Edição 317 | 30 Novembro 2009

Celso Monteiro Furtado (1920-2004)

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Celso Furtado foi um economista brasileiro e um dos mais destacados intelectuais do país ao longo do século XX. Suas ideias sobre o desenvolvimento e o subdesenvolvimento divergiram das doutrinas econômicas dominantes em sua época e estimularam a adoção de políticas intervencionistas sobre o funcionamento da economia

Nascido na Paraíba, estudou no Liceu Paraibano e no Ginásio Pernambucano do Recife. Muda-se em 1939 para o Rio de Janeiro. No ano seguinte ingressa na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), tendo concluído o bacharelado em Ciências Jurídicas e Sociais em 1944, mesmo ano em que foi convocado para integrar a Força Expedicionária Brasileira (FEB), servindo na Itália.

Em 1946, ingressou no curso de doutoramento em Economia da Universidade de Paris-Sorbonne, concluído em 1948 com uma tese sobre a economia brasileira no período colonial. Retornou ao Brasil, trabalhando no DASP e na Fundação Getúlio Vargas.

Em 1949, mudou-se para Santiago do Chile, integrando a recém-criada Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), órgão das Nações Unidas. Sob a direção do economista argentino Raúl Prebisch, a Cepal se tornaria naquele período um centro de debates sobre os aspectos teóricos e históricos do desenvolvimento.

Na década de 1950, Furtado presidiu o Grupo Misto Cepal-BNDES, que elaborou um estudo sobre a economia brasileira que serviria de base para o Plano de Metas do governo de Juscelino Kubitschek. Mais tarde, é convidado pelo professor Nicholas Kaldor ao King's College da Universidade de Cambridge, Inglaterra, onde escreveu Formação Econômica do Brasil, clássico da historiografia econômica brasileira.

Retornando ao Brasil, assumiu uma diretoria do BNDES e participou da criação, em 1959, da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene). Em 1962, no governo João Goulart, foi nomeado o primeiro Ministro do Planejamento do Brasil, elaborando o Plano Trienal. Em 1963 retornou à superintendência da Sudene, criando e implantando a política de incentivos fiscais para investimentos na região.

Com o golpe militar de 1964, teve seus direitos políticos cassados por dez anos. Exilado, mudou-se para o Chile e, mais tarde, para os Estados Unidos, onde seria pesquisador na Universidade de Yale. Em 1965, mudou-se para a França, assumindo a cátedra de Desenvolvimento Econômico da Universidade de Paris, permanecendo nos quadros da Sorbonne por vinte anos. Na década de 1970 viajou a diferentes países seja em missão das Nações Unidas, seja como conferencista ou professor-visitante.

Com a Anistia, em 1979, retornou à militância política no Brasil, que passou a visitar com freqüência. Conciliou esta atividade com suas tarefas acadêmicas como diretor de pesquisas da Ecole des Hautes Études en Sciences Sociales, em Paris.

Em 1981 filia-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB). Em 1985 foi convidado participar da Comissão do Plano de Ação do governo Tancredo Neves, e logo em seguida é nomeado Embaixador do Brasil junto à Comunidade Econômica Européia, mudando-se para Bruxelas. De 1986 a 1988 foi ministro da Cultura do governo José Sarney, quando criou a primeira legislação de incentivos fiscais à cultura. Nos anos seguintes, retomou a vida acadêmica e participou de diferentes comissões internacionais. Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1997. Faleceu no Rio de Janeiro, em 20 de novembro de 2004.

Dentre suas obras são listadas:

Contos da vida expedicionária – de Nápoles a Paris. RJ, Zelio Valverde, 1946
A economia brasileira. RJ, A Noite, 1954
Uma economia dependente. RJ, Ministério da Educação e Cultura, 1956
Perspectivas da economia brasileira. RJ, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, 1958
Formação econômica do Brasil. RJ, Fundo de Cultura, 1959
A Operação Nordeste. RJ, Instituto Superior de Estudos Brasileiros, 1959
Uma política de desenvolvimento econômico para o Nordeste. RJ, Imprensa Nacional, 1959
Desenvolvimento e subdesenvolvimento. RJ, Fundo de Cultura, 1961
Subdesenvolvimento e Estado democrático. Recife, Condepe, 1962
A pré-revolução brasileira. RJ, Fundo de Cultura, 1962
Dialética do desenvolvimento. RJ, Fundo de Cultura, 1964
Subdesenvolvimento e estagnação na América Latina. RJ, Civilização Brasileira, 1966.
Teoria e política do desenvolvimento econômico. SP, Editora Nacional, 1967
Um projeto para o Brasil. RJ, Saga, 1968
Formação econômica da América Latina. RJ, Lia Editora, 1969
A economia latino-americana. SP, Companhia das Letras, 2007
Análise do "modelo" brasileiro. RJ, Civilização Brasileira, 1972
A hegemonia dos Estados Unidos e o subdesenvolvimento da América Latina. RJ, Civilização Brasileira, 1973
O mito do desenvolvimento econômico. RJ, Paz e Terra, 1974
Criatividade e dependência na civilização industrial. RJ, Paz e Terra, 1978
O Brasil pós-"milagre". RJ, Paz e Terra, 1981
A nova dependência, dívida externa e monetarismo. RJ, Paz e Terra, 1982
Não à recessão e ao desemprego. RJ, Paz e Terra, 1983
Cultura e desenvolvimento em época de crise. RJ, Paz e Terra, 1984
A fantasia organizada. RJ, Paz e Terra, 1985
A fantasia desfeita. SP, Paz e Terra, 1989
Transformação e crise na economia mundial. SP, Paz e Terra, 1987
ABC da dívida externa. SP, Paz e Terra, 1989
Os ares do mundo. SP, Paz e Terra, 1991
Brasil, a construção interrompida. SP, Paz e Terra, 1992
O capitalismo global. SP, Paz e Terra, 1997
Obra autobiográfica, 3 vol.. SP, Paz e Terra, 1997
O longo amanhecer. SP, Paz e Terra, 1999
Raízes do desenvolvimento. RJ, Civilização Brasileira, 2001
Em busca de novo modelo. SP, Paz e Terra, 2002

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