Edição 258 | 19 Maio 2008

A realidade do mercado de trabalho no Vale do Sinos

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Bruna Quadros

Para Edialeda Stimamiglio, o momento é positivo, em relação à oferta de emprego na região

Depois de ser referência nacional pela produtividade no setor calçadista, nas décadas de 1980 e 1990, o Vale dos Sinos, recentemente, viveu um momento de crise. Esta fase exigiu dos empresários da região uma mudança de paradigmas, que trouxe resultados significativos. De acordo com a coordenadora da Fundação Gaúcha de Trabalho e Ação Social (FGTAS) em São Leopoldo, Edialeda Stimamiglio, que estará discutindo a situação dos postos de trabalho e renda na região, no dia 21 de maio, no Instituto Humanitas Unisinos – IHU, o Vale do Sinos mostrou a capacidade de reação, e um dos sinais disto é o expressivo crescimento da demanda por treinamento gerenciais na região, além da diversificação do mercado. “As indústrias passaram a investir em desenvolvimento do produto, construção de identidade da marca, aprimoramento logístico, enfim, inovaram para tornarem-se competitivas.”

Como conseqüência, hoje, a realidade do mercado de trabalho é outra. Edialeda destaca o momento positivo, em relação à oferta de emprego no Vale dos Sinos. “Dados do Caged (Cadastro Geral de Emprego e Desemprego) do Ministério do Trabalho e Emprego, relativos ao primeiro bimestre, apontam para o crescimento de postos de trabalho na região, sendo que São Leopoldo é um dos municípios com maior número de postos gerados no período. Hoje, as empresas de pequeno porte são as que mais oferecem vagas.” Segundo ela, este crescimento está relacionado ao bom desempenho das indústrias, que registra os melhores resultados desde 2000, com um crescimento de 11,4% em relação ao mesmo período de 2007.

Mesmo com o mercado de trabalho novamente em ascensão, ainda há barreiras a serem ultrapassadas na região do Vale dos Sinos. “A dificuldade que enfrentamos no momento é a da falta de qualificação dos trabalhadores, principalmente nas áreas de serviços, seguida da área metal mecânica e da construção civil”, avalia Edialeda. Para ela, esta realidade exige uma atitude das entidades de classe e do poder público municipal, estadual e federal, com o aumento dos investimentos na qualificação e a requalificação dos trabalhadores desempregados, para assim atendermos às necessidades do mercado. “Outro desafio é oferecer aos trabalhadores desempregados e para os jovens que estão ingressando no mercado de trabalho o acesso a cursos de qualificação gratuitos.”

Resultados das Pesquisas de Emprego e Desemprego (PED) revelam o crescimento continuado do nível de ocupações por assentados, especialmente no aumento do contingente de trabalhadores assalariados, com carteira de trabalho assinado no setor privado, portanto com proteção social, o que diminui o trabalho informal. “Os trabalhadores que permanecem na informalidade são os que têm mais de 45 anos, que não concluíram o ensino fundamental e apresentam em seu histórico profissional alta rotatividade nos empregos anteriores. Para eles, a informalidade passa a ser o único caminho, já que estão fora das exigências do mercado de trabalho”, enfatiza Edialeda.

Sobre a redução da jornada diária de trabalho, sem redução de salários e o fim das horas extras, Edialeda acredita que seja uma medida significativa para minimizar o problema do desemprego no Brasil. “Devemos considerar, também, que a redução da jornada de trabalho trará vários benefícios para o trabalhador, como um tempo maior com a família, tempo para estudo e descanso, melhor desempenho profissional e, conseqüentemente, o aumento da produtividade no trabalho.”

Edialeda Stimamiglio é graduada em Serviço Social, pela Universidade de Caxias do Sul (UCS). Desde 2002, coordena a Fundação Gaúcha de Trabalho e Ação Social (FGTAS), em São Leopoldo, além de integrar a Comissão Municipal de Emprego e o Movimento Viva São Leopoldo, na coordenação do grupo temático Geração de Trabalho e Renda.

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