tratamento do bode expiatório em referência a outros mitos bíblicos?

Dominique Janthial – Embora a tradição bíblica tenha tomado vários empréstimos dos mitos das culturas vizinhas – os temas de Noé e do dilúvio encontram-se na lenda babilônica de Gilgamesh com a figura de Utnapishtim, citando apenas este exemplo entre outros – e essa tradição tenha forjado suas próprias lendas, a particularidade da revelação bíblica reside, segundo Girard, no fato de que a culpa do herói, pretensamente atingido com razão por Deus ou pelos deuses, é contestada. É também o caso da lenda de José e seus irmãos: “na perspectiva mitológica, os onze irmãos apareceriam como objetos passivos primeiramente das sevícias e depois das benesses de um herói mais ou menos divinizado” . Ora, no texto de Gênesis, a violência coletiva exercida pelos onze irmãos contra o décimo segundo não é justificada em momento algum. E a acusação da senhora Potifar, que parece uma acusação de incesto porque Potifar se comportou em relação a José muito como um pai, não é aprovada como no mito de Édipo. Assim, a figura de José é dessacralizada, nem divina nem demoníaca, humana simplesmente!

Um livro da Bíblia que cumpre esse papel de desmitologização de modo muito particular é o de Jó. Girard dedicou a esse livro todo um comentário para mostrar a força subversiva do texto... mesmo que a força dos Diálogos de Jó tenha sido posteriormente um pouco neutralizada no enquadramento narrativo que a contém atualmente e no qual Girard vê uma violência ao texto original. Ao longo do seu comentário, Girard mostra como a palavra de Jó contesta radicalmente toda e qualquer construção mitológica destinada a provar a culpa da vítima. Nessa condição, ela “não encontra um verdadeiro equivalente no universo grego nem em qualquer outro” .

IHU On-Line – Qual a sua percepção sobre a relação entre o bode expiatório e a memória em nossa civilização?

Dominique Janthial – Na tradição bíblica existe uma exigência de memória que se impôs gradativamente em nossa civilização judaico-cristã. E essa exigência assume um caráter ético muito claro porque se trata prioritariamente da memória das vítimas. Isso vai à contracorrente de certa cultura greco-romana que afirmava a “desgraça aos vencidos” (é o famoso Vae Victis). Foi obviamente a conscientização do “grupo do nós” em relação à vítima expiatória (Is 53,4) que constituiu a origem distante das múltiplas conscientizações que nossa época testemunhou em relação aos grupos humanos que carregaram o peso do funcionamento opressor das civilizações sucessivas: desde as mulheres até as populações aborígenes, passando pelos homossexuais ou pelos judeus . René Girard adverte, contudo, contra a tendência que consistiria atualmente em “tratar como bode expiatório os antigos fazedores de bodes expiatórios”. Isso teria como consequência não o fato de transcender o religioso arcaico, e sim o fato de cair novamente nele .

IHU On-Line – A partir de Auerbach, como podemos entender a interpretação figurativa ou a exegese alegórica nos escritos de Girard?

Dominique Janthial – Girard justifica sua abordagem da Escritura a partir da teoria mimética pela identidade do fenômeno antropológico revelado entre, por exemplo, o ciclo de José (Gn 37-50) e a Paixão de Cristo. Mesmo que Girard lhes preste homenagem, não se trata rigorosamente da interpretação alegórica dos Pais da Igreja, que falam de prefiguração veterotestamentária de realidades cumpridas em Cristo . Desse ponto de vista, ele se aproxima mais de Auerbach, que, por sua vez, vê o tipo e o antitipo como duas etapas ou dois pontos de uma linha reta que leva à escatologia . Do mesmo modo, a perspectiva de Girard é trans-histórica e ultrapassa o âmbito da relação entre o Antigo e o Novo Testamento, uma vez que concerne a mecanismos antropológicos fundamentais.

IHU On-Line – Você poderia caracterizar os três livros de Isaías? O que abordam? Qual o fio condutor que os liga?

Dominique Janthial – Ressalto que, na verdade, há um único livro de Isaías. Se, por um lado, tem-se a clareza de que esse livro foi escrito por autores diferentes e de que sua redação estendeu-se por cerca de meio milênio da história de Israel, por outro, sua tripartição (Is 1-39, Is 40-55, Is 56-66) é uma hipótese exegética que não deveria ser elevada ao dogma. Além disso, a pesquisa recente mostrou largamente que, mais além das diferenças de estilo e contexto, presentes, aliás, dentro do que se pôde chamar de Proto-Isaías, uma redação em bloco na época persa fez do livro de Isaías um conjunto coerente que pode efetivamente ser lido como um livro único.

A questão subjacente a essa redação final é aquela da fidelidade de Deus às promessas feitas a Davi por intermédio do profeta Natã (2 Sm 7). Após a destruição do templo por Nabucodonosor e a falência da dinastia davídica, que restava dessas promessas? A diatribe do primeiro capítulo põe, de imediato, sob os olhos do leitor a falência de um sistema que mergulha na violência e na exclusão, enquanto a visão inaugural do início do capítulo 2 nos faz entrever a realização do desígnio de Deus na reunião de todas as nações em Sião. Toda a intriga do livro está baseada nesse espantoso contraste. As duas cenas de encontro entre o profeta Isaías e um rei davídico (Is 7 e Is 36-39) nos fazem entender o quanto os reis não souberam ser verdadeiros filhos a serviço do desígnio divino. Donde o desastre do Exílio, da destruição do templo e do fim da dinastia, anunciada numa frase no final do capítulo 39 pelo profeta Isaías a Ezequias. A partir do capítulo 40, a figura do Servo emerge no lugar do soberano davídico, e já no capítulo 54, são os servos que aparecem, envolvendo progressivamente o leitor na realização do desígnio divino, que volta a ser evocado nos últimos capítulos do livro (56-66) .

IHU On-Line – A lógica sacrificial invadiu outras esferas da sociedade, como a economia, por exemplo. Como você percebe essas relações e quais são suas consequências?

Dominique Janthial – Assiste-se, na economia liberal, a uma exacerbação do desejo mimético que, como mostrou Girard, é a fonte da violência social. Tendemos a desejar determinado objeto não devido ao seu valor de uso para nós (teoria econômica clássica), e sim porque outros o possuem. A título de exemplo, quando todo mundo deseja morar no mesmo bairro de uma cidade, isso gera inevitavelmente exclusão. De modo paradoxal, o centralismo de Isaías, que convoca todas as nações em Sião, teria as mesmas consequências de amontoamento e violência que podem ser observadas no local em torno do Monte do Templo e até mesmo no Santo Sepulcro. Muito curiosamente, quando o Papa João Paulo II esteve em Jerusalém para o jubileu, o ministro israelense Melchior, encarregado de recebê-lo no Muro Ocidental (Muro das Lamentações), leu o oráculo de Is 2,2-5. Isso deveria ser completado pelas palavras de Jesus à samaritana: “Nem sobre esta montanha nem em Jerusalém [...] mas em qualquer lugar, em espírito e verdade” (Jo 4, 21-23). O mesmo princípio que traduz a teologia da filiação já presente em Isaías deveria conduzir uma orientação cristã da economia à contracorrente dos mecanismos de exclusão. 

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