Edição 381 | 21 Novembro 2011

IHU Repórter

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Por: Thamiris Magalhães

“Talvez uma das maiores honrarias que um professor possa receber é ser lembrado, seja como paraninfo ou homenageado de turma de formandos”, declara o professor de Ciências Contábeis, Ernani Ott. Trabalhando desde 1969 na Unisinos, o docente afirma que este ano foi convidado para ser homenageado novamente. “Eu devo estar em pelo menos 25 formaturas como homenageado e certamente umas 20 como paraninfo. Isso é absolutamente gratificante e é sempre uma nova energia para a nossa atuação profissional. Também contabilizo diplomas de reconhecimento por tempo de serviço na Unisinos e alguns prêmios recebidos em congressos da área contábil”. Ernani, no entanto, não é apenas professor. Pai, avô e curtindo um novo relacionamento desde 16 de dezembro de 2003, Ott ainda tem um lado artístico que muitos desconhecem: a gaita. Conheça um pouco mais da sua história, em entrevista concedida pessoalmente à IHU On-Line.

Autodefinição – Sou uma pessoa de bem com a vida. Só tenho amigos e me dou bem com todo mundo. Tento ser relativamente organizado, mesmo que muitas vezes não seja possível. Essa é uma parte de contador que não exerço com tanta propriedade. Ao mesmo tempo, tenho muita seriedade em minhas obrigações, seja como pai, professor, avô ou companheiro.

Origem – Nasci em Novo Hamburgo, no dia 7 de abril de 1945, e morei lá até julho de 2006, quando me mudei para Porto Alegre onde resido até hoje. Em tom de brincadeira digo que morei 61 anos em Novo Hamburgo e decidi morar os próximos 30 anos em Porto Alegre. Moro sozinho já algum tempo, mas tenho um relacionamento afetivo desde 2003. Estive casado durante 28 anos. Sou separado desde 1996. A separação ocorreu no meio do meu doutorado. Temos dois filhos, que moram em Novo Hamburgo; um com 41 anos e uma com 37. E tenho uma netinha que vai completar cinco anos em dezembro.

Formação – Tive sempre uma vocação para a área de Contabilidade, até porque fiz curso técnico nessa área durante o ensino médio. Depois, prestei vestibular na Unisinos e ingressei como aluno em 1964, no curso de Ciências Econômicas, porque na época ainda não existia o curso de Ciências Contábeis que era, na verdade, o que eu gostaria. Mas fiz o curso de Ciências Econômicas, formando-me em 1967. No início do ano de 1969 fui convidado a lecionar na universidade. A essa altura, já existia o curso de contábeis, que se iniciou em 1966, e aproveitei para cursar as disciplinas. Convivi durante alguns anos com a condição de professor em algumas noites e de aluno em outras. Ao concluir as disciplinas que faltavam, formei-me também em Ciências Contábeis. Mais tarde, na década de 1980, fiz um curso de especialização em contabilidade, também aqui na Unisinos. E em outubro de 1993 fui para o doutorado na Espanha sem precisar fazer o mestrado. Regressei de lá em fevereiro de 1998.

Espanha – Estava buscando essa oportunidade, até porque no Brasil, à época, existia apenas um único doutorado em Ciências Contábeis, que era em São Paulo; hoje temos apenas quatro. Na ocasião, em 1993, eu era diretor do centro e fui chamado pela reitoria, sendo que havia apenas duas vagas para professores da Unisinos irem fazer o doutorado em uma universidade, também jesuíta, da Espanha. E eu fui um dos escolhidos. Prontamente aceitei e fui para a Universidad de Deusto, campus de San Sebastián.

Trajetória profissional – Comecei a trabalhar em 1961 como auxiliar de escritório. Estava iniciando o técnico em contabilidade, quando ingressei em uma empresa, permanecendo até 1966. Então, surgiu a oportunidade de transferência para outra corporação, onde eu poderia trabalhar com a contabilidade, que era o meu sonho. Nessa trabalhei de 1966 até final de 1979. Em meados de 1980, abri um escritório de consultoria, que tenho até hoje, com outros dois colegas. Na verdade, hoje continuo sócio do escritório, mas desde o meu retorno, início de 1998, da Espanha, eu não mais atuei no local, porque a vida acadêmica acabou me absorvendo integralmente. Logo que ingressei na Unisinos, em fevereiro de 1969 até 1979, ou seja, dez anos, atuava em uma empresa e à noite era professor. E, de 1980 até 1993, trabalhava no escritório um turno e dois na Unisinos. Assumi, em 1982, o cargo de diretor do centro de Ciências Econômicas e fiquei durante 12 anos nesse cargo. Com o tempo, fui gradativamente me transferindo das atividades privadas, empresas, escritório, para a atividade docente, o que culminou com o doutorado, tendo regressado e ficado praticamente só na atividade docente. Em maio de 2001, assumi a coordenação do mestrado em Ciências Contábeis, até dezembro de 2009. Hoje, leciono para o curso, graduação e mestrado, de Ciências Contábeis.

Lazer – As horas livres estão cada vez mais escassas, até porque a atividade docente é muito envolvente. Quando estamos envolvidos com mestrado, temos uma demanda muito forte para produção científica, escrever artigos, orientar trabalhos de conclusão, dissertações, avaliar artigos de congressos e revistas, que acabamos sendo solicitados a fazer. E isso acaba ocupando, muitas vezes, o final de semana e a noite, depois do retorno das aulas, etc. Mas, mesmo assim, têm algumas coisas que eu gosto de fazer e tento manter certa regularidade. Uma dessas coisas é ir ao cinema. Além disso, adoro viajar, sendo talvez a coisa que eu mais goste de fazer. E tenho tido muitas oportunidades, pois viajo muito em função da atividade docente e, dentro do possível, tento conciliar o trabalho com o lazer. Tenho um pequeno apartamento em Gramado. Gosto muito da serra. Quando possível, aproveito para ir para lá. A Terezinha, minha namorada, tem uma casa na praia, em Santa Catarina, então acabamos indo muito para lá também. Além disso, gosto muito de ouvir música.

Arte – Há uma parte artística que eu preciso resgatar em mim: é a gaita. Quando jovem, e antes mesmo de casar, tocava bastante. Lecionei, porque teve uma época em que a situação era muito difícil e, então, eu já estava mais adiantado no curso de gaita e pagava minhas aulas dando aula para quem estava começando. Durante muitos anos fiz isso. Formei-me, então, na escola de música, mas depois que casei, tive filhos e comecei a trabalhar, a gaita foi ficando de lado. Agora sim, muito devagar ainda, estou tentando recuperar esse meu lado artístico que é também uma forma de lazer importante.

Filme – Gosto muito de filmes europeus. Desde jovem, sempre gostei muito desse tipo de longa. Acho que eles retratam bem o cotidiano das famílias. Cinema francês, por exemplo, sempre me fascinou. E, mais recentemente, um filme alemão que me chamou muita atenção foi A vida dos Outros. Além desses, gosto muito do cinema argentino, que traz muito a marca do cinema europeu. Um conto chinês e O segredo dos seus olhos também são muito interessantes.

Autor – Ganhei em meu aniversário um livro muito interessante, intitulado Uma breve história de século XX, de Geoffrey Blainey. Ele faz uma retrospectiva histórica do século XX muito bem narrada. É um livro muito cativante que prende o leitor. Além disso, gostei do O futuro do trabalho, do italiano Domenico de Masi. Mas ainda tenho muitos livros esperando para serem lidos.

Religião – Sou evangélico de Confissão Luterana.

Sonho – Sempre coloco família e saúde em primeiro lugar. Depois, conhecer alguns países que ainda não conheço. Já tive a oportunidade de apreciar alguns, sobretudo europeus, mas têm alguns que ainda não conheço e tenho muita vontade de conhecer. Dos que conheço, posso citar a Espanha; alguma coisa de Portugal, cidades como Paris, Londres, Roma, Veneza, Florença; também estive no Canadá e uma vez fui a passeio à Tailândia. Outros sonhos que tenho é ler os livros que ainda não li e voltar a tocar gaita com certa regularidade.

Unisinos – Estou respirando a Unisinos desde 1964. Então, já tem um tempo. É uma trajetória bastante longa e essa universidade é a minha casa. Aqui eu me formei e tento transmitir aos alunos os ensinamentos, seja na graduação ou no mestrado, nas aulas, através de orientações de trabalhos, dissertações etc., sempre tendo em mente a busca da maior qualidade possível do ensino. Além disso, busco levar o nome da Unisinos onde quer que seja. E fazemos muito isso, seja participando de congressos, palestras etc., estamos sempre levando junto a Unisinos. Ademais, aqui dentro fiz grandes amizades com colegas professores, alunos e funcionários.

IHU – Sem dúvida, ele cumpre um papel importantíssimo dentro da Unisinos. E tem sido um elemento relevante por trazer à discussão temas absolutamente atuais, importantes e modernos. O IHU traz eventos importantíssimos para a Universidade que, naturalmente, colocam a Unisinos numa vanguarda. É admirável o trabalho. Desde que o IHU existe estou aqui, acompanho e me chama muito a atenção.

Honra –
Talvez uma das maiores honrarias que um professor possa receber é ser lembrado, seja como paraninfo ou homenageado de turma de formandos. E, esse ano, por acaso, fui convidado para ser homenageado novamente. Eu devo estar em pelo menos 25 formaturas como homenageado e certamente umas 20 como paraninfo. Isso é absolutamente gratificante e é sempre uma nova energia para a nossa atuação profissional. Também contabilizo diplomas de reconhecimento por tempo de serviço na Unisinos e alguns prêmios recebidos em congressos da área contábil.

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