Edição 370 | 22 Agosto 2011

“O ecumenismo é movido pelo Espírito e não pode ser considerado propriedade de nenhuma igreja”

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Moisés Sbardelotto

É da natureza do ecumenismo ser democrático e desafiar todo e qualquer tipo de estruturas autoritárias. Um dos seus grandes desafios, portanto, é reconhecer que ele não se esgota nas instituições eclesiásticas, afirma o histórico militante do ecumenismo, Anivaldo Padilha

Marcado por uma caminhada com diversos momentos históricos importantes, o ecumenismo teve uma relação direta com marcos das lutas pela paz e pela justiça. “E, em não poucas ocasiões ou situações, fora do âmbito oficial das igrejas”, destaca o leigo metodista e militante do movimento ecumênico desde o final da década de 1950, Anivaldo Padilha.

Nesta entrevista, concedida por e-mail à IHU On-Line, Padilha analisa o histórico do movimento ecumênico, repassando suas grandes contribuições em nível mundial, como os processos de reconciliação entre povos da Europa, no pós-guerra, sua função de canal de comunicação entre a sociedade Ocidental e a dos países do Leste Europeu durante o período da Guerra Fria, seu importante papel nas campanhas e nos processos contra o colonialismo, especialmente na África, o fato de ter colocado o ser humano e a participação popular no centro das discussões sobre desenvolvimento e meio ambiente. “Como brasileiros e latino-americanos, temos que enfatizar o papel do movimento ecumênico na luta contra as ditaduras e na defesa dos direitos humanos”, afirma.

Anivaldo Padilha é leigo metodista e associado de Koinonia Presença Ecumênica e Serviço e militante do movimento ecumênico desde o final da década de 1950. Foi líder do movimento ecumênico de juventude latino-americano na década de 1960, líder estudantil e participante da luta contra a ditadura. Foi preso em 1970 pelo DOI/CODI em São Paulo e, a partir de 1971, esteve exilado por 13 anos, no Chile, Estados Unidos e Suíça. Durante esse período, trabalhou no Conselho Nacional de Igrejas dos Estados Unidos e no Conselho Mundial de Igrejas, sempre em programas de defesa e promoção dos direitos humanos. É membro da Diretoria do Conselho Latino-Americano de Igrejas (Região Brasil) e da Junta Diretiva do Church World Service, dos Estados Unidos. Está envolvido em várias iniciativas ecumênicas que visam à superação de todas as formas de intolerância.

Confira a entrevista.


IHU On-Line – Em nível mundial, como o senhor analisa a caminhada ecumênica até hoje? Que avanços ocorreram?

Anivaldo Padilha –
O movimento ecumênico moderno, em nível mundial, celebrou oficialmente o seu marco fundante no ano passado ao comemorar os cem anos da realização da Conferência Missionária realizada em Edimburgo, Escócia, em 1910. Foi naquela conferência que os esforços ecumênicos, iniciados no final do século XIX entre missionários protestantes europeus e americanos e, de forma especial, entre jovens estudantes leigos, se transformaram em movimentos organizados que posteriormente (1948) fundaram o Conselho Mundial de Igrejas – CMI, que é a principal articulação ecumênica mundial.
Essa caminhada teve vários momentos importantes. Em suas primeiras décadas, o movimento inspirou iniciativas de aproximação e de diálogo entre as igrejas, o que resultou na formação de conselhos ou federações de igrejas em praticamente todos os países com presença cristã, em todas as regiões do mundo. Entretanto, creio que os momentos mais dinâmicos do movimento ecumênico, desde o seu início, aconteceram principalmente no âmbito das lutas pela Paz e pela Justiça e, em não poucas ocasiões ou situações, fora do âmbito oficial das igrejas.

Não foram poucos os grupos ecumênicos nacionais na Europa, especialmente na Alemanha, que sofreram perseguições e tiveram seus mártires porque se opuseram ao nazifascismo. Os processos de reconciliação entre povos da Europa, no pós-guerra, também tiveram no movimento ecumênico um de seus principais protagonistas. E durante o período da Guerra Fria, o movimento ecumênico organizado em torno do CMI foi um dos poucos canais de comunicação entre a sociedade Ocidental e a dos países do Leste Europeu. Aliás, essas relações com as igrejas e movimentos leigos nos países socialistas são um dos fatores que levaram grupos religiosos conservadores, apoiados pelo governo norte-americano, a acusarem o movimento ecumênico de comunista.

O movimento ecumênico teve também papel importante nas campanhas e nos processos contra o colonialismo, especialmente na África. Uma das iniciativas ecumênicas mais notáveis foi o Programa de Combate ao Racismo – PCR. Criado em meados da década 1970, o PCR defendeu os direitos e as lutas de negros e povos indígenas em todos os países, mas estabeleceu como prioridade o apoio à luta contra o Apartheid, na África do Sul. Esse foi um dos programas mais bem sucedidos do CMI e, talvez por isso, o que mais sofreu ataques dos setores conservadores das igrejas e da mídia Ocidental.



Ser humano e meio ambiente

Outra contribuição importante foi ter colocado o ser humano e a participação popular no centro das discussões sobre desenvolvimento (já na década de 1960) e o meio ambiente (década de 1980). Enquanto a ênfase desenvolvimentista era no crescimento econômico, o CMI criou o programa “Por uma Sociedade Participativa e Sustentável” com ênfase na participação e na sustentabilidade. Um dos seus desdobramentos foi o movimento conciliar “Justiça, Paz e Integridade da Criação”, estabelecido na Assembleia Geral em 1983, quando a questão ambiental foi definitiva e integralmente incorporada à intervenção ecumênica nos processos de desenvolvimento.

Merece destaque a promoção da Justiça nas relações de gênero, especialmente a reflexão teológica ecumênica dos últimos 40 anos que contribuiu para resgatar o papel importante da mulher na Bíblia, na Igreja e na sociedade. Este é um tema que ainda desafia as igrejas, não só aquelas que ainda defendem e mantêm a tradição patriarcal, mas também as que já reconhecem formalmente a igualdade de gênero, inclusive no ministério ordenado, mas cuja cultura institucional machista ainda é hegemônica.

Por fim, mas sem esgotar o tema, como brasileiros e latino-americanos, temos que enfatizar o papel do movimento ecumênico na luta contra as ditaduras e na defesa dos direitos humanos. O movimento ecumênico teve papel fundamental na formação de praticamente todas as organizações de defesa dos DDHH na América Latina, além do fato de que essas organizações foram financiadas quase que exclusivamente por agências ecumênicas da Europa e da América do Norte. Esse protagonismo nem sempre foi divulgado, mas seus frutos permanecem, como ficou evidente em junho passado com a repatriação dos documentos do projeto “Brasil: Nunca Mais”.

Creio que um dos maiores avanços é o fato de que, apesar de suas crises periódicas, o ecumenismo está aí e veio para ficar. Pode-se ser a favor ou contra, mas não se pode ignorá-lo.
É claro que houve áreas em que o movimento ecumênico não avançou muito, principalmente no que podemos chamar de dimensão institucional do ecumenismo, isto é, nas ações e nas relações oficiais entre as igrejas. Tem havido esforços e avanços de diálogo em torno de questões doutrinárias, mas esses esforços têm tido impacto residual na vida das igrejas. Além disso, a questão eclesiológica, ou seja, a discussão sobre a natureza da Igreja, continua a ser um dos grandes gargalos do ecumenismo. No Brasil, o diálogo inter-religioso, envolvendo oficialmente as igrejas, também não avança, especialmente em relação às religiões de matriz africana.


IHU On-Line – Quais são os pontos mais candentes, em sua opinião, no diálogo ecumênico hoje? Em que pontos é possível encontrar consenso ou ainda é preciso avançar?

Anivaldo Padilha –
Há vários desafios. Um deles é a crise do modelo institucional do ecumenismo. Há indícios fortes de que o modelo “conselhos de igrejas” está em fase de esgotamento. Hoje, não há nenhum conselho de igrejas no mundo, seja nacional ou continental, que não esteja enfrentando o fenômeno da diminuição do seu carisma e poder de convocação ou de ação. Todos passam por crises financeiras que, na verdade, são sintomas de uma crise mais profunda: a crise das igrejas que resulta também em uma crise de visão ecumênica.

As igrejas com tradição ecumênica sofrem a influência e a pressão advindas das mudanças no campo religioso e cultural com o avanço dos movimentos carismáticos e neopentecostais e se sentem ameaçadas em sua segurança institucional ou em sua identidade. E a tendência de boa parte delas é priorizar a defesa de seus interesses institucionais, seja no sentido de preservação e fortalecimento da sua identidade tradicional, seja no sentido de mimetizar os métodos de sucesso de crescimento quantitativo das concorrentes. Com isso, o compromisso ecumênico tende a se enfraquecer. É óbvio que não se pode generalizar. Há muitas igrejas que ainda mantêm seu compromisso ecumênico mas mesmo essas enfrentam tensões internas.

Entretanto, ao mesmo tempo, notamos o crescimento de iniciativas ecumênicas não institucionalizadas. São grupos de pessoas que se organizam de forma autônoma em relação às suas igrejas em torno de objetivos comuns na defesa de direitos e na luta pela justiça social e pela sustentabilidade do planeta. Livres dos entraves das instituições eclesiásticas, atuam com liberdade e chegam aonde as igrejas têm medo ou não estão preparadas para agir. E, sem perderem suas identidades, conseguem romper as barreiras religiosas e contribuir para a superação dos preconceitos sociais, étnicos, de gênero e religiosos.
Um dos grandes desafios do ecumenismo é reconhecer que ele não se esgota nas instituições eclesiásticas. O ecumenismo é movido pelo Espírito e não pode ser considerado propriedade de nenhuma igreja. A administração sábia da relação dialética entre instituição e movimento é, provavelmente, a chave para o desenvolvimento de novos paradigmas de articulação ecumênicos. Mas para isso será necessário reconhecer que o movimento ecumênico sempre foi plural e que o que vemos hoje em termos de movimentos autônomos não é uma novidade. Aliás, o primeiro secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas costumava dizer que ecumenismo é de pessoas e não de instituições. E que deve ser essencialmente um movimento de leigos e de leigas.


IHU On-Line – Em que pontos é possível encontrar consenso ou ainda é preciso avançar?

Anivaldo Padilha –
Creio que há consenso relativo em torno de questões relacionadas à luta pela paz e pela justiça, ao meio ambiente, ao racismo, à violência, aos Direitos Humanos, entre outras. Entretanto, ainda não há consenso sobre o diálogo inter-religioso – em outras regiões do mundo esse diálogo é bastante avançado, mas não no Brasil. Este é um tema importante devido ao viés racista que permeia o preconceito contra as religiões indígenas e afro-brasileiras. Também há temas relacionados a novos direitos em torno dos quais não há consenso, sobre equidade de gênero, direitos sexuais e direitos reprodutivos. Dificilmente haverá consenso, porque o diálogo em torno deles se mostra prejudicado pelo fortalecimento do conservadorismo nas igrejas, especialmente o fundamentalismo bíblico no mundo evangélico e o integrismo no âmbito da Igreja Católica Apostólica Romana – ICAR. Essas dificuldades se encontram principalmente no âmbito do ecumenismo institucional.

No âmbito dos movimentos, o diálogo e as ações em torno desses temas são muito mais fáceis e a tendência é que as reflexões se aprofundem cada vez mais.


IHU On-Line – Nesse contexto, quais as contribuições específicas da Igreja Metodista?

Anivaldo Padilha –
Eu diria que há dois momentos distintos na história de participação da Igreja Metodista no movimento ecumênico. O primeiro está relacionado aos primórdios do movimento ecumênico. A Igreja Metodista, em nível mundial e também no Brasil, sempre esteve presente entre os principais pioneiros do ecumenismo. Um dos pioneiros do ecumenismo foi John R. Mott , um leigo metodista americano, que organizou e presidiu a Conferência Missionária de Edimburgo. Todos os movimentos surgidos a partir daquela conferência contaram com metodistas – clérigos e leigos – entre seus líderes. E dos sete secretários gerais que o CMI teve até hoje, três foram metodistas. No Brasil não foi diferente. A Igreja Metodista no Brasil participou da fundação de todas as organizações ecumênicas institucionais no país e as organizações autônomas sempre tiveram a presença de metodistas.

Entretanto, vivemos hoje um outro momento no Brasil. Grande parte da liderança da Igreja Metodista no Brasil, hoje, tem tendências antiecumênicas. Vivemos um grande retrocesso e me arriscaria a dizer que a Igreja Metodista no Brasil não tem muito com que contribuir hoje. Há seis anos o Concílio Geral decidiu retirar a Igreja Metodista de todas as organizações ecumênicas nas quais a ICAR participa oficialmente. É verdade que não houve nem há unanimidade em torno dessa decisão. Cerca de 45% por cento dos delegados votaram contra. Grande parte dos pastores e pastoras e também de leigos não comunga dessa posição sectária. É de se lamentar que o ecumenismo, entendido também como abertura ao dialogo e ao respeito à diversidade, tornou-se um fator de divisão na igreja.


IHU On-Line – Que papel teve o Concílio Ecumênico Vaticano II para a ação e o serviço ecumênicos posteriores? Que pontos merecem ser ainda mais aprofundados/concretizados ou revistos/abandonados dos debates de então?

Anivaldo Padilha –
O Concílio Vaticano II representou oficialmente a adesão da Igreja Católica Apostólica Romana ao ecumenismo. Desde então, as relações entre protestantes e católicos se intensificaram em todo o mundo, o que possibilitou ampliar e aprofundar o diálogo e as ações ecumênicas, até então limitadas às igrejas protestantes, anglicanas e ortodoxas. A ICAR passou a participar de conselhos de igrejas em vários países, inclusive no Brasil. A reflexão teológica também se beneficiou muito com a participação de teólogos católicos nos encontros ecumênicos. Talvez, uma das áreas mais beneficiadas foi o da pastoral porque aí há intercâmbios importantes entre leigos e teólogos das diversas igrejas e pessoas não necessariamente religiosas na luta pela paz e pela justiça.

É claro que o aprofundamento dessas relações não esteve e nem está isento de tensões no plano institucional. Na verdade, há recuos. O crescimento do conservadorismo, o enfraquecimento do compromisso ecumênico institucional em algumas igrejas protestantes e os recuos da ICAR em relação aos avanços do Concílio Vaticano II, indicam que o caminho ainda será tortuoso. E os documentos do Vaticano reafirmando a noção romana de que a ICAR é a única e verdadeira Igreja fortaleceu o anticatolicismo existente no meio protestante brasileiro. Entretanto, não sou pessimista, pois o impacto dos avanços conquistados nos últimos 40 anos ainda está presente em muitas das comunidades que vivenciaram esse período e essa experiência continua a ser partilhada com as novas gerações.


IHU On-Line – E, no Brasil, como foi sendo gestado o diálogo ecumênico? Quais foram os principais momentos dessa história?

Anivaldo Padilha –
Da mesma forma que no plano internacional, o movimento ecumênico no Brasil teve seu início e se desenvolveu primeiramente no âmbito das igrejas protestantes. Essa realidade começou a mudar na década de 1950 quando a Confederação Evangélica do Brasil – CEB, criada em 1934, inspirada pelo CMI, criou o Setor de Responsabilidade Social, responsável por desenvolver uma série de reflexões sobre o papel da Igreja no Brasil em um contexto de rápidas transformações sociais e políticas. Duas organizações ecumênicas também contribuíram sobremaneira para o desenvolvimento desse processo: a União Latino-americana de Juventudes Ecumênicas – Ulaje e a União Cristã de Estudantes do Brasil – UCEB ambas protestantes e formadas por leigos e leigas. Desse processo surge o Movimento Latino-Americano de Igreja e Sociedade – Isal, que teve papel fundamental na organização do pensamento social ecumênico na América Latina, especialmente no Brasil.

A CEB organizou uma consulta e três conferências que impactaram profundamente setores importantes das igrejas protestantes. A consulta nacional, realizada em 1955, teve como tema “A responsabilidade social da Igreja” e lançou as bases para as três conferências que se seguiram: a primeira, em 1957 sobre “A Igreja e as rápidas transformações sociais no Brasil”; a segunda, em 1960, sobre a “Presença da Igreja na evolução da nacionalidade”; e a terceira, em 1962, com o tema “Cristo e o processo revolucionário brasileiro”. Concomitantemente, a partir do início da década de 1960 a ICAR também passa a sentir os efeitos renovadores trazidos pelo Papa João XXXIII.

Esses novos ares tiveram grande impacto nas igrejas, especialmente entre a juventude e intelectuais, estudantes, pastores e padres, levando-nos a construir processos de diálogo e de cooperação com outros setores da sociedade, nas lutas pelas transformações socioeconômicas em nosso país. É nesse contexto que germinam as sementes do que veio a ser conhecida como Teologia da Libertação, tanto em suas vertentes protestante quanto católica.

Esse processo é interrompido temporariamente pelo golpe militar de 1964, que leva à prisão, à clandestinidade ou ao exílio grande parte das nossas lideranças e ao desmantelamento das nossas organizações, inclusive da Confederação Evangélica do Brasil.

O período pós-golpe significou reaglutinar as pessoas, criar novas formas de articulação e redefinir nosso papel. Com o impacto renovador do Concílio Vaticano II e do Conselho Episcopal Latino-Americano Celam, em Medellín, em 1968, o movimento ecumênico ganha novo ímpeto e possibilita uma ação ecumênica mais efetiva com a participação de grandes contingentes católicos. É a partir desse momento que começam a surgir as diversas organizações ecumênicas na América Latina reunindo pessoas em torno da reflexão teológica, da defesa dos direitos humanos e promovendo a educação popular. Merece destaque o Centro de Documentação e Informação – Cedi, fundado em 1965, sobre os escombros da Confederação Evangélica do Brasil.

Com a intensificação da repressão e a institucionalização da tortura como método sistemático de interrogatório e instrumento de terror político do Estado, após o AI-5, coube ao movimento ecumênico desempenhar um papel importante em quatro áreas: 1) alimentar as redes ecumênicas internacionais com informações sobre o que se passava nos porões da ditadura; 2) criação de redes ecumênicas de apoio para proteger perseguidos políticos rumo ao exílio; 3) promover a educação popular junto aos setores mais explorados da sociedade e apoiar as diversas pastorais, especialmente as relacionadas aos trabalhadores urbanos e rurais e às comunidades indígenas; 4) promoção do estudo popular da Bíblia e reflexão teológica sobre os desafios socioeconômicos. É nesse momento que surge a Coordenadoria Ecumênica de Serviço – Cese, em 1975, organizada com a participação oficial de cinco igrejas protestantes e a CNBB para apoio a projetos populares. É nesse momento, também, que surgem as condições que permitiram a criação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – Conic, em 1982.

O processo de redemocratização do Brasil e as grandes transformações no mundo a partir do final da década de 1980 colocaram novos desafios para o movimento ecumênico: deixar de ser o grande “guarda-chuva” das oposições à ditadura; compreender que é apenas mais um entre tantos outros movimentos da sociedade civil; lançar seu olhar para temas antes negligenciados, como as questões de gênero, racismo, diálogo inter-religioso, e os diversos tipos de intolerância existentes na sociedade e nas igrejas. Creio que ainda estamos vivendo esse momento.

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