Edição 293 | 18 Maio 2009

Teologias Índias. Desafios e limites

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Patricia Fachin | Tradução Benno Dischinger

Em ascensão na América Latina, as reflexões das Teologias Índias estão escandindo fronteiras e adquirindo importância entre europeus, africanos e asiáticos, assinala Manuel Hurtado

“A irrupção atual das Teologias Índias, com sua enorme diversidade e pluralidade é, sem dúvida, um convite para viver plenamente e viver harmoniosamente em nossas sociedades mescladas.” A opinião é defendida pelo teólogo Manuel Hurtado, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. Entre as reflexões propostas, Hurtado aponta, que dentro da sua pluralidade, “as Teologias Índias convergem no esforço de pensar, meditar e reflexionar tudo o que concerne a Deus e ao mais profundo da vida do homem crente de nossas terras americanas”. Além do mais, nesse momento de crescente preocupação ambiental, as Teologias Indígenas ganham um caráter importante no sentido de “ajudar-nos, por exemplo, a recuperar uma teologia do cosmo e da natureza”, lembra.

Segundo o professor, as Teologias Indígenas estão vivendo um momento de crescimento e de graça na América Latina. Isso, explica, “confirma que o Espírito do Ressuscitado está atuando incessantemente nos povos de nosso continente”. E vislumbra: “Os frutos das Teologias Índias enriquecerão, sem dúvida, desde sua diversidade, o corpo total de Cristo que é a Igreja.”

Manuel Hurtado é doutor em teologia pelas Faculdades Jesuítas de Paris, França, onde defendeu a tese intitulada La doctrine de l’Incarnation en théologie chrétienne des religions: Ses enjeux pour le débat contemporain (A doutrina da Encarnação na teologia cristã das religiões: suas contribuições para o debate contemporâneo). É professor de Teologia Sistemática na Universidade Católica Boliviana, de Cochabamba, e na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em Belo Horizonte.

Confira a entrevista.

IHU On-Line - Quais são os elementos que identificam uma Teologia Indígena?

Manuel Hurtado - É conveniente fazer notar desde o início que é melhor usar o plural em vez do singular para referir-se à Teologia Indígena, pois existe uma pluralidade de Teologias Indígenas.

As Teologias Índias, Ameríndias ou Indígenas, em primeiro lugar, nos remetem à rica e multiforme sabedoria religiosa dos povos originários ou nativos das três Américas e do Caribe. Esta sabedoria secular dos povos ameríndios é agora pensada e refletida pelos filhos destas terras americanas, especialmente (embora não só) pelos membros dos povos nativos. Esta reflexão costuma ser feita de maneira autônoma ou vinculada à reflexão cristã.

Dentro de sua pluralidade, as Teologias Índias convergem todas no esforço de pensar, meditar e refletir tudo o que concerne a Deus e ao mais profundo da vida do homem crente de nossas terras americanas. Esta reflexão sobre Deus (teologia), em sua relação com o homem (antropologia teológica), busca, sem excluir em princípio as categorias gnosiológicas de cunho ocidental, privilegiar as categorias particulares e próprias das diversas tradições culturais e religiosas nativas de nosso continente americano.

Esta reflexão se faz em distintos níveis e segundo distintos modos. Ela pode ser feita de maneira autônoma ou vinculada à reflexão propriamente cristã. Em ambos os modos existem ao menos dois níveis: a reflexão espontânea e sapiencial da experiência religiosa (a dos anciãos, por exemplo) e a reflexão dos que tentam uma organização dos conteúdos do conjunto da sabedoria e da experiência religiosa de cada um dos povos originários (a dos teólogos e pregoeiros nativos, por exemplo). Mas é preciso dizer que as Teologias Índias são um labor de todo um povo. Quem faz Teologia Índia é, em primeiro lugar, o conjunto da comunidade nativa, o conjunto do povo Indígena.

O sujeito primário das Teologias Índias é o próprio povo, ou seja, a “atividade teológica” é, no contexto Indígena, uma atividade e uma tarefa comunitária. Somente num segundo momento podem chegar as organizações e sistematizações dos porta-vozes e pregadores sobre aquilo que o povo reflexionou comunitariamente em consonância com sua cultura. As Teologias Índias têm o próprio povo como “teólogo”. Somente em sentido secundário ou derivado é legítimo falar de “teólogos” no sentido individual, como é comum na compreensão do mundo ocidental.

Por tudo isso, será comum que existam teologias ligadas a cada cultura e a cada povo originário: falar-se-á, assim, da Teologia Aimara, da Teologia Quéchua, da Teologia Guarani, da Teologia Maia, etc.

IHU On-Line - Quais são atualmente os principais desafios e limites das Teologias Indígenas?

Manuel Hurtado - Entre os muitos desafios das Teologias Índias se podem mencionar os seguintes, que considero os mais urgentes e irrenunciáveis:

a) A consolidação do principal sujeito das Teologias Índias são os povos Indígenas da América, que devem buscar constantemente sua afirmação como tais, sem o que as Teologias Ameríndias simplesmente não poderiam existir. É urgente trabalhar a partir de distintas perspectivas, de modo a obter essa consolidação e o reconhecimento dos povos originários;

b) A concentração e o crescimento da reflexão especificamente teológica nas Teologias Índias. Isso significa que não convém seguir concebendo as Teologias Índias de maneira demasiado ampla e que valha para uma série de tarefas necessárias, porém não propriamente teológicas; e, tampouco convém aplicar o termo “Teologia ou Teologias Índias” de maneira indeterminada a qualquer tipo de consideração antropológica cultural ou etnológica. Para garantir a força da Teologia Índia, é conveniente ser mais cuidadoso ao qualificar algumas ações ou tarefas como teológicas.

c) É necessário fazer Teologia Índia remetendo-se constantemente à grande riqueza da memória dos povos originários. Os teólogos Indígenas tirarão muito mais proveito para sua própria reflexão com a referência constante às fontes próprias de cada uma das culturas (os mitos, os contos, os relatos, a própria história etc.).

d) Além de ter, afirmar e definir cada vez mais um caminho próprio (um método), as Teologias Índias devem ser capazes, ao mesmo tempo, de saber manejar e dialogar com os modos e métodos das teologias contemporâneas não Indígenas. Isto será realmente fundamental para que as Teologias Índias adquiram direito de cidadania nos âmbitos teológicos mais amplos.

e) Especialmente para as Teologias Indígenas cristãs, é urgente mostrar que sua prática tem um caráter eclesial e que seu desenvolvimento e crescimento contam com a ajuda, o apoio e o sustento da ampla comunidade eclesial americana, e que, além disso, essas Teologias pretendem e buscam animar a vida e a fé dos povos ameríndios.

Os principais limites, perigos ou riscos das Teologias Índias poderiam ser os seguintes:

a) O primeiro risco das Teologias Índias pode ser o da evasão da realidade ou da renúncia demasiado rápida à convicção de que a realidade pode ser efetivamente transformada.

b) Seguindo o anterior, as Teologias Índias também podem estar tentadas a encerrar-se em si mesmas ou esquecer que só podem existir no diálogo com a alteridade teológica.

c) No mesmo sentido, as Teologias Índias podem ser tentadas, em suas reflexões, a quase sacralizar os povos originários, que de fato são o sujeito das mesmas teologias, marginalizando-os ou excluindo-os de sua relação com outros povos pobres e religiosos. Também está presente a tentação de gerar certo messianismo em alguns povos majoritários, suscitando a falsa ideia de certa superioridade com respeito a outros povos menores ou menos numerosos.

d) Também existe o risco de ideologização das Teologias Índias, ou seja, querer empregar sua reflexão para fins que justifiquem erroneamente causas demasiado particularistas e violentas.

e) Convém mencionar também os riscos de arqueologismo e fundamentalismo das Teologias Índias. As Teologias Índias podem estar tentadas em algum momento a permanecerem no passado e serem incapazes de produzir novos sentidos. O fundamentalismo na leitura de suas tradições e de sua memória pode provocar uma fixação estéril na letra e nas formas de outra época e outros contextos, que já não são os contemporâneos.

IHU On-Line - Qual é a repercussão das Teologias Índias na Igreja? É aceita, se integra ou ainda é uma realidade periférica?

Manuel Hurtado - Numa entrevista, no avião, João Paulo II, em sua curta visita ao México (1999), respondia aos jornalistas que “substituir a Teologia da Libertação por uma Teologia Indigenista seria uma má tradução do marxismo”. Como acaba de suceder na última visita de Bento XVI à África, a frase do Papa naquela ocasião também foi tirada de contexto e interpretada segundo a ótica dos jornalistas, no sentido de que se tratava de uma forte condenação da Teologia Índia. Os setores mais conservadores da Igreja não tardaram em dar como verdadeira a suposta condenação papal e acusaram a Teologia Índia de não ser ortodoxa e, ademais, que é instrumento para promover a confrontação. É claro que o Papa jamais havia dito o que os repórteres lhe atribuíam.

Desde aquela data correu muita água. As Teologias Indígenas continuaram caminhando muito e a produção tem seguido em claro aumento. As atitudes eclesiais sofreram mudanças importantes, passando dos receios e das suspeitas à valoração, ao respeito, à confiança e ao diálogo, tanto no âmbito cultural como no inter-religioso. Para toda esta notória mudança de atitude contribuíram, sem dúvida, muitos Indígenas, sacerdotes ou não, muitos bispos identificados e enamorados dos povos Indígenas de nossas terras ameríndias. A Igreja Católica há vários anos vem confeccionando abundantes documentos nos quais se apoia, valoriza e incentiva o respeito pelos povos Indígenas e por suas próprias reflexões. É preciso mencionar, entre outros documentos, a IV Conferência do Episcopado Latino-americano de Santo Domingo, onde a Igreja explicitamente se põe do lado dos povos Indígenas para “acompanhar sua reflexão teológica, respeitando suas formas culturais que lhes ajudem a dar razão de sua fé e de sua esperança” (SD 248).

Somos parte de um momento histórico nas Teologias Indígenas, as quais estão vivendo um momento de crescimento e de graça, o que confirma que o Espírito do Ressuscitado atua incessantemente nos povos de nosso continente. Claro está que ainda não se afastaram por completo certas suspeitas que continuam presentes aqui e ali, as quais esperamos que irão com o tempo diminuir até desaparecerem, pois os frutos das Teologias Índias enriquecerão, sem dúvida, desde sua diversidade, o corpo total de Cristo que é a Igreja.

É preciso reconhecer, contudo, que em muitos ambientes eclesiais as Teologias Indígenas são praticamente umas perfeitas desconhecidas. Alguns nunca ouviram falar delas, sobretudo em alguns meios populares urbanos e também nos meios eclesiais mais acomodados. Não obstante, trata-se mais de desconhecimento ou ignorância, igual à que existe sobre tantas outras realidades eclesiais que não os afetam diretamente.

IHU On-Line - Quais foram os ganhos e as limitações de se usar o termo Teologia Índia na V Conferência em Aparecida?

Manuel Hurtado - É preciso dizer que, apesar do longo caminho de preparação e de diálogo que foi acontecendo nas conferências episcopais e no Celam, as Teologias Índias não foram mencionadas explicitamente na última redação do Documento de Aparecida.  E isto sucedeu principalmente por uma “precaução” procedimental e canônica, pois a Santa Sé (segundo o que se afirmou nas discussões para aprovar a última redação do Documento) ainda não se havia pronunciado sobre o termo “Teologia Índia”. Por tal razão, parecia pouco propício usar oficialmente o termo “Teologia Índia” enquanto o Vaticano não tenha dado sua aprovação. Muitos não ficaram convencidos da razão dada, pois de fato, como expressão, este termo já tem sido utilizado antes pelo Papa.

Contudo, é conhecido por muitos que em todo o processo de preparação anterior a Aparecida, nas conferências episcopais e no Celam, se havia mostrado claramente que não se pode negar o qualificativo de verdadeira “teologia” à sabedoria e ao pensamento religioso Indígena.

IHU On-Line – No III Simpósio latino-americano de Teologia Índia, organizado pelo Celam em 2006, foi abordada a Cristologia Indígena. Quais são as referências cristológicas para se poder falar de Cristologia Indígena?

Manuel Hurtado - Neste Simpósio, o padre Eleazar López,  um dos que mais contribuiu para o desenvolvimento da Teologia Índia e em cujos escritos eu me apoio, apresentou uma consideração muito importante sobre as “Cristologias Indígenas”. Em sua reflexão, o padre López apresenta de início as seguintes interrogações: “Ocupa Cristo um lugar determinante na vida dos Indígenas da América Latina? Como tem Ele sido anunciado e como tem sido acolhido no coração pessoal e cultural dos chamados índios? Como é atualmente assumido, expressado e vivido este encontro com Jesus Cristo e seu Evangelho pelos descendentes dos primeiros povoadores destas terras?”. Estes questionamentos são fundamentais para traçar a agenda da Cristologia Índia.

Na mesma lógica que as Teologias Indígenas, é claro que convém falar mais no plural de “Cristologias Indígenas” do que da “Cristologia Indígena”, pois há uma diversidade de aproximações cristológicas. A pluralidade cristológica não existe só no campo das Teologias Indígenas, mas já está presente no Novo Testamento. Não existe “uma” cristologia neotestamentária, porém existem muitas. E, precisamente a partir desta pluralidade, se encontra em Jesus Cristo o fator de unidade do Novo Testamento.

O padre Eleazar López afirma, na conclusão de sua consideração já aludida,que: “Hoje, mais do que nunca, é urgente que definamos qual há de ser nosso papel como Igreja na história atual, junto a povos que são cultural e religiosamente diferentes com respeito à sociedade ocidental, a qual veiculou a presença missionária da Igreja junto a estes povos. É necessário também que saibamos cumprir responsavelmente esse papel, já não em função de influências extraevangélicas e extraeclesiais, como no passado, mas em fidelidade plena ao Evangelho de vida e de salvação revelado por nosso Senhor Jesus Cristo e em fidelidade ao ser humano que é destinatário deste Evangelho, que não só veio de fora, mas já estava semeado no meio de nós”.

Pessoalmente, creio que todos os intentos teológicos no âmbito das culturas da terra possibilitam um desenvolvimento original da cristologia. O simples fato de poder recolher imagens, noções e títulos que possam ser aplicados a Cristo, enriquece a linguagem cristológica eclesial e teológica, já que a colocam em relação com a linguagem dos homens e das culturas da terra, completando assim a aproximação cada vez mais íntima e respeitosa do mistério de Jesus Cristo. Está claro que todas estas considerações teológicas e culturais não seriam possíveis sem a consciência de que a reflexão sobre Cristo deve considerar seriamente uma relação de continuidade e ruptura em todo o processo de inculturação. Quer dizer que é preciso reconhecer uma clara continuidade entre Cristo e tal cultura e, ao mesmo tempo, é necessário ser consciente de uma descontinuidade.

IHU On-Line - De que modo a valoração da cultura indígena na Bolívia e na América Latina se relaciona com a Teologia da Libertação?

Manuel Hurtado - É claro que as Teologias Índias adquiriram grande vigor na América Latina, especialmente desde os anos 90. Estas teologias atendem o seguinte aspecto cultural e religioso que fora descuidado ou despercebido pela Teologia da Libertação: a grande variedade e riqueza das culturas e religiões ameríndias.

O conjunto das Teologias Índias trata também de um projeto teológico que luta pela dignidade e direito dos indígenas e dos povos indígenas oprimidos e dominados. Sem dúvida, o parentesco com a Teologia da Libertação aparece aqui claramente, contudo, por meio destas “novas teologias”, como alguns as têm chamado, tem seu próprio método e identidade.

A convergência com a Teologia da Libertação deve ser vista principalmente no fato evidente de que o principal sujeito das Teologias Índias são os povos indígenas que coincidem com os povos oprimidos e pobres de nosso continente, dos quais a Teologia da Libertação se aproximou e os quais defendeu, porém sem por em primeiro plano seu caráter de povos religiosos e pertencentes a uma cultura indígena concreta.

IHU On-Line - Em que sentido as Teologias Índias nos ajuda a repensar a organização social e política da sociedade e do mundo, no sentido de respeitar as diversidades, a interculturalidade, as questões da terra e até mesmo o meio ambiente?

Manuel Hurtado - Este é um tema amplo e complexo, mas, para dizer algo breve e central, é preciso ver que a irrupção atual das Teologias Índias, com sua enorme diversidade e pluralidade, é, sem dúvida, um convite para viver plenamente e viver harmoniosamente em nossas sociedades mescladas. O aporte das Teologias Índias se faz sentir no âmbito da ecologia com muita força, pois pode ajudar-nos, por exemplo, a recuperar uma teologia do cosmo e da natureza.

IHU On-Line - Como as Teologias Indígenas se expressam na América Latina: Quais são suas forças e qual a sua importância no continente?

Manuel Hurtado – Certamente, as Teologias Indígenas se expressam de distintos modos e em distintos âmbitos. Deixando de lado a principal contribuição que trazem para seus próprios povos, é preciso dizer que há vários anos vêm sendo realizados os Encontros de Teologia Índia. O V encontro teve lugar em abril de 2006 em Manaus, Brasil. Estes encontros se converteram num lugar privilegiado de expressão dos distintos atores das Teologias Índias. Nestes encontros se reza e se celebra juntamente a mesma fé e se acolhem as reflexões de distinto tipo e grau de todos aqueles que querem comunicar seu pensamento.

A força e importância das Teologias Indígenas em nosso continente está em paulatina ascensão, especialmente nos países onde existe uma população indígena importante e majoritária. As Teologias Indígenas também estão adquirindo cada vez mais importância nas reflexões teológicas de outro cunho, inclusive há interesse de muitos teólogos europeus, africanos e asiáticos pelas produções e reflexões que se fazem. Certamente se podem encontrar coincidências entre as Teologias Indígenas e as Teologias africanas que se preocupam por tornar inteligível a seus povos o anúncio de Jesus Cristo. Um sumário exame de algumas teologias africanas mostra-nos coincidências notáveis, pelo menos nos caminhos percorridos até agora (os métodos teológicos).

IHU On-Line - Quais são hoje os teólogos que incentivam o aprofundamento das Teologias Índias?

Manuel Hurtado - Além dos povos indígenas que são os principais sujeitos das Teologias Índias, existe também um grande número de “teólogos”, de “pregoeiros” ou de “porta-vozes” que se dedicam à reflexão no marco das teologias indígenas em todo o continente americano.  Já mencionei antes o Padre Eleazar López, índio zapoteca e sacerdote, fiel à sua terra e verdadeiro teólogo, por mais que ele insista em ser um simples “pregoeiro”. Não se pode deixar de mencionar Dom Samuel Ruiz,  bispo emérito de San Cristobal de las Casas, em Chiapas, México. Também deve ser mencionado Nicanor Sarmiento,  jovem sacerdote dos Missionários Oblatos de Maria Imaculada, que está começando a dar contribuições interessantes de sistematização e que atualmente está vivendo no Canadá e trabalhando com os indígenas Inuits de Labrador e redigindo ao mesmo tempo uma tese doutoral. Todavia, seria preciso dizer que há vários bispos, sacerdotes e religiosos nos distintos países latino-americanos que ajudam, promovem e contribuem ativamente no fortalecimento das Teologias Indígenas.

De outra parte, convém mencionar o Instituto Latino-americano de Missiologia, em Cochabamba, Bolívia. Este instituto faz um trabalho de formação de Missionários para a América Latina em nível de licenciatura e tem, ademais, uma variada produção bibliográfica concernente às Teologias Indígenas. Os padres Juan Gorski, Missionário de Maryknoll e Roberto Tomichá, chiquitano e sacerdote franciscano conventual, dirigem esta instituição e incentivam a produção bibliográfica, tendo produzido eles próprios uma considerável quantidade de artigos e livros, acessíveis em www.misionologia.org; www.ucbcba.edu.bo.

Em São Paulo, começou em 2007 um programa de mestrado e doutorado em teologia com a especialização em Missiologia no ITESP www.missiologia.org.br/index.php?p=33&t=p.

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