Max Weber: A ética protestante e o espírito do capitalismo

Ciclo de Estudos em EAD — Repensando os Clássicos da Economia discutirá o tema

Por: Bruna Quadros

Para dar seguimento ao ciclo de estudos em Ensino a Distância (EAD) – Repensando os Clássicos da Economia, promovido pelo Instituto Humanitas Unisinos – IHU, a partir de 9 de junho, o objeto de estudos será a obra A ética protestante e o espírito do capitalismo, de Max Weber. Sobre o tema, o Prof. Dr. em Sociologia Antonio Flávio Pierucci, docente na Universidade de São Paulo (USP), concedeu a entrevista Uma ética profissional que surge da ética religiosa. O conteúdo foi publicado na edição 163 da revista IHU On-Line, intitulada “A comida fala – redescoberta da mesa em tempos de fast food”, de 07 de novembro de 2005.

Ao explicar o que Weber queria dizer, exatamente, com a palavra “espírito” do capitalismo, Pierucci afirma que o autor estava se referindo não à prática cotidiana da economia nem aos negócios diretamente, mas ao espírito com que se fazem esses negócios. “Ou seja, o que ele chama, num jargão sociológico, de ethos, que é, na verdade, um modo de vida, uma conduta de vida, baseada em normas éticas, e essas normas ele chama de ascéticas, que valorizam muito não apenas o trabalho como domínio da natureza, mas o trabalho como domínio de si mesmo, como controle de si.”

Para Pierucci, esta situação acaba surgindo da ética protestante. É como dizer que Weber não está interessado no capitalismo como economia, mas no capitalismo como cultura, modo de ser, não de pensar, mas de viver, porém com uma sensação de obrigação. “Por isso, Weber fala em uma ética profana, porque as pessoas que estão submetidas ao espírito do capitalismo têm um forte sentimento de dever, não só quanto ao trabalho racional, mas também quanto a um trabalho que seja produtivo, que tenha objetivos, além da obrigação de crescer, isto é, que, ao trabalhar, a pessoa sinta não só obrigação de trabalhar, mas de melhorar a sua vida, aumentar os seus bens”, explica Pierucci.

Sobre a relação entre economia e religião, Pierucci destaca que, para Weber, esta é uma situação difícil. Isso, porque, já no tempo de Weber, na Alemanha, o capitalismo era autonomizado e passou por sua grande fase expansionista no século XIX, caracterizada pela entrada do capitalismo na fase de produção de capital, e não apenas de produção de mercadorias. “O que Weber fez como sociólogo foi introduzir a maneira como se dá essa relação, qual é o link que faz com que uma religião tão austera, tão exigente no que diz respeito à conduta, tão fortemente apoiada na Bíblia, a qual, às vezes, desconfia da riqueza, quando não a desvaloriza, tem tanto interesse pela riqueza e por sua posse.”

Pierucci destaca, ainda, que Weber fez uma análise econômica de um modo de produção, criando uma ética profissional, ou seja, da ética religiosa surge uma ética profissional, uma valorização do trabalho, mas do trabalho profissional, metódico, cotidiano, e ela acaba repercutindo no desenvolvimento do capitalismo. “Weber não afirma que o protestantismo gera, origina ou mesmo impulsiona o capitalismo, e sim se torna um intermediário que ele chama de ‘espírito do capitalismo’”.

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